segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

26/02/2012

veja só:
tudo se esgota
a melodia blues que me faz rir (ou chorar)
se esgota
o assunto polêmico se esgota
veja só
o jogo de futebol se esgota
as tentativas de mostrar-me ou esconder-me se esgotam
o dia voa e nem terminei de arrumar a casa
o dia se esgota
o conto se esgota
a poesia se esgota
substitutivos passageiros do seu lugar

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

22/02/2012 - Santos

porque uma hora a água que misturada à areia permite que esta repouse e isso me parece bom para ambas. (Ivone fs)

20/02/2012 - Santos

às vezes o amor passa por você e vai embora
o amor não tem parada
é como água, como vento
é um andarilho
o amor sempre procura a entrada e sempre sabe a saída
o amor é senhor de si
eu já entendi (Ivone fs)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

15/02/2012

a mesma pessoa que é chamada de um presente de Deus na vida de alguém pode também ser chamada de um demônio na vida de outra.

13/02/2012

os movimentos todos
é um terremoto
sobre o qual eu custo um eixo
se antes de longe assistia
se hoje interno
cada vez mais
mais clara a impossibilidade
de ser a escolha
o solo onde danço
só ensaio

(Ivone fs)

12/02/2012

o dinheiro não é o mal dos homens. o dinheiro além do necessário também proporciona o deleite dos supérfluos. o dinheiro maquia as imperfeições. o dinheiro acelera o amanhã. o dinheiro encurta os caminhos. o dinheiro sugere as armadilhas do gosto. o dinheiro retarda o envelhecimento. o dinheiro é irmão da estética. o dinheiro ignora todo lixo. o dinheiro ordena. o dinheiro, enfim, me faria ficar ...aqui dias e dias discorrendo sobre todas as suas possibilidades, mas o que quero dizer não é isso. eu quero dizer que o dinheiro é uma infinidade de coisas boas sim. o único problema do dinheiro é o homem que não sabe mantê-lo no seu lugar. o homem o coloca acima dele. o homem não tem dúvida sobre o valor do dinheiro. o problema não é do dinheiro. o mal não é o dinheiro. o homem não consegue amar mais a ele mesmo do que ama o dinheiro. esse é o maior motivo de seu vazio. o homem não é livre para amar. o homem vive nas grades do dinheiro e se arrasta pelas suas mãos. o homem finge que é agradável porque espera o dinheiro. o homem se interessa por aquilo que lhe promete dinheiro. o homem não sabe amar. o homem só pensa no dinheiro. o homem finge que ama. a consequência podia virar dinheiro. a consequência do amor. mas a consequência do dinheiro é a que fica: o vazio (Ivone fs)

11/02/2012

e se não houvessem partidos políticos? e se votásssemos em candidados que não foram pré escolhidos pelos coronéis dos partidos? vivemos mesmo numa democracia?
 
 eu quero poder votar no Paulo de Tharso para Presidente. No Grima Grimaldi para Senador, no Marcelo Mirisola para Deputado Federal, Na Lu Duarte para vereadora... eu quero ser livre para votar
 
 eu não quero votar no candidato que eles escolhem. cada partido escolhe um candidato para Prefeito, um p/ Governador e um Presidente. nós não escolhemos. nós apenas validamos a escolha deles.
 
 

08/02/2012

não se espera dignidade dos fudidos mas é diante deles que os hipócritas se vangloriam. ambos têm ciência disso. (Ivone fs)

05/02/2012

cinco minutos de atenção. ainda penso que aquele rivotril que abandonei me daria um dia melhor. neutralidade. a água parada na superfície. o cuidado de reparar no descompasso do teto tão branco que hipnotiza. vertigem. um passo custa. eles se afligem. os outros. eles lamentam pela mulher amada que foi embora e elas tinham o sorriso mais lindo do mundo. eles gesticulam. eles pedem socorro. eu não tenho pena. estou neutra demais. ele me disse que antes eu era mais criativa. eu respondi que antes eu era mais muitas outras coisas. eu não tenho pena de mim. uma hora, talvez, renasça aquele gosto de ilusão. aquele gosto que faz você passar o dia se cuidando, que faz você perder a respiração, aquele gosto de ansiedade que faz você derrubar as coisas da mão, que te atropela. chorar é para os aflitos. os neutros não se importam se hoje vai chover. se a estação é primavera. se hoje à noite a lua virá cheia. os neutros adormecem. acordam. e só as vezes suspiram, quando alguém inesperadamente lhe chamam. mas isso é tão específico. (Ivone fs)

01/02/2012

nós, os desajustados, almejamos cada vez mais a liberdade, pois sabemos o quanto os normais não nos suportam e seria correto dizer que também não os suportamos (Ivone fs)

28/01/2012

Não te peço que me encantes
mas eu queria!

(ivone fs)

28/01/2012

o controle prova da sua fragilidade quando inverte sua condição
as mãos e os resquícios daquilo que uiva quando era indesejável o ruído
a punição. autoflajelo. a dor espalhada sufocando o ato incontido. os cortes não cortam a dor. o dia amanhece. a noite virá socorrê-lo. sempre vem. (Ivone fs)

28/01/2012

e se eu não souber de nada
das coisas que sei
resta o sonho (Ivone fs)

26/01/2012

você está feliz?
então está onde gostaria
como gostaria
com quem gostaria
só os determinados chegam lá
tão iludidos que acreditam
ser lá o paraíso
se assim vissem
com meus olhos desiludidos
olhassem bem
seriam só
despidos
voltando para casa
deixando para traz todo dia
morrendo e nascendo
às vezes
num lapso
beijar o mar
suavemente o sal
um gosto de vida
a verdade é uma palavra que depende de crença
e nem todos acreditam
em tuas
palavras
é doce a sinfonia de não se importar

(Ivone fs)

26/01/2012

sonhei que toda gente parava
e lia encantanda
do canteiro central
na fachada de uma construção
numa avenida de São Paulo
- acho que era Jabaquara -
poemas de Hilda Hist
e alguém perguntava:
" será que estão nos livros"
outro respondia
"acho que esses não"
e o poema falava da boca de uma mulher que estava cheia de formigas...

ah!
e esses nem eram versos de Hilda Hilst
é a imensidão dos sonhos
onde contêm
o que na vida real não existe.

(Ivone fs)

25/01/2012

o mesmo cara que um dia me chamou de "babacona", (meu post de 19/01) me enviou a seguinte mensagem no celular, ontem à noite às 23:51 :

"Ivone: Estou aqui com a minha namorada e não estamos entendendo o motivo da sua ligação. de qualquer forma, POR FAVOR, não nos importune mais! De: (...)."

Acontece que meu celular que, obviamente, ele mantém em sua agenda é pré-pago, está sem crédito há mais de 3 meses e apenas recebe ligações. estou usando um outro de outra operadora faz tempo e mantenho esse por ser número antigo e etc.

as pessoas manipulam coisas (?). talvez nem seja ele o responsável pela infantilidade, mas alguém insegura, maldosa e sem escrúpulos assinando por ele, com o aval dele, talvez, pois ninguém usaria um objeto meu, sem que eu soubesse, como cúmplice (?) ou então o caso é mais grave. ou , talvez, seja ele sim. lamentável, de qualquer jeito.

"não nos importune mais" é, realmente, mais lamentável ainda. talvez fosse esse seus desejos. vai saber. há pessoas que para se valorizarem precisam, no mínimo, se enganar tentando nos igualar a elas? vai saber... não, meu bem, eu jamais cometi qualquer ato em relação a vocês a não ser este agora.

22/01/2012

vãos de toda coisa

todo esforço é inútil. as declarações a hora marcada as promessas é inútil. despertar é inútil. calar é inútil. o jogo é um prolongamento do inútil. a pausa é inútil. telefonar é inútil. vinte e um anos é inútil. um dia é inútil. a dor é inútil. esperança é inútil. vomitar é inútil.
escrever é a única coisa que parece útil hoje.

1/01/2012

um dia um cara me chamou de "babacona" porque ele estava fazendo um jogo duplo e eu contei para garota e porque o jogo duplo era comigo. ele não era aquele cara tão religioso tão bom moço tão romântico e sincero e sofredor como gostava de reproduzir. ou até era tudo isso. ou até é tudo isso. não o foi comigo. podia ter sido um rompante momentâneo de ira por parte dele, mas eu sei quando o cerne é tocado. eu consegui provocar a ira do bom moço . eu sou muito discreta, mas algumas coisas eu nunca deixo pra lá. eu sofria de uma terrível enxaqueca e chorava muito no escuro, há muito tempo atrás e pensava que não era preciso fazer nada quando algo incomodava. o universo cuidaria disso. e cuida. já tive provas e provas disso. mas o problema era a enxaqueca. estava agora pouco lendo um texto de um amigo querido (o Cassiano Antico) e fiquei pensando em como as pessoas entram em nossas vidas e de como as identificamos e tudo o que vem junto. eu fiz muito bem a ele e pouco importa se ele percebe ou não. eu sei que fiz. não pelo que tivemos mas pelo que resultou. à vezes para você chegar a algum lugar é preciso enfrentar alguma esfinge. acho muito louca a forma como tudo isso acontece. os traços de nossas vidas e como diz o (Mario Bortolotto): está tudo certo e eu não imaginava que fosse ser diferente disso. (Ivone fs)

15/02/2012

minha visão é distorcida. tenho pensado nisso. uma garota me diz ontem num bar, enquanto falávamos de arte e sucesso, que para ela é muito claro que só os bem sucedidos financeiramente são os reais fodões, que é muito simples sacar isso: se o cara ganhou dinheiro com o que faz, então ele é o cara, senão não passa de um fudido, semelhante a um mendigo. algumas pessoas sabem bem distinguir as coisas. outro dia uma outra mulher me disse que só consegue se apaixonar se o cara tiver grana. ontem, depois da conversa com a garota, quando fui validar minha comanda para ir embora do um bar, brinquei com um amigo: "paga a minha conta?" ele entrou em pânico momentâneo. daí eu disse "seu bobo, eu não devo nada nessa comanda, já paguei a outra e fiz uma nova para voltar e ouvir uma música" e daí ele riu e disse "não deve nada? como você é barata, meu filho devia casar com você" e acrescentou "claro que se você precisasse eu ia pagar sim sua conta". ele não sabe, talvez, que caro é justamente o que não tem preço. as pessoas estão formatadas ou é impressão minha? com o enorme apelo religioso que inunda o país e tantos professores na TV dando aulas de bom comportamento de saúde e bem estar o que pressinto é um vazio. um grande vazio e bocas e corpos se movendo em torno de suas armadilhas. a respiração está cada vez mais acelerada. para onde querem todos ir??
(Ivone fs)

15/01/2012

"Na minha gaveta de remédios
os insetos de inverno
morreram de velhice" Jack Kerouac

14/01/2012

o Mário Bortolotto escreve umas coisas que me deixam com uma sensação de que sob o manto da existência ( enquanto ouço, agora, um blues dos Bêbados Habilidosos) existe um Deus inquieto assistindo tudo assentindo tudo e ele, o Deus, diz amém enquanto ele aqui cumpre cada centímetro como se um fiel filho da transcrição sagrada da vida fosse, não num papel, mas num destino incorruptível com sua verdade. impossível ficar imune e nem desejo a impunidade de seus textos.

12/01/2012

hoje estou delicada
quero dizer, sensível
quero dizer, desacelerada

era bom ficar sentada olhando o mar
mas sem falar (o mar anda tão longe daqui)

é isso: hoje queria muito ficar quieta e ir fazendo as coisas (só as que eu quero) sem nenhuma interferência, sem pressa e em completo silêncio

há dias que são insuportáveis os barulhos paralelos

22/12/2012

você não é nada porque existem os outros.

15/12/2011

enho meus péssimos hábitos e um pedido importante: não tente me mudar com esse seu padrãozinho.

10/12/2011

eu tinha uma enorme inclinação para com o silêncio. sonhava com conventos ou quartos em hotéizinhos no exterior. para ser bem exata eu sonhava morar em Praga. não conhecer ninguém. não falar com ninguém. sempre me senti ameaçada. eu queria me esconder. nunca fui a menina escolhida dos caras que eu era a fim. eu não deixava. eu sempre conseguia fazê-los mudar de idéia. eles sempre acreditaram em mim. (acho que isso acontece até hoje. sem dúvida, acontece). e depois de mim eles encontravam o grande amor da suas vidas e iam viver felizes para sempre. daí minha crença de que dou muita sorte para quem cruza meu caminho.

10/12/2012

Eu queria encontrar Kerouac

09/12/2011

o resumo de tudo= não cabe em nenhuma página
o dito é a afirmação do que passou
o seguinte é a incógnita
a vida é uma incógnita
tudo que sei é uma interrogação
tudo que sinto é uma suposição
tudo que quero não depende de mim somente
consumação é a vida já vivida
eu quero ver o que tem do outro lado do muro
de você? se puder me pegue no colo
mas cuidado! posso ficar mais alta e ver o que você não consegue. a menos que suba comigo. para isso? a mesma vontade.

07/12/2011

se possível fosse, se adivinhassem, compreenderiam os instantes de extrema delicadeza. calariam a boca, os invasores. nem sempre estamos à disposição da histeria, dos ditares de regras, dos insatisfeitos, dos complexados, das pequenas autoridades. nem sempre os ignoramos e é exatamente nestes instantes que os quero calados. fora desse tempo não me incomodam, pois não me atingem e até encaro uma discussão. (Ivone fs)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

nem por isso escapa

se ao menos fosse um rastro
não só aquele vulto disforme à distância
deslize de pensamentos tateando o obscuro

se ao menos fosse apreendida
ao sabor do alto teor de tua bebida
no arrepio do gelo da tua angústia

se ao menos no escuro do quarto
no múrmurio da insonia
com Shakespeare Blake Kerouac

alguma dúvida existisse
essas letras teu guia
esse tempo todo entre páginas e capas

tuas trilhas sonoras

render-se custa tão caro
se fosse afora

quão longe está nosso tempo
tão severo o sal que corta a pele

tão delicada a esperança
a secar-se ao sol
a carne crua assente a dureza

assim o desconhecido
a imagem
a cria
e teu sorriso doce
e outros tantos outros

04/12/2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

02/12/2011 de madrugada

quem dera reproduzir os dizeres dos poetas
palavras ditas
benditas
um ópium que me escapa horas depois de ouví-las
- nunca fui boa de memória -
colho-as
ou elas a mim
em algum lugar, o enxerto
estou grávida
e a palavra protegida como um deus

30/11/2011

quero a honesta incontrolável desafiante agonia
quero a autonomia
quero pagar o preço
quero a liberdade
quero o amor pelo respeito
quero ser Antígona

30/11/2011

ansiedade




então eu me contorcia mais uma vez e parava o carro na guia, jurando, antes de ligar o cd player numa fm que teria a resposta numa música e fosse ela qual fosse assim seria, como último recurso. profetizado e fim. irritante. as fms não tocam mais músicas respostas. então eu cedia. convidava-a, a ficar à vontade, olhando-a em seu cerne. já não era eu.

28/11/2011

passa


sempre passa
- mas a travessia
a luz era forte demais
o vazio era profundo demais
passa
sempre passa

28/11/2011

as pessoas não amam ninguém

a não ser o conforto que lhes é proporcionado
estou farta de ver esse tipo de amor
e ainda tem aquele papo de "amor verdadeiro"
fico pensando qual seria o amor falso

25/11/2011

havia naquela rua, ecos. não se mata as ilusões. flashes. um deslumbramento visível. o êxtase é um estágio cego inviolável impenetrável. a própria verdade. eis, pois. é em si o todo. mudo a página. assim como deixar o cansaço, após horas no banho, ralo a dentro. fashes. conto os passos como se fossem dias. passam. há, afinal, o topo da montanha! flashes. eu moro no caos. há mais nos acontecimentos.


eu diria tudo agora e digo sem pronunciar uma só palavra. seres estranhos os humanos. a lógica das histórias vistas à distância. a poucos nos rendemos. meu tempo está quase todo tomado por afazeres que me imobilizam. eu preciso do ar dessa rua e do seu silêncio na madrugada.

23.11.2011


Talvez eu sempre estivera presa e as paredes me desafiando. é espessa a parede. disso nunca duvidei. é espessa e dela nem mesmo o pó muitas vezes consigo tirar. marcas de mãos. marcas do tempo. marcas da prisão. eu fazia minhas danças e abençoava o assoalho pelo dia de amanhã. tudo mais espesso. marcas de meus pés. idas e voltas. sozinha em algum lugar perdida. fugindo o tempo todo. e fingindo.... tão bem. grande talento. pequena pobre burguesa. autosustentada. um orgullho só. severidade roendo os ossos das sobras. aos montes. não junta os cacos. dispõe-os. dorme sobre eles. desafia os olhos que nunca enxergam suas cicatrizes. veste-se de sol. engana tão bem. a mim não. nunca me engano. finjo. nunca me engano

terça-feira, 22 de novembro de 2011

21/11/2011

Eu sei bem onde minha alma descansa (não acredito que escrevi "minha alma"!)

sei onde meu corpo goza
sei do que me causa repugnância
sei do que me decepciona
sei do exato momento em que encerro
por isso gosto das florestas sem caminho
das descobertas inéditas
do delírio que impede o controle
nego veementemente os modelos
ultrapassados românticos
mulherzinhas submissas
cúmplices
nego o mofo dos colchões
as porras descritas em versos no dia seguinte
lixo
cópias de telenovelas brasileiras
alguém tire minha pele
me beije com teu avesso
estou sangrando
fissuras de minhas unhas
a vida deve ser muito mais do que sempre vi. (Ivone fs)
eu não sei dançar e danço

não sei escrever e escrevo
não sei cuidar de uma casa e cuido (do meu jeito precário, claro)
não sei cozinhar sem queimar, quase que diariamente, o alho do arroz
e cozinho quase todo dia
tem tanta coisa que faço e que não sei fazer
em compensação sei fazer a mão, o pé e até corto meu cabelo: detesto ir ao cabelereiro, manicure e essas coisas que fazem a gente perder horas e horas...
Comecei a ler Charque do Marcelo Mirisola. faz dias que comprei e no dia, como estava dirigindo, pedi pro Lu, meu filho, que estava comigo para ler o prefácio, a introdução, o que estivesse antes do primeiro capítulo, em voz alta: "Uma minibiografia, Ricardo? Mas eu já escrevi O azul do filho morto. Vou me repetir. Tenho preguiça. (...) e daí o livro criou vida e foi pra alguns lugares comigo, ma...s só hoje comecei a ler:


"- Tinha doze anos quando queimou suas poesias pela primeira vez."

isso me inspira. queimar poesia é algo fascinante. eu já propus isso numa aula de literatura lá na USP, quando o mestre Willer pediu que sugerísssemos algo inteligente...rsrs... - vamos rasgar esses livros todos e jogar pela janela e por fogo, mestre!!! ...rsrsrs essa é outra história

a segunda intenção e o boicote à algumas coisas são sempre premeditados, embora aconteça como se não tívessemos nada a ver com isso. duas horas de caminhada no clube perto de casa logo de manhã, depois de deixar o Lu na escola, era a intenção, mas o livro foi junto: duas horas no estacionamento lendo o livro do Mirisola e nada de caminhada....  (17/1/2011)

Eu gosto da expressão "às vezes" e sempre que quero escrever alguma coisa, assim, de repente, me vem : às vezes. então, às vezes os olhos encontram um branco breu. assim, às vezes, caio num ponto, que não é encruzilhada e nem tem definição e nem pretensão alguma. às vezes, sempre caio nesse mesmo ponto que nunca sei definir se é um início ou um fim. às vezes percebo o quanto falo sozinha. às vezes... eu sei o quanto é cair em si e sei que cair em si não quer dizer nada. pode ser qualquer coisa. às vezes é só mais um momento de pura distração. às vezes não tem fim. à vezes eu penso tanto que não consigo dizer nada. como agora. e quero excrever muito mais. às vezes nada basta e reticências é coisa de mal gosto, assim disse meu mestre de literatura. mas cadê mais espaço? (Ivone fs)
o amor que a gente tem procura pouso, o meu desassossego

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

uma noite rende o encontro dos pontos cardiais

um coração pulando listras de pedestres na Consolação
vencer cada centímetro em passos ansiosos
a mente e as pedrinhas do asfalto
um desafio ao controle do tempo
a pressa em pular os estágios
e não perder a hora de perder-se.
o homem é bom

o homem não é bom
o homem finge que é bom
o homem quer impressionar a si mesmo
o homem precisa enganar a si mesmo
quer fazer o bem: por ele mesmo
o homem quer salvar-se
o homem precisa se convencer que é bom
o homem acredita que é bom

até descobrir que ele é homem
Dizem que Deus é grande, mas acho que Ele não dá a mínima para isso.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

pelos dias que se seguem

ainda sou sábado
ainda não saí do teu colo
ainda não durmi o suficiente para pensar em outra coisa
e já folhei tantos livros e não li nenhuma página:
estão todas iguais
a mesma grafia
a mesma velocidade
ainda parada ali
matizes enevoadas
marginais
flores de São Paulo
estação primavera
teu gesto em peito
escrevo

teu nome



(Ivone fs)
há quem imagina um poema como algo concreto

e é. e não é.
é um momento eterno
o canto:

aconchego e apelo
ver-se por dentro afora é um imenso aperto
Não torçam por mim, apiedando-se. isso me torna obrigada. eu só quero ser o que sou com o que tenho e com o que não tenho, com o que posso, com o que não posso. é constrangedor não ser o que gostariam que eu fosse. não ter o que gostariam que eu tivesse. é constrangedora não a situação, mas a cobrança. me queiram antes de tudo isso, me amem antes das coisas. ou simplesmente não se importem. cada um com sua cruz, suas plumas, suas delícias, seus delírios, suas prisões, suas saídas
hei de compreender a lógica das explicações e elas me silenciam. é preciso um pouco de ilusão. um fio ao menos. minhas letras catatônicas.
quando o dia amanhece e tem névoa meu espírito delira...em êxtase... acho que sou meio vampira
eu gostava mesmo é quando ele me olhava sem jeito e perguntava: o que foi?
eu podia escrever "tristeza" ou "necessidade" ou "vontade"

podia escrever todas essas coisas que escrevem sobre amor ou sobre saudade ou sobre tesão. podia ser bem piegas e escrever os grandes chavões que tanto repetem e os leitores se deliciam. o ser humano é mesmo carnívoro. eu podia descrever cenas almejadas e relembrar algumas.,eu quero escrever que só quero você. as outras coisas não me interessam nem um pouco.

mudança das cores.

embora eu queira azuis cintilantes e todos os equivalentes
nem sempre meus olhos suportam atravessar a chuva e atingir o céu.
quando eu te disser todas as coisas sinceras e tocar o teu medo de perder todas as mulheres de teus sonhos, ao meu amor convulsivo falará o tempo.
a aparência de algumas coisas cativam aos tolos que se dão por satisfeitos e saem em defesa daqueles que doam seu capital mas sugerem qual é a linha do trem onde os maquinistas adestrados empenham-se ao máximo em ser solidários ao que for conveniente ... e os convidados aos banquetes serão sempre os cordeirinhos fiéis. cultura formatada.
havia um mapa na parede. os mapas sempre me atraem. era de São Paulo e Grande São Paulo. procurei um bairro um tanto distante e depois o meu, tentei calcular a distância. lembrei de pessoas. Morumbi, Centro, Perdizes, Jaçanã, Guaianazes, Santana, Parelheiros, Jardim Angela, São Bernardo do Campo, Lapa, Brás... eu tive que pedir desculpas. me desliguei totalmente do assunto da reunião e foi preciso que repetissem tudo...
e não eram as palavras presas

era ela
a presa
como quem leva um susto e paralisa
minha paciência é medida no estreito dos trilhos. piso as pedras ou vou pela linha metálica? um contraste rude. uma lisura inerte. um passeio por cima do viaduto. habitações e janelas. alguma pergunta?

terça-feira, 10 de maio de 2011

do Marsicano (do facebook) Efedrina? rs

Pela noite
energia eletrica
no ar

THANKS ROMAN EMPRESS!!!!




TICK NERVOOOOOOOOOOOOOSOOOOOOOOOO
A CHIBATA
DE DONA IVONE
DA TK
NERVOOOOSOQUERO SER SEU
MORDOMPO-ROBOT
OSHO
QUE
APANAAAAAAAAAAAAAHA
DE CHICOTE`PRATEADO!!!!!!!
LAMMMMBE-SOLAAAAAS DE
PLATAFORMAS ALTÍÍÍSSSSIMAS
DVD YOUTUBE
TOCAR SITAR
SO PRA SENHORA
DE
UNIFORME
DE
MORDOMO
COMPRADO NA
DASLU
E OLHAAAAAAAAAAAAAAAAAR FIXO
SARI & PLATAFOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORMASSSSSSSSSS
ALLLLLLLLLLLLLLTOIIIIIIIIIASSSSIMASSSSSSS
PARA
TUAS
PLATAFOOOOORMAS
DE VERNIZ
(OLHA FIXO
PRAS SOLAS E COURO)
E PRA TEU
CHICOOOOOTE
NEURÓÓÓTIKO
DE COOOOOOOOOOOOOOOOURO!!!!!!!!!!
ALBERT
O MORDOMO
"CULT"

THANKS LADY

Es a vera Beat
Es a vera Beat
Num barzinho pegar um guardanapo e na frente de todos ENGRAXAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRR tuas PLATAFUOOORNASSSSS!!!!!!!!!!!!!!!!!

descrição:PARA OS FANÁTICOS E ADMIRADORES
DA GURU-POETISA
MESTRA ABSOLUTA
ILUMINADA!!!!!!!!!!!!!!
ENGRAXAAAAAAAAAR
AS PLATAFORMAS
ALTIIIIIIISSIMAS
DA MESTRA ATÉ VIRAR
ESPELHO
SENÃO
CHIBAAAAATA
DE
COUUUUURO!!!!!

 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

a fantasia é uma cortina de fumaça:
está tudo ali,
mas antes, esta está

sábado, 9 de abril de 2011

Ensaio

não esperes de mim pouco sentimento

meia dúzia de palavras meio pronunciadas
meu olhar espreitando o teu

não esperes que a chuva me detenha
que no meio de todas as contradições e todos os contras
sinais fechados placas de proibido
que seja coagida

não esperes de mim o medo
não esperes que te escutes se assim imposição ser
não alegues desculpas esfarrapadas
não substimes teu poder de persuasão

o círculo é um sinal desenhado na imaginação
é por isso que não pulo
e simplesmente saio...


(Ivone fs)
sou impulsiva sim! e não tolero lerolero

então, ou me ama ou me deixa
meio termo é o ringue. sacou?
é certo que nunca serei a mesma

para me conhecer é agora
de hoje para amanhã
habitar o mundo

e me habita o mundo
empate invasivo

novedeabrildedoismileonze

é doce o sal..

sexta-feira, 8 de abril de 2011

nuances & algemas

Que provas me darás, meu bem?

se foi morte
se foi vida?
se maior é a alma
maior o buraco
se te alegras
eu me espanto
na tua embriaguez
eu danço


(Ivone fs)



.

sexta-feira, 11 de março de 2011

eu não posso te perder
e eu não acredito em tudo que me dizem só para que eu te esqueça
eu sempre me pergunto: do que é que querem me salvar e porque?
acaso sabem que quero morrer?! é morrendo que vivo intensamente..

o que existe de fato é o que existiu
como um retrato, uma pintura
partitura da música que aqui dentro circula...

repetir um ato? isso é memória...



(Ivone fs)

domingo, 6 de março de 2011

eu tenho tanto a dizer
(para ninguém)
de vez desatravancar esse amontoado de palavras mal acomodas

dizer é um jeito de silenciar...
fica agora esse gosto de tanta coisa misturada: é parecido com aquela experiência que a gente faz na escola quando é criança...um círculo de cores que quando gira rápido fica todo branco...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Não sei o que há...mas isso ocorre muito..muito comigo...
desde ontem à noite uns versos de Ana Cristina Cesar em minha cabeça...
eis que os encontro e me espanto!
o título do poema...o título do poema, será este mesmo? sim . é.

"21 de fevereiro" e hoje é 21 de fevereiro...



Os versos em minha cabeça: "Fica boazinha, dor..."


Eis o poema:


‎21 de fevereiro

Não quero mais a fúria da verdade. Entro na sapataria popular.
Chove por detrás. Gatos amarelos circulando no fundo.
Abomino Baudelaire querido, mas procuro na vitrina um
modelo brutal. Fica boazinha, dor; sábia como deve ser, não tão
generosa, não. Recebe o afeto que se encerra no meu peito. Me
calço decidida onde os gatos fazem que me amam, juvenis,
reais. Antes eu era 36, gata borralheira, pé ante pé, pequeno
polegar, pagar na caixa, receber na frente. Minha dor. Me dá a
mão. Vem por aqui, longe deles. Escuta, querida, escuta. A
marcha desta noite. Se debruça sobre os anos neste pulso. Belo
belo. Tenho tudo que fere. As alemãs marchando que nem
homem. As cenas mais belas do romance o autor não soube
comentar. Não me deixa agora, fera.



Ana Cristina Cesar

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"Para ser grande, sê inteiro"

você tira a roupa

mas ele é homem
você não tem um nome
vomita em seguida
perca a memória
vai
com seus pensamentos
se morta essa parte aos olhos alheios
acompanha nos compassos de cada segundo
sua sombra pesada
a parte latente
o choque entorpecente
se
do pré aviso não se deu conta
não conta
ainda assim o domínio
a parte inteira
um rio que sabe do mar
leva sozinha
sua santidade
por essa vontade in-contida (de amar)



(Ivone fs) 18/02 - 9:00

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Frestas

guarda para si
o terror das madrugadas
seu inferno de alegorias entre cambraias
manto tenebroso sufocando a orla de sua existência
a aridez dos gemidos

- porque eu choro por nós e não mais rogo -

se toda vez é a última
nada se acumula que não sejam dedos a implorar num braço estendido
cai a escuridão
cai em si a impossibilidade do casulo

o céu aberto
em vigília
letras de Lautréamont
emaranhados se multiplicando
fogem os estreitamentos

guarda para si
guarda para si

- porque eu choro por nós e não mais rogo -


Ivone fs - 15/02/2011 - 13:26

domingo, 13 de fevereiro de 2011

eu custo a compreender. talvez por achar compreender algo assim...resignado
explícito demais. estado terminal...
compreender : a realidade é feia

- eu me decepcionei...
- então você caiu na real?!
- não. não é isso de cair na real. eu me decepcionei, entende?
- saiu do círculo, da fantasia!
- não. não é isso. eu gosto do estado de encantamento
- hãn?
- eu me decepcionei. eu me decepcionei

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

um ponto que encerra, um ponto que inicia

antes de iniciar o verso, um ponto
um ponto que encerra
um ponto que inicia
um ponto no meio: eis um leque: pontos de interrogação: eis minha sabedoria

domingo, 16 de janeiro de 2011

os olhos em que mergulho
e nos meus imploram
é sede momentânea
urgência emergência
o ponto que separa
o silêncio profundo

se não for
a vontade é
nem tudo se come
nem por isso inexiste
o leitor é a riqueza do poema. o leitor é o dono do poema. o poeta escreve e só.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Danço

era uma correnteza estranha. minha voz perturbada. um clamor inútil. ele me negava. quando eu sentia seu desejo latejava. punia-me como quem não sabe da linhas traçadas em sangue. coroa de espinhos. para sempre danço consigo em sua hora mais íntima minha presença...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

última mensagem aos dois:

uma pedra encerra.
aos ganhadores: os prêmios
eis um grande espetáculo da vida!
aplausos
somos todos sensacionais e dispensáveis e indispensáveis
eu disse um dia: última vez... eu disse
e antes disse a Deus: obrigada meu Pai por me conceder mais uma vez o amor que nunca poderá ser...eu disse a Deus...eu disse adeus.

sábado, 1 de janeiro de 2011

as pessoas simplesmente ignoram as que não lhes interessam.. (quando o sentimento é esse: paixão/amor), por isso que compreendo quem não me ama quando não estou apaixonada, porque sei como ajo quando não estou. não temos nem pena e às vezes ficamos até com raiva da pessoa por ela gostar da gente... que louco isso! rs
Vence, amor, essa onda de ilusões e raiva...é tão pequena. olha bem! nem precisas de minhas mãos. eu não me afogei quando me atirastes ao mar. podes respirar. sozinha eu sei andar e tu podes ter o que quiseres. asassinar-me era desnecessário.
às vezes o corpo pesa tanto, que chego a compreender Kafka...

domingo, 19 de dezembro de 2010

nenhuma palavra basta
nenhuma palavra é vasta o suficiente
para preencher esse abismo
sobram os versos
da grande incompetência em ser
Dei-lhe minhas falas
embaixo de sua janela
fiz de mim o seu horror
quando era o oposto, meu gosto

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

o mundo é vasto
cabe tudo nele
e tem dia que não achamos espaço
eu prefiro a loucura enviesada que gira infinitamente
como aqueles pêndulos japoneses
sem início sem fim
tudo que explico à cerca de algumas coisas
não explica nada
é só ilustração aquarelada
a vida nunca basta. é chama que chama. é vida
o mundo é repleto de pessoas interessantes e únicas

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Venero o sol e as nuvens que se engravidam dele (Ivone fs)


Isso é engraçado e delicioso...
Muito gostoso de se imaginar... (Samuel Vigiano)


é quando o dia está como hoje e empresta suas imagens pra gente poetar
um dia de sol às escondidas (Ivone fs)


O dia amanheceu como se não tivesse dormido... (Samuel Vigiano)


munido de poesia. que nada a detenha. que tudo a contenha (Ivone fs)

Isso é poesia. O dia amanheceu assim, poesia (Samuel Vigiano)
"Como um louco , não tenho pretensões nem esperança... digo-vos a pura verdade...essas são as minhas palavras loucas" Kerouac
"Eu quero brincar às escondidas contigo e dar-te as minhas roupas e dizer que gosto dos teus sapatos..." Sarah Kane

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

(pensamento imediato)

não desejo esquecer-te
a não ser
dentro de mim
simplicidade é algo tão grandioso que poucos alcançam

meu veneno

se o vento a pedra não dissolve
há dentro o tóxico

se explode no peito, que seja rosa
e aos olhos alheios, um deleite
teu colo perfeito
tuas mãos perfeitas
teus cabelos negros
minha cabeça em teu peito

adormecemos no sofá
colados em gosmas...
Lendo Delta de Vênus - Histórias eróticas de Anaïs Nin percebo uma forte semelhança, na narrativa, com as Mil e Uma Noites.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

o sonho adormece antes do amanhecer

que faz o vento na minha janela?
percebe minha dor
e pensa espalhá-la?
agora infesta a noite e me alivia?
se é minha, deixe que dela cuido eu
se comprimo
há de qualquer hora explodir
então se fará rosa
não de Hiroshima
que contamina
rosa dos meus disfarces
rosa de minha ruína
que qualquer turista fotografa
e guarda como quem já esteve em Roma

Ivone fs - (1:28 - 02/12/2010)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eu quís a aproximação
fora de época
temporã

sagrado monstro do desejo
eu te cultuo de joelhos

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A essência de um chamado

as noites
essas que foram
e aqui estão
releituras em verso e prosa

abraçam-me
tomando minhas coxas
mamilos ardentes
diante de seus olhos
os meus

não era, acaso, a rebeldia buscando o arcaico ?
a poesia transgressiva gozando num leito dos impossíveis?

poetas malditos
transcêndência surrealista

a palavra arde e marca