Dias e dias
em convívio recluso
limite, fobia
falei ao avesso
pensei inconsequente:
pipas, balões, aviões
desenhos em papel de seda
papéis de parede, rede
noites insones
Nina Simone
contrastes
na página de hoje
marca-dor
pedaços do passado
espelhos estraçalhados
um corte na mão
amadora
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Delírios
Estou pronta
com uma raiva rondando
um ataque
atabaques (palavrinha oportuna)
um bote
e castelos caem
com uma raiva rondando
um ataque
atabaques (palavrinha oportuna)
um bote
e castelos caem
Sonho de Março
Dormir
povoar a noite de sonhos fragmentados
perdi uma criança
de vista
perdi a hora
e um compromisso
esqueci a senha
e chorei
pelo que escapou por esquecimento
cobrou a dor no peito
o dia já pelo meio
o passo que não alcançou
a hora passada
a frustração
a impotência
o sonho perdido
o caos
reflexo do meio
perdi o ponto
balanço
explicações desconexas
desculpas de paz
aos teus pés
angústia
a passagem impressa
jogo de palavras
decolagem
mais um vulto entre transeuntes
inconfessável
incontestável
povoar a noite de sonhos fragmentados
perdi uma criança
de vista
perdi a hora
e um compromisso
esqueci a senha
e chorei
pelo que escapou por esquecimento
cobrou a dor no peito
o dia já pelo meio
o passo que não alcançou
a hora passada
a frustração
a impotência
o sonho perdido
o caos
reflexo do meio
perdi o ponto
balanço
explicações desconexas
desculpas de paz
aos teus pés
angústia
a passagem impressa
jogo de palavras
decolagem
mais um vulto entre transeuntes
inconfessável
incontestável
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Resvala da luz
Choque
vagar em noites,
seguir ciente das ciladas
o riso da boca para fora
no rosto, um véu mascara
não vanglorio
sei da minha miséria
das pétalas,
da flor ainda semi-aberta,
secura
é curto o ciclo...podia deixá-lo cumprir-se
tão silenciosa a margem em que me debruço
chove sem mais sonhar a estiagem
vertente que não se esgota
vertigem constante
essa que vês, se faz camaleão e sua cor é palidez
um dia ousou o sonho,
hoje a frieza
não diria jamais que voluntária
minha ousadia precede o que quero
seguir ciente das ciladas
o riso da boca para fora
no rosto, um véu mascara
não vanglorio
sei da minha miséria
das pétalas,
da flor ainda semi-aberta,
secura
é curto o ciclo...podia deixá-lo cumprir-se
tão silenciosa a margem em que me debruço
chove sem mais sonhar a estiagem
vertente que não se esgota
vertigem constante
essa que vês, se faz camaleão e sua cor é palidez
um dia ousou o sonho,
hoje a frieza
não diria jamais que voluntária
minha ousadia precede o que quero
domingo, 29 de março de 2009
Ele diz: (Ricardo Pozzo e Ivone fs)
- tá com raiva?
- hoje quero ser pedra mais que saliva
- voce quer ser a medusa?
- não. mas olharia nos olhos dela
- a vitima dela?
- não vítima
- suicidazinha!
- vontade...
- olha para trás, igual a mulher de lot
- mulher de lot?
- de sodoma e gomorra
- e virar pedra?
- de sal
e sodoma e gomorra viraram o mar morto
mas aí quem sabe te lambam pelo menos
- as vacas adoram lamber sal...
- eu seria uma vaca
- o sal faz flutuar
- o corpo
- num mar morto salino
- credo... ta mais pra hebréia que pra grega então
- hoje quero ser pedra mais que saliva
- voce quer ser a medusa?
- não. mas olharia nos olhos dela
- a vitima dela?
- não vítima
- suicidazinha!
- vontade...
- olha para trás, igual a mulher de lot
- mulher de lot?
- de sodoma e gomorra
- e virar pedra?
- de sal
e sodoma e gomorra viraram o mar morto
mas aí quem sabe te lambam pelo menos
- as vacas adoram lamber sal...
- eu seria uma vaca
- o sal faz flutuar
- o corpo
- num mar morto salino
- credo... ta mais pra hebréia que pra grega então
ondulações
acho bonita a cidade assim
vista daqui do alto
visto-a nos olhos
hoje de neblina
seda londrina
vista daqui do alto
visto-a nos olhos
hoje de neblina
seda londrina
Sobram as palavras
em que sentido?
nenhum. bloqueio de direção.
viraram um amontoado
e, neste caso específico,
o poema estava do lado de fora.
nenhum. bloqueio de direção.
viraram um amontoado
e, neste caso específico,
o poema estava do lado de fora.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Paisagem
Do vento, uma rajada
onde transpareço nuvem
De um sopro, um alarde
rebatendo no teto
Uma sensação
parando entre os olhos e o tempo corrido
Um carro,
uma marginal em vai e vem
Um Pinheiros de tez lisa plúmbea
escondendo seu desespero
À saída de um esgoto,
uma garça... solidão.
onde transpareço nuvem
De um sopro, um alarde
rebatendo no teto
Uma sensação
parando entre os olhos e o tempo corrido
Um carro,
uma marginal em vai e vem
Um Pinheiros de tez lisa plúmbea
escondendo seu desespero
À saída de um esgoto,
uma garça... solidão.
terça-feira, 3 de março de 2009
O mundo é muito barulhento
Faça-se silêncio
que hoje preciso dos ruídos
das árvores
das águas
das pedras
em choque com o vento
e só.
que hoje preciso dos ruídos
das árvores
das águas
das pedras
em choque com o vento
e só.
Ânsias e mármore
Quem dera fosse eu iludida.
Por que vazam-me os olhos
as certezas cruas inauditas?
Por que vazam-me os olhos?
Ronda-me um abraço inédito
Incendeia qualquer riso pouco
Abrasam cinzas em descrédito
Ao vir vento sopro intrépido
Qual beleza fria, fotografia,
O deserto, a solidão a esmo,
Refletindo assaz água viva
Porque certa é a imagem nua,
Céu de um pensamento audaz
Que na dureza não se amotina.
Por que vazam-me os olhos
as certezas cruas inauditas?
Por que vazam-me os olhos?
Ronda-me um abraço inédito
Incendeia qualquer riso pouco
Abrasam cinzas em descrédito
Ao vir vento sopro intrépido
Qual beleza fria, fotografia,
O deserto, a solidão a esmo,
Refletindo assaz água viva
Porque certa é a imagem nua,
Céu de um pensamento audaz
Que na dureza não se amotina.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Nada muda
Se eu não tiver você
(e eu não tenho)
continua todo o mundo igual
os dias de sol
as estrelas nos lembrando do céu
o mar sempre responderá ao vento
logo de manhã, os mesmos carros rugirão
as cidades seguirão seu ritmo
se eu não tiver você
ninguém deixa de fazer nada por isso
os teus amigos rirão contigo
a cama macia acolherá o corpo exausto
as contas vencerão
o trabalho exigirá como sempre
nada muda se eu não tiver você
as coisas de fora se movimentam
as coisas de dentro são como um jardim
e num tempo de rosas florescem e morrem
aqui não importa se lá fora é outono
dentro as estações não têm lógica
se eu não tenho você
nada muda ...
(e eu não tenho)
continua todo o mundo igual
os dias de sol
as estrelas nos lembrando do céu
o mar sempre responderá ao vento
logo de manhã, os mesmos carros rugirão
as cidades seguirão seu ritmo
se eu não tiver você
ninguém deixa de fazer nada por isso
os teus amigos rirão contigo
a cama macia acolherá o corpo exausto
as contas vencerão
o trabalho exigirá como sempre
nada muda se eu não tiver você
as coisas de fora se movimentam
as coisas de dentro são como um jardim
e num tempo de rosas florescem e morrem
aqui não importa se lá fora é outono
dentro as estações não têm lógica
se eu não tenho você
nada muda ...
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Redemoinho
Se solto todos os cordões
e ainda assim há o limite
vem do coração, esse ditador insano,
que me prende em fissura,
a amarra que me faz escrava
a gravidade que me aterriza.
e ainda assim há o limite
vem do coração, esse ditador insano,
que me prende em fissura,
a amarra que me faz escrava
a gravidade que me aterriza.
Pequenos ruídos
luz queimando as horas
trechos de melodias
corpos descobertos
ar absorvendo as águas do (nosso)amor
mão adormecida sobre o ventre
tudo no centro da terra
pós explosão. silente.
trechos de melodias
corpos descobertos
ar absorvendo as águas do (nosso)amor
mão adormecida sobre o ventre
tudo no centro da terra
pós explosão. silente.
Cirurgia
Hospital. Quarto 43.
Cirurgia bem sucedida feita pelos dois irmãos ginecologistas. Ela, 53 anos, sem filhos.
Esforçava-se para manter o ouvido atento à conversa entre os irmãos. Tentava interrompê-los, pois sentia-se agoniada ao ver seu útero naquele recipiente transparente, guardado para análise laboratorial. Seus apelos silenciosos ocorrerram quando entrou o médico, professor dos irmãos e amigo da família, para uma visita. Apesar dos 80 anos tinha muito vigor no andar e na fala.
- Minha querida, a partir de agora você será uma mulher muito feliz!
- Obrigada, doutor, mas por que o senhor diz isso?
- Porque a partir de agora você é uma mulher oca!
Cirurgia bem sucedida feita pelos dois irmãos ginecologistas. Ela, 53 anos, sem filhos.
Esforçava-se para manter o ouvido atento à conversa entre os irmãos. Tentava interrompê-los, pois sentia-se agoniada ao ver seu útero naquele recipiente transparente, guardado para análise laboratorial. Seus apelos silenciosos ocorrerram quando entrou o médico, professor dos irmãos e amigo da família, para uma visita. Apesar dos 80 anos tinha muito vigor no andar e na fala.
- Minha querida, a partir de agora você será uma mulher muito feliz!
- Obrigada, doutor, mas por que o senhor diz isso?
- Porque a partir de agora você é uma mulher oca!
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
O silêncio da última palavra que por si só fala
...e o que mais me intriga
é a síntese de tudo
foi preciso desbravar toda uma floresta
para poder dormir de um simples cansaço.
é a síntese de tudo
foi preciso desbravar toda uma floresta
para poder dormir de um simples cansaço.
Lagoa
Pálpebras,
asas encolhidas
sob a neblina:
às vezes
o sonho adormece,
a água turva
e todos os peixes têm a mesma cor
asas encolhidas
sob a neblina:
às vezes
o sonho adormece,
a água turva
e todos os peixes têm a mesma cor
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Pétalas ávidas
Ganha minhas coxas,
quando em mim
teus olhos procurarem
o intento dos meus
Neles não há raso,
Nem esse riso próximo
nasceu ao acaso:
Antes se fez,
apaixonadamente,
em toda altura
que à vertigem lança:
A fome e a sede,
de bocas abertas,
diante da mesa farta
quando em mim
teus olhos procurarem
o intento dos meus
Neles não há raso,
Nem esse riso próximo
nasceu ao acaso:
Antes se fez,
apaixonadamente,
em toda altura
que à vertigem lança:
A fome e a sede,
de bocas abertas,
diante da mesa farta
Lâminas duras
Não me peçam uma vida regrada
Não me exijam a presença
Não determinem meu dia
Não sou igual se chove
Não sou igual, quando antes à noite foi clara ou escura...
Não sou igual nenhum dia
Meu espelho é um estranho
Não me exijam a presença
Não determinem meu dia
Não sou igual se chove
Não sou igual, quando antes à noite foi clara ou escura...
Não sou igual nenhum dia
Meu espelho é um estranho
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Fotografia
Reveste a luz
em lúcida quietude
Beleza mórbida
Dança que enlaça
a forma decifrada
de um ponto imóvel
que não apreendo
Pairando sob a retina
da lembrança
como pinceladas
de indefinidas cores
Avenidas cheias
Asfalto molhado
Luzes, cidade
Vidros cerrados
Calor incendeia o ponto imóvel onde se movem a música, a palavra
e o silêncio do poema pronto sem beijo no destinatário
em lúcida quietude
Beleza mórbida
Dança que enlaça
a forma decifrada
de um ponto imóvel
que não apreendo
Pairando sob a retina
da lembrança
como pinceladas
de indefinidas cores
Avenidas cheias
Asfalto molhado
Luzes, cidade
Vidros cerrados
Calor incendeia o ponto imóvel onde se movem a música, a palavra
e o silêncio do poema pronto sem beijo no destinatário
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Vãs tentativas
Estremeço
pela abundância sedimentada
o desespero retido
borbulha e massacra como fel
ímpeto de alcançar
- mãos estendidas oferecem -
ao chão, num tropeço,
as oferendas se espalham...
26/12/2008
pela abundância sedimentada
o desespero retido
borbulha e massacra como fel
ímpeto de alcançar
- mãos estendidas oferecem -
ao chão, num tropeço,
as oferendas se espalham...
26/12/2008
Saudade
Quem vela teu sono
enquanto velo as horas
em que não durmo?
Teus cabelos guardam segredos
só decifro com meus dedos...
anéis justos cobrindo minhas mãos
Teu rosto, moço,
é o guardador da luz
que vigia a minha noite
Por onde andará teu pensamento
enquanto caminhas por aí, nas ruas,
Dessa cidade que não conheço?
27/12/2008
enquanto velo as horas
em que não durmo?
Teus cabelos guardam segredos
só decifro com meus dedos...
anéis justos cobrindo minhas mãos
Teu rosto, moço,
é o guardador da luz
que vigia a minha noite
Por onde andará teu pensamento
enquanto caminhas por aí, nas ruas,
Dessa cidade que não conheço?
27/12/2008
Bilhetes rasos para seus fantasmas (por Rita Medusa e Ivone fs)
Rita:
Desenho luzes?
Entreato de flechas ou somente espasmos no meu caderno manco?
Ivone fs ...
paraliso o instante nas direções multiplicadas
Rita Medusa
O medo é um passo ordinário para a sentença desejada...
Quantos passos você conta?
Ivone fs ...
era de orvalho
em vôo rasante...os pés flutuam
Rita Medusa
As asas souberam dos caminhos as fraturas das distâncias
Um só
Translúcido para ser onírico.
Ivone fs ...
jarradas inesperadas golpearam minha paz
choveu breu sobre os alicerces bambos
Rita Medusa
E bambas cordas se contorceram
Jasmins quiseram resgastes
Não imaginava ardência nos sacrificados mantos
resgates,alturas...
Ivone fs ...
jaziam as cédulas da credibilidade
troquei meu bilhete do vôo sem volta
me debati nos muros débeis do retorno automatizado
Rita Medusa
Soube de não retornar do teto do meu quarto
A alienação carimbando um desvario na testa
Inocente parábolas modificadas com a ponta da língua
Queimaram-me viva e a tocha na minha mão entornava
Ivone fs ...
um sono profundo transportou minhas cinzas
lavadas pelas ondas que inundaram minha face
dejetos abortados
27/12/2008
Desenho luzes?
Entreato de flechas ou somente espasmos no meu caderno manco?
Ivone fs ...
paraliso o instante nas direções multiplicadas
Rita Medusa
O medo é um passo ordinário para a sentença desejada...
Quantos passos você conta?
Ivone fs ...
era de orvalho
em vôo rasante...os pés flutuam
Rita Medusa
As asas souberam dos caminhos as fraturas das distâncias
Um só
Translúcido para ser onírico.
Ivone fs ...
jarradas inesperadas golpearam minha paz
choveu breu sobre os alicerces bambos
Rita Medusa
E bambas cordas se contorceram
Jasmins quiseram resgastes
Não imaginava ardência nos sacrificados mantos
resgates,alturas...
Ivone fs ...
jaziam as cédulas da credibilidade
troquei meu bilhete do vôo sem volta
me debati nos muros débeis do retorno automatizado
Rita Medusa
Soube de não retornar do teto do meu quarto
A alienação carimbando um desvario na testa
Inocente parábolas modificadas com a ponta da língua
Queimaram-me viva e a tocha na minha mão entornava
Ivone fs ...
um sono profundo transportou minhas cinzas
lavadas pelas ondas que inundaram minha face
dejetos abortados
27/12/2008
Vigília
Vigília
Quem apalpa agora
senão um vestígio
de vento na toca
onde curva e volta?
Eu, parede em aparência
uivo mudo, ardência
interna redemoinho
Raso o riso
passos em cadência
em qual me escondo?
Estranha, a noite!
O ruidoso momento
que adia ou espera
Tua voz : nuvem
- envolve minha dor
passeando
e não diz a palavra
que me salva -
Desse ponto,
do mapa indecifrável
do abismo noturno,
aves rodeiam
a esfinge adormecida
guardando um segredo
16/12/2008
Quem apalpa agora
senão um vestígio
de vento na toca
onde curva e volta?
Eu, parede em aparência
uivo mudo, ardência
interna redemoinho
Raso o riso
passos em cadência
em qual me escondo?
Estranha, a noite!
O ruidoso momento
que adia ou espera
Tua voz : nuvem
- envolve minha dor
passeando
e não diz a palavra
que me salva -
Desse ponto,
do mapa indecifrável
do abismo noturno,
aves rodeiam
a esfinge adormecida
guardando um segredo
16/12/2008
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Sobre ilusões amorosas
Embaixo do sono
vão sonhos entorpecidos
de um desejo,
que antes assíduo,
mas depois do ato
só vaidade e desacato
vão sonhos entorpecidos
de um desejo,
que antes assíduo,
mas depois do ato
só vaidade e desacato
Antes do fim
querer da vida
a crença que ao menos
sustenta
os olhos vidrados
o nariz em reta
e ao pé da orelha
os sussuros molhados
regando a planta
mantendo o viço
do vício de seguir
teimosia estatalando nos cascos
a crença que ao menos
sustenta
os olhos vidrados
o nariz em reta
e ao pé da orelha
os sussuros molhados
regando a planta
mantendo o viço
do vício de seguir
teimosia estatalando nos cascos
Terra não prometida
O lamento é uma música
de passos sumindo no horizonte
O lamento dá as costas e encara os pés
O lamento é o grito sufocado
de quem perdeu a fé e parte...
carregado.
de passos sumindo no horizonte
O lamento dá as costas e encara os pés
O lamento é o grito sufocado
de quem perdeu a fé e parte...
carregado.
Confronto
Entre a bebida
e os ruídos da noite
tua imagem passeia...
acelero a volta,
meia volta,
ao meu pouso curto
à merce dos móveis,
em silêncio (imóveis)
e da pouca luz
refletindo meus vestidos inéditos
- deliberadamente prontos
Acelero a volta
em mais um gole,
que devoro
e intervém
pela parte que não fala
pela parte que não cala
- intermediário que extrapola
e os ruídos da noite
tua imagem passeia...
acelero a volta,
meia volta,
ao meu pouso curto
à merce dos móveis,
em silêncio (imóveis)
e da pouca luz
refletindo meus vestidos inéditos
- deliberadamente prontos
Acelero a volta
em mais um gole,
que devoro
e intervém
pela parte que não fala
pela parte que não cala
- intermediário que extrapola
**
Herdei a brandura
Acasalada
Duas estrelas na madrugada
Pela minha janela
Além breu
(Nós)
Nus aventurando
Acasalada
Duas estrelas na madrugada
Pela minha janela
Além breu
(Nós)
Nus aventurando
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
é o que me diz
nestes cômodos, onde as portas nunca levam chave e o trânsito é sem mão. percebes minha dança? há fadas em seda e eu teço nervuras em seus vestidos. elas me afrontam e procuram seu par. eles riem e abençoam seus beiços dependentes. andam em procissão. é o que me diz o teu sorriso mudo. diante da fala muda. é o que me diz, no fim das contas
do que eu sempre soube.
17/10/2008
do que eu sempre soube.
17/10/2008
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Palavras impressas
I -
Quanto mais quieta mais intensa a agitação encoberta
A fala presa num suspiro travado aguarda um vão neste campo de concentração
Os olhares de gelo
Os sorrisos da hipocrisia
Terrenos infestados
Todos cegos comendo tua merda
É ínfimo o instante...
Dedilhando tuas costas
A palavra inteira passou por um fio,
Percorreu direta, como um líquido injetado em tua pele
Tudo na medida, de não adivinhar, nem acrescentar
Completa. Pode-se dizer. Completa.
Vou pelo ritmo agora,
O ritmo que vier,
Direto, dentro do meu ouvido,
Fala e saliva
Respondo: com as mãos e o corpo inteiro...
II -
Todos os espaços se colidem
não há mais frente ou verso
derramei-me inteira
agora posso ir...
agora sei
que não há limite
não há berço
não há o lençol que forre
nem tão pouco o que cobre
agora sei...
III -
A febre vazou
o delírio não entorpece
que venham todas as dores
que venham e testem
até onde me querem?
Quanto mais quieta mais intensa a agitação encoberta
A fala presa num suspiro travado aguarda um vão neste campo de concentração
Os olhares de gelo
Os sorrisos da hipocrisia
Terrenos infestados
Todos cegos comendo tua merda
É ínfimo o instante...
Dedilhando tuas costas
A palavra inteira passou por um fio,
Percorreu direta, como um líquido injetado em tua pele
Tudo na medida, de não adivinhar, nem acrescentar
Completa. Pode-se dizer. Completa.
Vou pelo ritmo agora,
O ritmo que vier,
Direto, dentro do meu ouvido,
Fala e saliva
Respondo: com as mãos e o corpo inteiro...
II -
Todos os espaços se colidem
não há mais frente ou verso
derramei-me inteira
agora posso ir...
agora sei
que não há limite
não há berço
não há o lençol que forre
nem tão pouco o que cobre
agora sei...
III -
A febre vazou
o delírio não entorpece
que venham todas as dores
que venham e testem
até onde me querem?
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Ligação a cobrar
Ouço tua voz
que me chama
e reviro
À noite havia pingos
no meio da neblina
e um caminho.
que me chama
e reviro
À noite havia pingos
no meio da neblina
e um caminho.
Ainda
que houvesse
uma única razão
para dormir ao teu lado
entre estes trapos
que restaram
valeria!
não tivesse sabido
da tua tão pouca exigência...
no entanto, agora penso:
é hora de limpar estes cantos
abrir a janela e ver o sol
(a próxima atração é de quinta categoria)
eu vou, você fica.
Ivone fs....04/08/2008
uma única razão
para dormir ao teu lado
entre estes trapos
que restaram
valeria!
não tivesse sabido
da tua tão pouca exigência...
no entanto, agora penso:
é hora de limpar estes cantos
abrir a janela e ver o sol
(a próxima atração é de quinta categoria)
eu vou, você fica.
Ivone fs....04/08/2008
Índia que sou
Dos desenhos que faço na água
sobram as sombras e os olhos
Amanheço na borda do primeiro raio
e tenho o dia inédito, em preto e branco
Das securas cravadas, que me fazem sólida,
percebo as primeiras lascas caindo
De pincel nas mãos, espalho o sangue
e de vermelho tinjo minha pele nova
Há um peso...um grito na mata cerrada...
sobram as sombras e os olhos
Amanheço na borda do primeiro raio
e tenho o dia inédito, em preto e branco
Das securas cravadas, que me fazem sólida,
percebo as primeiras lascas caindo
De pincel nas mãos, espalho o sangue
e de vermelho tinjo minha pele nova
Há um peso...um grito na mata cerrada...
sábado, 15 de novembro de 2008
Arrastão
Nunca serei a pequena margem de tua visão. Se me calculas, perdes a noção. Sou limbo escorregadio, a própria onda dos ventos das estações que se repetem e nunca são as mesmas. Em cada marca, meu rosto altiva, em cada suspiro preso, meu rumo muda. Mesmo contra vontade, sigo. O tempo me chama e sempre vou, mesmo contra minha vontade...o tempo passa e sempre vou. O nosso tempo fica...o nosso tempo ficou...
**
Herdei a brandura
Acasalada
Duas estrelas na madrugada
Pela minha janela
Além breu
(Nós)
Nus aventurando
Acasalada
Duas estrelas na madrugada
Pela minha janela
Além breu
(Nós)
Nus aventurando
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
fim de tarde
Um dia sentei no teu colo
no meio da rua
fui mais nua
que a rua
e nunca mais te vi
nem nunca mais me despi
Ivonefs - 04/09/2008
no meio da rua
fui mais nua
que a rua
e nunca mais te vi
nem nunca mais me despi
Ivonefs - 04/09/2008
sábado, 18 de outubro de 2008
Um dia depois de antes
Acendo uma vela,
as paredes dançam,
na meia-luz,
as lembranças:
o trânsito escondeu-se todo
na ambulância do meu desespero
que rodou, rodou num viaduto
irresoluto e rezou luto
na veia,
glicose, dipirona e antis
na seringa cheia
nada,
nada de imediato se absorve
as paredes dançam,
na meia-luz,
as lembranças:
o trânsito escondeu-se todo
na ambulância do meu desespero
que rodou, rodou num viaduto
irresoluto e rezou luto
na veia,
glicose, dipirona e antis
na seringa cheia
nada,
nada de imediato se absorve
Olhares
Insuportáveis, as reticências que sobram nos rompimentos...
Preciso deste quarto escuro,
limitar minha fobia,
domesticar essa ânsia de ir...
(nem que seja só por hoje)
Quem clama respostas,
é a aflição das mãos vazias
O solo íngreme
e os pés inchados?
são pela dureza da desesperança.
As manchas a encobrirem a retina
são sinais latentes:
de que ainda restou algo
do que ainda me domina.
Preciso deste quarto escuro,
limitar minha fobia,
domesticar essa ânsia de ir...
(nem que seja só por hoje)
Quem clama respostas,
é a aflição das mãos vazias
O solo íngreme
e os pés inchados?
são pela dureza da desesperança.
As manchas a encobrirem a retina
são sinais latentes:
de que ainda restou algo
do que ainda me domina.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Cifras e Códigos
meu dia começa no meio
é simples: só durmo no fim da noite
cenas do dia anterior:
mastiguei um pacote inteiro de cookies
castanha-do-pará
fui votar e me esqueci o número dela
o melhor da rodovia vinha da tua voz:
"diz que segue o coração" *
e sigo então
a chuva no vidro
duvidando do sol
só por hoje
nada formal
nem almoço à mesa
qualquer coisa enquanto caminho
fala emudecida
intensa conversa interior
aumento o som
e leio Drummond:
A rosa do povo
..."É feia. Mas é realmente uma flor"
...................................... * Heitor Branquinho
é simples: só durmo no fim da noite
cenas do dia anterior:
mastiguei um pacote inteiro de cookies
castanha-do-pará
fui votar e me esqueci o número dela
o melhor da rodovia vinha da tua voz:
"diz que segue o coração" *
e sigo então
a chuva no vidro
duvidando do sol
só por hoje
nada formal
nem almoço à mesa
qualquer coisa enquanto caminho
fala emudecida
intensa conversa interior
aumento o som
e leio Drummond:
A rosa do povo
..."É feia. Mas é realmente uma flor"
...................................... * Heitor Branquinho
romântica
Houve a chuva
no telhado
ouça a chuva
ouvi chover
no meu dia
mais nublado
teve um sol
houve você!
no telhado
ouça a chuva
ouvi chover
no meu dia
mais nublado
teve um sol
houve você!
esperam muito de mim
esperam meus pés atados
esperam que eu seja o dia
me esperam na retina
e eu sempre querendo lá.
esperam que eu seja o dia
me esperam na retina
e eu sempre querendo lá.
Dos quereres
não quero o medo
que esfria
distancia
me traga alheia
antes,
quero a voz que me alivia
e a ela me assemelha
que esfria
distancia
me traga alheia
antes,
quero a voz que me alivia
e a ela me assemelha
O que será?
Resta hoje tudo.
É sempre um ponto de partida
quando amanheço
Pensando bem...
estou em estado de alerta
na estação, esperando um trem
Deixei em stand by
qualquer ruído presente.
E vão altos os ventos
adivinhar tua boca.
Se na minha vier,
serei eu tua busca.
É sempre um ponto de partida
quando amanheço
Pensando bem...
estou em estado de alerta
na estação, esperando um trem
Deixei em stand by
qualquer ruído presente.
E vão altos os ventos
adivinhar tua boca.
Se na minha vier,
serei eu tua busca.
sábado, 27 de setembro de 2008
Nem Joana, nem inocência D'arc
Nenhum grito pode ser manso:
eis porque me arrepio!
sem rios de pranto
amanheço inconsciente
levada à fogueira
por um homem "santo",
mas ainda respiro
cravejada de esmeraldas
verde, sua raiva
amargando sua lira,
desposando fel,
fez-me demônio
rosas vermelhas
pétalas áscuas
amantes sublunares
sentidos abastados
relações inventadas
dobro os joelhos
e oro em seu olhar inocente:
livre-se daquela que seus pés prendem
e antes de qualquer morte,
quebrem-se todos os espelhos.
eis porque me arrepio!
sem rios de pranto
amanheço inconsciente
levada à fogueira
por um homem "santo",
mas ainda respiro
cravejada de esmeraldas
verde, sua raiva
amargando sua lira,
desposando fel,
fez-me demônio
rosas vermelhas
pétalas áscuas
amantes sublunares
sentidos abastados
relações inventadas
dobro os joelhos
e oro em seu olhar inocente:
livre-se daquela que seus pés prendem
e antes de qualquer morte,
quebrem-se todos os espelhos.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
do outro lado
não deduzo o escuro
no fundo dos teus olhos
nem o sol
que os tornam dia,
imagino peixes
na calmaria dos teus lagos,
através do gelo
que não se quebra
no fundo dos teus olhos
nem o sol
que os tornam dia,
imagino peixes
na calmaria dos teus lagos,
através do gelo
que não se quebra
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Deixo a marca do estorvo
Na luz apagada
um rosto que acende
num silêncio contido
cortina arriada,
um corpo e um cigarro...
o mesmo céu,
bordado dourado
estrelas alheias
e tuas palavras
as tuas palavras
tuas palavras...
um rosto que acende
num silêncio contido
cortina arriada,
um corpo e um cigarro...
o mesmo céu,
bordado dourado
estrelas alheias
e tuas palavras
as tuas palavras
tuas palavras...
fim de tarde
Um dia sentei no teu colo
no meio da rua
fui mais nua
que a rua
e nunca mais te vi
nem nunca mais me despi
no meio da rua
fui mais nua
que a rua
e nunca mais te vi
nem nunca mais me despi
Do que julgava eterno...
Tenho tido sono
estranho!
vejo uma luz se apagando.
No dia seguinte li este texto..."Livro do Desassossego"
'Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuva contra um raio.
Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e de atos.
Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia.
Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge, então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objetos me pesam por a alma dentro.
A minha vida é como se me batessem com ela.' FP
estranho!
vejo uma luz se apagando.
No dia seguinte li este texto..."Livro do Desassossego"
'Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuva contra um raio.
Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e de atos.
Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia.
Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge, então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objetos me pesam por a alma dentro.
A minha vida é como se me batessem com ela.' FP
Enquanto silencio ( Rita Medusa e Ivone fs
Desafios desfiam
em línguas múltiplas
rompem os desfiladeiros
e percorrem os ares
fluxos em sintonias descabidas
musicais flores de núpcias
em pesadelos abruptos
roem-me
E eu,
só queria uma dança contigo.
em línguas múltiplas
rompem os desfiladeiros
e percorrem os ares
fluxos em sintonias descabidas
musicais flores de núpcias
em pesadelos abruptos
roem-me
E eu,
só queria uma dança contigo.
Ainda
Ainda
que houvesse
uma única razão
para dormir ao teu lado
entre estes trapos
que restaram
valeria!
não tivesse sabido
da tua tão pouca exigência...
no entanto, agora penso:
é hora de limpar estes cantos
abrir a janela e ver o sol
(a próxima atração é de quinta)
eu vou, você fica.
que houvesse
uma única razão
para dormir ao teu lado
entre estes trapos
que restaram
valeria!
não tivesse sabido
da tua tão pouca exigência...
no entanto, agora penso:
é hora de limpar estes cantos
abrir a janela e ver o sol
(a próxima atração é de quinta)
eu vou, você fica.
Um dia depois de antes
Acendo uma vela,
as paredes dançam,
na meia-luz,
as lembranças:
o trânsito escondeu-se todo
na ambulância do meu desespero
que rodou, rodou num viaduto
irresoluto e rezou luto
na veia,
glicose, dipirona e antis
na seringa cheia
nada,
nada de imediato se absorve
as paredes dançam,
na meia-luz,
as lembranças:
o trânsito escondeu-se todo
na ambulância do meu desespero
que rodou, rodou num viaduto
irresoluto e rezou luto
na veia,
glicose, dipirona e antis
na seringa cheia
nada,
nada de imediato se absorve
Senha
Sou teu pólo
oposto
te eriço
os pelos
pelas antenas
tremulo
te circundo
muda,
enlaço
dormes
no abraço
quase pedra...
liquefaço-me
empoço-me
em teus poros
vou
contamino
atuo
contradigo
antes,
a que te adora...
aturas!
teu destino
determino
rasgo tuas veias
abro tuas vias
pra te ver sangrar
e te quero
no transbordamento
do descontentamento
no ponto em que te tornas
divino!
oposto
te eriço
os pelos
pelas antenas
tremulo
te circundo
muda,
enlaço
dormes
no abraço
quase pedra...
liquefaço-me
empoço-me
em teus poros
vou
contamino
atuo
contradigo
antes,
a que te adora...
aturas!
teu destino
determino
rasgo tuas veias
abro tuas vias
pra te ver sangrar
e te quero
no transbordamento
do descontentamento
no ponto em que te tornas
divino!
Selvagem II
Selvagem II
tem noites tão nuas
que a cama se transporta
ao relento do branco
da lua
sinto-me há milhões de anos,
quando ainda vivia numa matilha
tem noites tão nuas
que a cama se transporta
ao relento do branco
da lua
sinto-me há milhões de anos,
quando ainda vivia numa matilha
Selvagem
Quanto da loba sou
quanto da noite,
claros olhos
estelar
o uivo,
quanto nu
quanto cio
faro, instinto
ancestral
fera.
quanto da noite,
claros olhos
estelar
o uivo,
quanto nu
quanto cio
faro, instinto
ancestral
fera.
Muito tarde para ficar
Agora que ficou tarde, meu banquinho esquecido, embaixo da quaresmeira
quase soterrado de capim, oferece-se a mim. Como último recurso, de um passo teimoso, que resistiu a entrega, aceito teu polido osso: fazemo-nos companhia pelas nossas durezas! Carrego nos olhos o peso do desdém, o peso das pálpebras molhadas, o peso de palavras inéditas, jarradas que queimam, nas horas alertas, pois há um ano não durmo. De junho a junho. O tempo me ruiu. Veja só, naquele banquinho, finalmente adormeço. Do alto me vejo.
quase soterrado de capim, oferece-se a mim. Como último recurso, de um passo teimoso, que resistiu a entrega, aceito teu polido osso: fazemo-nos companhia pelas nossas durezas! Carrego nos olhos o peso do desdém, o peso das pálpebras molhadas, o peso de palavras inéditas, jarradas que queimam, nas horas alertas, pois há um ano não durmo. De junho a junho. O tempo me ruiu. Veja só, naquele banquinho, finalmente adormeço. Do alto me vejo.
I miss you
Flagaram-me com minhas cinco asas,
enquanto sobrevoava as escadarias do sonho
cinco sentidos
Fui morta pelos mísseis (MBIC),
...logo eu, que desdenhei das pedras
quando voei.
enquanto sobrevoava as escadarias do sonho
cinco sentidos
Fui morta pelos mísseis (MBIC),
...logo eu, que desdenhei das pedras
quando voei.
f-r-a-g-m-e-n-t-o-s
fragmentos
Sou hoje
feito uma árvore de outono.
e ainda tenho o inverno inteiro pra atravessar
calma...calma... te acalma... alma!
"Sou hoje fragmentos do que já fui,
lapsos que insistem em permanecer,
que tratam de costurar, de tecer,
o fio que me faz ser quem sou,
que garante os fragmentos de amanhã,
pois o hoje já passou. "
Eros
Sou hoje
feito uma árvore de outono.
e ainda tenho o inverno inteiro pra atravessar
calma...calma... te acalma... alma!
"Sou hoje fragmentos do que já fui,
lapsos que insistem em permanecer,
que tratam de costurar, de tecer,
o fio que me faz ser quem sou,
que garante os fragmentos de amanhã,
pois o hoje já passou. "
Eros
Sábado
Não quero bom dia
nem beijo
só que me surpreenda,
ainda cedinho,
com café na cama
e pão de queijo.
Poema que fiz pra Muryel e Leo..meus amigos escritores mineirinhos. uai!
nem beijo
só que me surpreenda,
ainda cedinho,
com café na cama
e pão de queijo.
Poema que fiz pra Muryel e Leo..meus amigos escritores mineirinhos. uai!
Saudade de Fernando N.
hoje acordei pensando em Fernando. caminhar sobre sua pele e passear em todos seus encantos. É bem aí que se sonha! ainda ouço como pulsa..pulsa...pulsa... o sol oposto que o cobre de sombras e o mar que o circunda e o embalança. não há, em toda essa terra, nada igual a Fernando de Noronha!
Mucio
"é de deixar
qualquer um maluco
uma das belezas
do meu pernambuco"
Mucio
"é de deixar
qualquer um maluco
uma das belezas
do meu pernambuco"
Se restasse ainda uma fagulha que fosse
Peço calma
digo que passa
peço que não chore
e choro
peço que desfaça
e dói
deixo
não faço mais nada
é o que me resta
Comentário dp poeta Mucio:
"resta ser
ser esta"
digo que passa
peço que não chore
e choro
peço que desfaça
e dói
deixo
não faço mais nada
é o que me resta
Comentário dp poeta Mucio:
"resta ser
ser esta"
Ao longe
Dirá do dia
e do lugar
que era outro:
foi pouso durante
pouso de instante
presa de um tempo
que era pouco
e do lugar
que era outro:
foi pouso durante
pouso de instante
presa de um tempo
que era pouco
terça-feira, 2 de setembro de 2008
:
Eu sei que pelo vidro começa meu passo
por ele, olho lá fora:
se não for pensado é pelo ímpeto!
Tudo isso me compõe:
uma mão amputada
e a transparência ilusória
onde bato a cara
e quebro...quebro a resistência:
qualquer hora te surpreendo!
por ele, olho lá fora:
se não for pensado é pelo ímpeto!
Tudo isso me compõe:
uma mão amputada
e a transparência ilusória
onde bato a cara
e quebro...quebro a resistência:
qualquer hora te surpreendo!
Insuficiência
Não trago o dia
nem preencho a página...
...estes espaços brancos
é a pena de estar vazia
nem preencho a página...
...estes espaços brancos
é a pena de estar vazia
Óleo sobre Tela - natureza morta
Eu talvez te admirasse
antes do beijo misericordioso...
meu coração revolveu-se
ao toque dos teus lábios imundos
Agora fico entre a perplexidade do engano
e um bolo de chocolate amargo
Fiquei pasma de saber.
antes do beijo misericordioso...
meu coração revolveu-se
ao toque dos teus lábios imundos
Agora fico entre a perplexidade do engano
e um bolo de chocolate amargo
Fiquei pasma de saber.
sábado, 23 de agosto de 2008
Monólogo em questão
Não tenho o que quero. e o tenho em demasia.
Na Dúvida, me mantenho. Nesse Meio, me sustento.
Perco a Esperança no absurdo que me coloca aos Extremos,
É no Meio que me sustento.
Não um meio Equilíbrio. Mas um meio Indefinido
Onde restam Caminhos? Onde restam Sonhos.
Os extremos me matam. Onde estou.
Na Dúvida, me mantenho. Nesse Meio, me sustento.
Perco a Esperança no absurdo que me coloca aos Extremos,
É no Meio que me sustento.
Não um meio Equilíbrio. Mas um meio Indefinido
Onde restam Caminhos? Onde restam Sonhos.
Os extremos me matam. Onde estou.
Estrangeira
Sejas gradativo
nunca manso
talvez me alcance
onde espero
e isso não te conto:
lá,
eu também me desconheço
nunca manso
talvez me alcance
onde espero
e isso não te conto:
lá,
eu também me desconheço
domingo, 17 de agosto de 2008
Interstício
Tem sempre um desconhecido pálido em minha frente. Uma cisma, melhor dizendo, que na madrugada faz meus olhos incendiarem na escuridão perene de meu quarto quase adormecido. Um quarto móvel de hora flutuante, em que tateio o sono e prescindo um pensamento que imagino aprisionar e escapa...
Monólogo -
Eu canso as pessoas com meus dilemas.
Repito sempre as mesmas coisas. Falo muito e não ouço nada. Só quero que me escutem. Não admito que me dêem conselhos. Nunca permito que me dizem o que fazer. E essa gente sempre se intrometendo!!!
Finjo por uns dias ser uma presença agradável e elas acreditam em mim. Daí pioro.
Eu admito que não amo todo mundo. Tenho uma capacidade limitada pra amar.
Sou muito intolerante. Polipolar. Não me enquadro em quase nada.
Repito sempre as mesmas coisas. Falo muito e não ouço nada. Só quero que me escutem. Não admito que me dêem conselhos. Nunca permito que me dizem o que fazer. E essa gente sempre se intrometendo!!!
Finjo por uns dias ser uma presença agradável e elas acreditam em mim. Daí pioro.
Eu admito que não amo todo mundo. Tenho uma capacidade limitada pra amar.
Sou muito intolerante. Polipolar. Não me enquadro em quase nada.
Poema que Ruy fez pra mim
Um poema (respeitoso) para Ivone
Anoitece
Se for noite de sarau, verei Ivone
Ficarei insone
Depois dessa miragem
Me faltará coragem
Para dormir.
Ver Ivone é ir
Não sei para onde.
É tomar o bonde
De uma história antiga
De encarnação passada
Ver Ivone é tudo
Mas hoje é só vê-la
Agradar aos olhos,
Abraçar a moça
Entender a emoção
E conte-la.
Essa menina é isso
É o viço
A alegria do momento
O ungüento
Que remove dores
Relembra a história de amores
E passa solene
Passa intocável
como são intocáveis
Os anjos que conheci.
Vai, menina
Cuida bem de tí.
* poema q Ruy fez pra mim
Anoitece
Se for noite de sarau, verei Ivone
Ficarei insone
Depois dessa miragem
Me faltará coragem
Para dormir.
Ver Ivone é ir
Não sei para onde.
É tomar o bonde
De uma história antiga
De encarnação passada
Ver Ivone é tudo
Mas hoje é só vê-la
Agradar aos olhos,
Abraçar a moça
Entender a emoção
E conte-la.
Essa menina é isso
É o viço
A alegria do momento
O ungüento
Que remove dores
Relembra a história de amores
E passa solene
Passa intocável
como são intocáveis
Os anjos que conheci.
Vai, menina
Cuida bem de tí.
* poema q Ruy fez pra mim
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Sobreposição dos desejos
Procuro os contornos
em que não foco
saio da linha
mas mordo sempre o centro
estou agora à sombra das palavras:
não quero frases, porque o frio me deixou estática
"a vida corre, não tem memória, ele diz" ela diz
repouse
na foto, a pose
onde entalhou a lembrança
que jaz
imutável
na arte móvel.
em que não foco
saio da linha
mas mordo sempre o centro
estou agora à sombra das palavras:
não quero frases, porque o frio me deixou estática
"a vida corre, não tem memória, ele diz" ela diz
repouse
na foto, a pose
onde entalhou a lembrança
que jaz
imutável
na arte móvel.
Um arrepio com razão
Há tantos dias
me chama...
Que há em mim?
velando as horas
contando os passos
assim
sem tropeços
desejo expresso
um café
um cinema
um passeio na Paulista
um sorvete de pistache
será?
você diz que à noite tem extras
e posso pedir
mais
e mais
e mais...
me chama...
Que há em mim?
velando as horas
contando os passos
assim
sem tropeços
desejo expresso
um café
um cinema
um passeio na Paulista
um sorvete de pistache
será?
você diz que à noite tem extras
e posso pedir
mais
e mais
e mais...
Pela janela do quarto
Se fosse perder o sentido
e mergulhar na chuva da manhã,
nesta densa fumaça,
das nuvens parida,
nesta paisagem ambígua
montes Fugis
longínquos e agudos
efervescentes e gélidos
seria depois...
antes,
quebraria todos os muros
edificados entre nós
antes,
espalharia ao mundo tuas letras
e antes ainda, seria absolvida,
pelo amor que me levou
e mergulhar na chuva da manhã,
nesta densa fumaça,
das nuvens parida,
nesta paisagem ambígua
montes Fugis
longínquos e agudos
efervescentes e gélidos
seria depois...
antes,
quebraria todos os muros
edificados entre nós
antes,
espalharia ao mundo tuas letras
e antes ainda, seria absolvida,
pelo amor que me levou
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Intenções
Se me encontro
naquela hora
da qual nunca saí,
se o meu íntimo
agora só a tua mão
pode abrir,
se minha boca
fechada e surda,
que ao teu falo se abre,
engole amor e lágrima
em cascata, os poemas
ora de certeza
ora indecisão
nesta imensidão que sou
ora molhada
noutra vazia
é porque
sei que te levo rasante
e é sempre bom, mas
sei que te viras de costas
e caminhas em opostos
sei que me riscas
das tuas listas
que resistes
e não bebes
nem me provas. me prova?
sei,
virás ainda,
no rumor das folhas
embriagadas
dos papéis amassados
com letras coloridas
num beijo que sela
as intenções escondidas
nas sutilezas, pois também sabes
que é sempre bom!
naquela hora
da qual nunca saí,
se o meu íntimo
agora só a tua mão
pode abrir,
se minha boca
fechada e surda,
que ao teu falo se abre,
engole amor e lágrima
em cascata, os poemas
ora de certeza
ora indecisão
nesta imensidão que sou
ora molhada
noutra vazia
é porque
sei que te levo rasante
e é sempre bom, mas
sei que te viras de costas
e caminhas em opostos
sei que me riscas
das tuas listas
que resistes
e não bebes
nem me provas. me prova?
sei,
virás ainda,
no rumor das folhas
embriagadas
dos papéis amassados
com letras coloridas
num beijo que sela
as intenções escondidas
nas sutilezas, pois também sabes
que é sempre bom!
Alucinações antes do aniversário
O inquieto inseto que me habita
revoa recônditos desejos, permeia
as pupilas azuis de um sonho estúpido
Acena, alucinante, às horas expostas
num torvelinho, que chicoteia o chão,
e fere-se aos golpes do tufão faminto
Na rua devastada, a híbrida lua
transpira caldos febris
sobre suas asas transparentes
infecta serviente
que nem guarda
nem anjo
impregnando seus cômodos
cerrados em seu odor imóvel
Larva lacerada,
recolhe as gotas
alimenta sua sórdida
melodia
adorna a monotonia
cravada de húmus e fezes
Os anéis de luz,
nos cantos do teto, ziguizagueiam
em propícios feixes ao anúncio íntimo
dos primeiros acordes:
Salva em mim as notas secretas de meu canto.
revoa recônditos desejos, permeia
as pupilas azuis de um sonho estúpido
Acena, alucinante, às horas expostas
num torvelinho, que chicoteia o chão,
e fere-se aos golpes do tufão faminto
Na rua devastada, a híbrida lua
transpira caldos febris
sobre suas asas transparentes
infecta serviente
que nem guarda
nem anjo
impregnando seus cômodos
cerrados em seu odor imóvel
Larva lacerada,
recolhe as gotas
alimenta sua sórdida
melodia
adorna a monotonia
cravada de húmus e fezes
Os anéis de luz,
nos cantos do teto, ziguizagueiam
em propícios feixes ao anúncio íntimo
dos primeiros acordes:
Salva em mim as notas secretas de meu canto.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Agora sim, desligue o telefone e estacione
É da banda homérica
desenho retraçado
pronto
um confronto
Uma epopéia, arreia
no ponto de ebulição
do encanto x desencanto
encontro x desencontro
na medida que passa
e passa...
A medida elástica
laceou
Mas antes, peço desculpas pelo todo incômodo
Pois agora, o que era de graça
tornou-se inalcançável,
e pede, se te quero!
- Qual a palavra necessária
para um fim sem hinos?
Phoda-se.
desenho retraçado
pronto
um confronto
Uma epopéia, arreia
no ponto de ebulição
do encanto x desencanto
encontro x desencontro
na medida que passa
e passa...
A medida elástica
laceou
Mas antes, peço desculpas pelo todo incômodo
Pois agora, o que era de graça
tornou-se inalcançável,
e pede, se te quero!
- Qual a palavra necessária
para um fim sem hinos?
Phoda-se.
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