Quem vela teu sono
enquanto velo as horas
em que não durmo?
Teus cabelos guardam segredos
só decifro com meus dedos...
anéis justos cobrindo minhas mãos
Teu rosto, moço,
é o guardador da luz
que vigia a minha noite
Por onde andará teu pensamento
enquanto caminhas por aí, nas ruas,
Dessa cidade que não conheço?
27/12/2008
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Bilhetes rasos para seus fantasmas (por Rita Medusa e Ivone fs)
Rita:
Desenho luzes?
Entreato de flechas ou somente espasmos no meu caderno manco?
Ivone fs ...
paraliso o instante nas direções multiplicadas
Rita Medusa
O medo é um passo ordinário para a sentença desejada...
Quantos passos você conta?
Ivone fs ...
era de orvalho
em vôo rasante...os pés flutuam
Rita Medusa
As asas souberam dos caminhos as fraturas das distâncias
Um só
Translúcido para ser onírico.
Ivone fs ...
jarradas inesperadas golpearam minha paz
choveu breu sobre os alicerces bambos
Rita Medusa
E bambas cordas se contorceram
Jasmins quiseram resgastes
Não imaginava ardência nos sacrificados mantos
resgates,alturas...
Ivone fs ...
jaziam as cédulas da credibilidade
troquei meu bilhete do vôo sem volta
me debati nos muros débeis do retorno automatizado
Rita Medusa
Soube de não retornar do teto do meu quarto
A alienação carimbando um desvario na testa
Inocente parábolas modificadas com a ponta da língua
Queimaram-me viva e a tocha na minha mão entornava
Ivone fs ...
um sono profundo transportou minhas cinzas
lavadas pelas ondas que inundaram minha face
dejetos abortados
27/12/2008
Desenho luzes?
Entreato de flechas ou somente espasmos no meu caderno manco?
Ivone fs ...
paraliso o instante nas direções multiplicadas
Rita Medusa
O medo é um passo ordinário para a sentença desejada...
Quantos passos você conta?
Ivone fs ...
era de orvalho
em vôo rasante...os pés flutuam
Rita Medusa
As asas souberam dos caminhos as fraturas das distâncias
Um só
Translúcido para ser onírico.
Ivone fs ...
jarradas inesperadas golpearam minha paz
choveu breu sobre os alicerces bambos
Rita Medusa
E bambas cordas se contorceram
Jasmins quiseram resgastes
Não imaginava ardência nos sacrificados mantos
resgates,alturas...
Ivone fs ...
jaziam as cédulas da credibilidade
troquei meu bilhete do vôo sem volta
me debati nos muros débeis do retorno automatizado
Rita Medusa
Soube de não retornar do teto do meu quarto
A alienação carimbando um desvario na testa
Inocente parábolas modificadas com a ponta da língua
Queimaram-me viva e a tocha na minha mão entornava
Ivone fs ...
um sono profundo transportou minhas cinzas
lavadas pelas ondas que inundaram minha face
dejetos abortados
27/12/2008
Vigília
Vigília
Quem apalpa agora
senão um vestígio
de vento na toca
onde curva e volta?
Eu, parede em aparência
uivo mudo, ardência
interna redemoinho
Raso o riso
passos em cadência
em qual me escondo?
Estranha, a noite!
O ruidoso momento
que adia ou espera
Tua voz : nuvem
- envolve minha dor
passeando
e não diz a palavra
que me salva -
Desse ponto,
do mapa indecifrável
do abismo noturno,
aves rodeiam
a esfinge adormecida
guardando um segredo
16/12/2008
Quem apalpa agora
senão um vestígio
de vento na toca
onde curva e volta?
Eu, parede em aparência
uivo mudo, ardência
interna redemoinho
Raso o riso
passos em cadência
em qual me escondo?
Estranha, a noite!
O ruidoso momento
que adia ou espera
Tua voz : nuvem
- envolve minha dor
passeando
e não diz a palavra
que me salva -
Desse ponto,
do mapa indecifrável
do abismo noturno,
aves rodeiam
a esfinge adormecida
guardando um segredo
16/12/2008
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Sobre ilusões amorosas
Embaixo do sono
vão sonhos entorpecidos
de um desejo,
que antes assíduo,
mas depois do ato
só vaidade e desacato
vão sonhos entorpecidos
de um desejo,
que antes assíduo,
mas depois do ato
só vaidade e desacato
Antes do fim
querer da vida
a crença que ao menos
sustenta
os olhos vidrados
o nariz em reta
e ao pé da orelha
os sussuros molhados
regando a planta
mantendo o viço
do vício de seguir
teimosia estatalando nos cascos
a crença que ao menos
sustenta
os olhos vidrados
o nariz em reta
e ao pé da orelha
os sussuros molhados
regando a planta
mantendo o viço
do vício de seguir
teimosia estatalando nos cascos
Terra não prometida
O lamento é uma música
de passos sumindo no horizonte
O lamento dá as costas e encara os pés
O lamento é o grito sufocado
de quem perdeu a fé e parte...
carregado.
de passos sumindo no horizonte
O lamento dá as costas e encara os pés
O lamento é o grito sufocado
de quem perdeu a fé e parte...
carregado.
Confronto
Entre a bebida
e os ruídos da noite
tua imagem passeia...
acelero a volta,
meia volta,
ao meu pouso curto
à merce dos móveis,
em silêncio (imóveis)
e da pouca luz
refletindo meus vestidos inéditos
- deliberadamente prontos
Acelero a volta
em mais um gole,
que devoro
e intervém
pela parte que não fala
pela parte que não cala
- intermediário que extrapola
e os ruídos da noite
tua imagem passeia...
acelero a volta,
meia volta,
ao meu pouso curto
à merce dos móveis,
em silêncio (imóveis)
e da pouca luz
refletindo meus vestidos inéditos
- deliberadamente prontos
Acelero a volta
em mais um gole,
que devoro
e intervém
pela parte que não fala
pela parte que não cala
- intermediário que extrapola
**
Herdei a brandura
Acasalada
Duas estrelas na madrugada
Pela minha janela
Além breu
(Nós)
Nus aventurando
Acasalada
Duas estrelas na madrugada
Pela minha janela
Além breu
(Nós)
Nus aventurando
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
é o que me diz
nestes cômodos, onde as portas nunca levam chave e o trânsito é sem mão. percebes minha dança? há fadas em seda e eu teço nervuras em seus vestidos. elas me afrontam e procuram seu par. eles riem e abençoam seus beiços dependentes. andam em procissão. é o que me diz o teu sorriso mudo. diante da fala muda. é o que me diz, no fim das contas
do que eu sempre soube.
17/10/2008
do que eu sempre soube.
17/10/2008
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Palavras impressas
I -
Quanto mais quieta mais intensa a agitação encoberta
A fala presa num suspiro travado aguarda um vão neste campo de concentração
Os olhares de gelo
Os sorrisos da hipocrisia
Terrenos infestados
Todos cegos comendo tua merda
É ínfimo o instante...
Dedilhando tuas costas
A palavra inteira passou por um fio,
Percorreu direta, como um líquido injetado em tua pele
Tudo na medida, de não adivinhar, nem acrescentar
Completa. Pode-se dizer. Completa.
Vou pelo ritmo agora,
O ritmo que vier,
Direto, dentro do meu ouvido,
Fala e saliva
Respondo: com as mãos e o corpo inteiro...
II -
Todos os espaços se colidem
não há mais frente ou verso
derramei-me inteira
agora posso ir...
agora sei
que não há limite
não há berço
não há o lençol que forre
nem tão pouco o que cobre
agora sei...
III -
A febre vazou
o delírio não entorpece
que venham todas as dores
que venham e testem
até onde me querem?
Quanto mais quieta mais intensa a agitação encoberta
A fala presa num suspiro travado aguarda um vão neste campo de concentração
Os olhares de gelo
Os sorrisos da hipocrisia
Terrenos infestados
Todos cegos comendo tua merda
É ínfimo o instante...
Dedilhando tuas costas
A palavra inteira passou por um fio,
Percorreu direta, como um líquido injetado em tua pele
Tudo na medida, de não adivinhar, nem acrescentar
Completa. Pode-se dizer. Completa.
Vou pelo ritmo agora,
O ritmo que vier,
Direto, dentro do meu ouvido,
Fala e saliva
Respondo: com as mãos e o corpo inteiro...
II -
Todos os espaços se colidem
não há mais frente ou verso
derramei-me inteira
agora posso ir...
agora sei
que não há limite
não há berço
não há o lençol que forre
nem tão pouco o que cobre
agora sei...
III -
A febre vazou
o delírio não entorpece
que venham todas as dores
que venham e testem
até onde me querem?
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Ligação a cobrar
Ouço tua voz
que me chama
e reviro
À noite havia pingos
no meio da neblina
e um caminho.
que me chama
e reviro
À noite havia pingos
no meio da neblina
e um caminho.
Ainda
que houvesse
uma única razão
para dormir ao teu lado
entre estes trapos
que restaram
valeria!
não tivesse sabido
da tua tão pouca exigência...
no entanto, agora penso:
é hora de limpar estes cantos
abrir a janela e ver o sol
(a próxima atração é de quinta categoria)
eu vou, você fica.
Ivone fs....04/08/2008
uma única razão
para dormir ao teu lado
entre estes trapos
que restaram
valeria!
não tivesse sabido
da tua tão pouca exigência...
no entanto, agora penso:
é hora de limpar estes cantos
abrir a janela e ver o sol
(a próxima atração é de quinta categoria)
eu vou, você fica.
Ivone fs....04/08/2008
Índia que sou
Dos desenhos que faço na água
sobram as sombras e os olhos
Amanheço na borda do primeiro raio
e tenho o dia inédito, em preto e branco
Das securas cravadas, que me fazem sólida,
percebo as primeiras lascas caindo
De pincel nas mãos, espalho o sangue
e de vermelho tinjo minha pele nova
Há um peso...um grito na mata cerrada...
sobram as sombras e os olhos
Amanheço na borda do primeiro raio
e tenho o dia inédito, em preto e branco
Das securas cravadas, que me fazem sólida,
percebo as primeiras lascas caindo
De pincel nas mãos, espalho o sangue
e de vermelho tinjo minha pele nova
Há um peso...um grito na mata cerrada...
sábado, 15 de novembro de 2008
Arrastão
Nunca serei a pequena margem de tua visão. Se me calculas, perdes a noção. Sou limbo escorregadio, a própria onda dos ventos das estações que se repetem e nunca são as mesmas. Em cada marca, meu rosto altiva, em cada suspiro preso, meu rumo muda. Mesmo contra vontade, sigo. O tempo me chama e sempre vou, mesmo contra minha vontade...o tempo passa e sempre vou. O nosso tempo fica...o nosso tempo ficou...
**
Herdei a brandura
Acasalada
Duas estrelas na madrugada
Pela minha janela
Além breu
(Nós)
Nus aventurando
Acasalada
Duas estrelas na madrugada
Pela minha janela
Além breu
(Nós)
Nus aventurando
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
fim de tarde
Um dia sentei no teu colo
no meio da rua
fui mais nua
que a rua
e nunca mais te vi
nem nunca mais me despi
Ivonefs - 04/09/2008
no meio da rua
fui mais nua
que a rua
e nunca mais te vi
nem nunca mais me despi
Ivonefs - 04/09/2008
sábado, 18 de outubro de 2008
Um dia depois de antes
Acendo uma vela,
as paredes dançam,
na meia-luz,
as lembranças:
o trânsito escondeu-se todo
na ambulância do meu desespero
que rodou, rodou num viaduto
irresoluto e rezou luto
na veia,
glicose, dipirona e antis
na seringa cheia
nada,
nada de imediato se absorve
as paredes dançam,
na meia-luz,
as lembranças:
o trânsito escondeu-se todo
na ambulância do meu desespero
que rodou, rodou num viaduto
irresoluto e rezou luto
na veia,
glicose, dipirona e antis
na seringa cheia
nada,
nada de imediato se absorve
Olhares
Insuportáveis, as reticências que sobram nos rompimentos...
Preciso deste quarto escuro,
limitar minha fobia,
domesticar essa ânsia de ir...
(nem que seja só por hoje)
Quem clama respostas,
é a aflição das mãos vazias
O solo íngreme
e os pés inchados?
são pela dureza da desesperança.
As manchas a encobrirem a retina
são sinais latentes:
de que ainda restou algo
do que ainda me domina.
Preciso deste quarto escuro,
limitar minha fobia,
domesticar essa ânsia de ir...
(nem que seja só por hoje)
Quem clama respostas,
é a aflição das mãos vazias
O solo íngreme
e os pés inchados?
são pela dureza da desesperança.
As manchas a encobrirem a retina
são sinais latentes:
de que ainda restou algo
do que ainda me domina.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Cifras e Códigos
meu dia começa no meio
é simples: só durmo no fim da noite
cenas do dia anterior:
mastiguei um pacote inteiro de cookies
castanha-do-pará
fui votar e me esqueci o número dela
o melhor da rodovia vinha da tua voz:
"diz que segue o coração" *
e sigo então
a chuva no vidro
duvidando do sol
só por hoje
nada formal
nem almoço à mesa
qualquer coisa enquanto caminho
fala emudecida
intensa conversa interior
aumento o som
e leio Drummond:
A rosa do povo
..."É feia. Mas é realmente uma flor"
...................................... * Heitor Branquinho
é simples: só durmo no fim da noite
cenas do dia anterior:
mastiguei um pacote inteiro de cookies
castanha-do-pará
fui votar e me esqueci o número dela
o melhor da rodovia vinha da tua voz:
"diz que segue o coração" *
e sigo então
a chuva no vidro
duvidando do sol
só por hoje
nada formal
nem almoço à mesa
qualquer coisa enquanto caminho
fala emudecida
intensa conversa interior
aumento o som
e leio Drummond:
A rosa do povo
..."É feia. Mas é realmente uma flor"
...................................... * Heitor Branquinho
romântica
Houve a chuva
no telhado
ouça a chuva
ouvi chover
no meu dia
mais nublado
teve um sol
houve você!
no telhado
ouça a chuva
ouvi chover
no meu dia
mais nublado
teve um sol
houve você!
esperam muito de mim
esperam meus pés atados
esperam que eu seja o dia
me esperam na retina
e eu sempre querendo lá.
esperam que eu seja o dia
me esperam na retina
e eu sempre querendo lá.
Dos quereres
não quero o medo
que esfria
distancia
me traga alheia
antes,
quero a voz que me alivia
e a ela me assemelha
que esfria
distancia
me traga alheia
antes,
quero a voz que me alivia
e a ela me assemelha
O que será?
Resta hoje tudo.
É sempre um ponto de partida
quando amanheço
Pensando bem...
estou em estado de alerta
na estação, esperando um trem
Deixei em stand by
qualquer ruído presente.
E vão altos os ventos
adivinhar tua boca.
Se na minha vier,
serei eu tua busca.
É sempre um ponto de partida
quando amanheço
Pensando bem...
estou em estado de alerta
na estação, esperando um trem
Deixei em stand by
qualquer ruído presente.
E vão altos os ventos
adivinhar tua boca.
Se na minha vier,
serei eu tua busca.
sábado, 27 de setembro de 2008
Nem Joana, nem inocência D'arc
Nenhum grito pode ser manso:
eis porque me arrepio!
sem rios de pranto
amanheço inconsciente
levada à fogueira
por um homem "santo",
mas ainda respiro
cravejada de esmeraldas
verde, sua raiva
amargando sua lira,
desposando fel,
fez-me demônio
rosas vermelhas
pétalas áscuas
amantes sublunares
sentidos abastados
relações inventadas
dobro os joelhos
e oro em seu olhar inocente:
livre-se daquela que seus pés prendem
e antes de qualquer morte,
quebrem-se todos os espelhos.
eis porque me arrepio!
sem rios de pranto
amanheço inconsciente
levada à fogueira
por um homem "santo",
mas ainda respiro
cravejada de esmeraldas
verde, sua raiva
amargando sua lira,
desposando fel,
fez-me demônio
rosas vermelhas
pétalas áscuas
amantes sublunares
sentidos abastados
relações inventadas
dobro os joelhos
e oro em seu olhar inocente:
livre-se daquela que seus pés prendem
e antes de qualquer morte,
quebrem-se todos os espelhos.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
do outro lado
não deduzo o escuro
no fundo dos teus olhos
nem o sol
que os tornam dia,
imagino peixes
na calmaria dos teus lagos,
através do gelo
que não se quebra
no fundo dos teus olhos
nem o sol
que os tornam dia,
imagino peixes
na calmaria dos teus lagos,
através do gelo
que não se quebra
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Deixo a marca do estorvo
Na luz apagada
um rosto que acende
num silêncio contido
cortina arriada,
um corpo e um cigarro...
o mesmo céu,
bordado dourado
estrelas alheias
e tuas palavras
as tuas palavras
tuas palavras...
um rosto que acende
num silêncio contido
cortina arriada,
um corpo e um cigarro...
o mesmo céu,
bordado dourado
estrelas alheias
e tuas palavras
as tuas palavras
tuas palavras...
fim de tarde
Um dia sentei no teu colo
no meio da rua
fui mais nua
que a rua
e nunca mais te vi
nem nunca mais me despi
no meio da rua
fui mais nua
que a rua
e nunca mais te vi
nem nunca mais me despi
Do que julgava eterno...
Tenho tido sono
estranho!
vejo uma luz se apagando.
No dia seguinte li este texto..."Livro do Desassossego"
'Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuva contra um raio.
Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e de atos.
Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia.
Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge, então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objetos me pesam por a alma dentro.
A minha vida é como se me batessem com ela.' FP
estranho!
vejo uma luz se apagando.
No dia seguinte li este texto..."Livro do Desassossego"
'Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuva contra um raio.
Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e de atos.
Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia.
Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge, então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objetos me pesam por a alma dentro.
A minha vida é como se me batessem com ela.' FP
Enquanto silencio ( Rita Medusa e Ivone fs
Desafios desfiam
em línguas múltiplas
rompem os desfiladeiros
e percorrem os ares
fluxos em sintonias descabidas
musicais flores de núpcias
em pesadelos abruptos
roem-me
E eu,
só queria uma dança contigo.
em línguas múltiplas
rompem os desfiladeiros
e percorrem os ares
fluxos em sintonias descabidas
musicais flores de núpcias
em pesadelos abruptos
roem-me
E eu,
só queria uma dança contigo.
Ainda
Ainda
que houvesse
uma única razão
para dormir ao teu lado
entre estes trapos
que restaram
valeria!
não tivesse sabido
da tua tão pouca exigência...
no entanto, agora penso:
é hora de limpar estes cantos
abrir a janela e ver o sol
(a próxima atração é de quinta)
eu vou, você fica.
que houvesse
uma única razão
para dormir ao teu lado
entre estes trapos
que restaram
valeria!
não tivesse sabido
da tua tão pouca exigência...
no entanto, agora penso:
é hora de limpar estes cantos
abrir a janela e ver o sol
(a próxima atração é de quinta)
eu vou, você fica.
Um dia depois de antes
Acendo uma vela,
as paredes dançam,
na meia-luz,
as lembranças:
o trânsito escondeu-se todo
na ambulância do meu desespero
que rodou, rodou num viaduto
irresoluto e rezou luto
na veia,
glicose, dipirona e antis
na seringa cheia
nada,
nada de imediato se absorve
as paredes dançam,
na meia-luz,
as lembranças:
o trânsito escondeu-se todo
na ambulância do meu desespero
que rodou, rodou num viaduto
irresoluto e rezou luto
na veia,
glicose, dipirona e antis
na seringa cheia
nada,
nada de imediato se absorve
Senha
Sou teu pólo
oposto
te eriço
os pelos
pelas antenas
tremulo
te circundo
muda,
enlaço
dormes
no abraço
quase pedra...
liquefaço-me
empoço-me
em teus poros
vou
contamino
atuo
contradigo
antes,
a que te adora...
aturas!
teu destino
determino
rasgo tuas veias
abro tuas vias
pra te ver sangrar
e te quero
no transbordamento
do descontentamento
no ponto em que te tornas
divino!
oposto
te eriço
os pelos
pelas antenas
tremulo
te circundo
muda,
enlaço
dormes
no abraço
quase pedra...
liquefaço-me
empoço-me
em teus poros
vou
contamino
atuo
contradigo
antes,
a que te adora...
aturas!
teu destino
determino
rasgo tuas veias
abro tuas vias
pra te ver sangrar
e te quero
no transbordamento
do descontentamento
no ponto em que te tornas
divino!
Selvagem II
Selvagem II
tem noites tão nuas
que a cama se transporta
ao relento do branco
da lua
sinto-me há milhões de anos,
quando ainda vivia numa matilha
tem noites tão nuas
que a cama se transporta
ao relento do branco
da lua
sinto-me há milhões de anos,
quando ainda vivia numa matilha
Selvagem
Quanto da loba sou
quanto da noite,
claros olhos
estelar
o uivo,
quanto nu
quanto cio
faro, instinto
ancestral
fera.
quanto da noite,
claros olhos
estelar
o uivo,
quanto nu
quanto cio
faro, instinto
ancestral
fera.
Muito tarde para ficar
Agora que ficou tarde, meu banquinho esquecido, embaixo da quaresmeira
quase soterrado de capim, oferece-se a mim. Como último recurso, de um passo teimoso, que resistiu a entrega, aceito teu polido osso: fazemo-nos companhia pelas nossas durezas! Carrego nos olhos o peso do desdém, o peso das pálpebras molhadas, o peso de palavras inéditas, jarradas que queimam, nas horas alertas, pois há um ano não durmo. De junho a junho. O tempo me ruiu. Veja só, naquele banquinho, finalmente adormeço. Do alto me vejo.
quase soterrado de capim, oferece-se a mim. Como último recurso, de um passo teimoso, que resistiu a entrega, aceito teu polido osso: fazemo-nos companhia pelas nossas durezas! Carrego nos olhos o peso do desdém, o peso das pálpebras molhadas, o peso de palavras inéditas, jarradas que queimam, nas horas alertas, pois há um ano não durmo. De junho a junho. O tempo me ruiu. Veja só, naquele banquinho, finalmente adormeço. Do alto me vejo.
I miss you
Flagaram-me com minhas cinco asas,
enquanto sobrevoava as escadarias do sonho
cinco sentidos
Fui morta pelos mísseis (MBIC),
...logo eu, que desdenhei das pedras
quando voei.
enquanto sobrevoava as escadarias do sonho
cinco sentidos
Fui morta pelos mísseis (MBIC),
...logo eu, que desdenhei das pedras
quando voei.
f-r-a-g-m-e-n-t-o-s
fragmentos
Sou hoje
feito uma árvore de outono.
e ainda tenho o inverno inteiro pra atravessar
calma...calma... te acalma... alma!
"Sou hoje fragmentos do que já fui,
lapsos que insistem em permanecer,
que tratam de costurar, de tecer,
o fio que me faz ser quem sou,
que garante os fragmentos de amanhã,
pois o hoje já passou. "
Eros
Sou hoje
feito uma árvore de outono.
e ainda tenho o inverno inteiro pra atravessar
calma...calma... te acalma... alma!
"Sou hoje fragmentos do que já fui,
lapsos que insistem em permanecer,
que tratam de costurar, de tecer,
o fio que me faz ser quem sou,
que garante os fragmentos de amanhã,
pois o hoje já passou. "
Eros
Sábado
Não quero bom dia
nem beijo
só que me surpreenda,
ainda cedinho,
com café na cama
e pão de queijo.
Poema que fiz pra Muryel e Leo..meus amigos escritores mineirinhos. uai!
nem beijo
só que me surpreenda,
ainda cedinho,
com café na cama
e pão de queijo.
Poema que fiz pra Muryel e Leo..meus amigos escritores mineirinhos. uai!
Saudade de Fernando N.
hoje acordei pensando em Fernando. caminhar sobre sua pele e passear em todos seus encantos. É bem aí que se sonha! ainda ouço como pulsa..pulsa...pulsa... o sol oposto que o cobre de sombras e o mar que o circunda e o embalança. não há, em toda essa terra, nada igual a Fernando de Noronha!
Mucio
"é de deixar
qualquer um maluco
uma das belezas
do meu pernambuco"
Mucio
"é de deixar
qualquer um maluco
uma das belezas
do meu pernambuco"
Se restasse ainda uma fagulha que fosse
Peço calma
digo que passa
peço que não chore
e choro
peço que desfaça
e dói
deixo
não faço mais nada
é o que me resta
Comentário dp poeta Mucio:
"resta ser
ser esta"
digo que passa
peço que não chore
e choro
peço que desfaça
e dói
deixo
não faço mais nada
é o que me resta
Comentário dp poeta Mucio:
"resta ser
ser esta"
Ao longe
Dirá do dia
e do lugar
que era outro:
foi pouso durante
pouso de instante
presa de um tempo
que era pouco
e do lugar
que era outro:
foi pouso durante
pouso de instante
presa de um tempo
que era pouco
terça-feira, 2 de setembro de 2008
:
Eu sei que pelo vidro começa meu passo
por ele, olho lá fora:
se não for pensado é pelo ímpeto!
Tudo isso me compõe:
uma mão amputada
e a transparência ilusória
onde bato a cara
e quebro...quebro a resistência:
qualquer hora te surpreendo!
por ele, olho lá fora:
se não for pensado é pelo ímpeto!
Tudo isso me compõe:
uma mão amputada
e a transparência ilusória
onde bato a cara
e quebro...quebro a resistência:
qualquer hora te surpreendo!
Insuficiência
Não trago o dia
nem preencho a página...
...estes espaços brancos
é a pena de estar vazia
nem preencho a página...
...estes espaços brancos
é a pena de estar vazia
Óleo sobre Tela - natureza morta
Eu talvez te admirasse
antes do beijo misericordioso...
meu coração revolveu-se
ao toque dos teus lábios imundos
Agora fico entre a perplexidade do engano
e um bolo de chocolate amargo
Fiquei pasma de saber.
antes do beijo misericordioso...
meu coração revolveu-se
ao toque dos teus lábios imundos
Agora fico entre a perplexidade do engano
e um bolo de chocolate amargo
Fiquei pasma de saber.
sábado, 23 de agosto de 2008
Monólogo em questão
Não tenho o que quero. e o tenho em demasia.
Na Dúvida, me mantenho. Nesse Meio, me sustento.
Perco a Esperança no absurdo que me coloca aos Extremos,
É no Meio que me sustento.
Não um meio Equilíbrio. Mas um meio Indefinido
Onde restam Caminhos? Onde restam Sonhos.
Os extremos me matam. Onde estou.
Na Dúvida, me mantenho. Nesse Meio, me sustento.
Perco a Esperança no absurdo que me coloca aos Extremos,
É no Meio que me sustento.
Não um meio Equilíbrio. Mas um meio Indefinido
Onde restam Caminhos? Onde restam Sonhos.
Os extremos me matam. Onde estou.
Estrangeira
Sejas gradativo
nunca manso
talvez me alcance
onde espero
e isso não te conto:
lá,
eu também me desconheço
nunca manso
talvez me alcance
onde espero
e isso não te conto:
lá,
eu também me desconheço
domingo, 17 de agosto de 2008
Interstício
Tem sempre um desconhecido pálido em minha frente. Uma cisma, melhor dizendo, que na madrugada faz meus olhos incendiarem na escuridão perene de meu quarto quase adormecido. Um quarto móvel de hora flutuante, em que tateio o sono e prescindo um pensamento que imagino aprisionar e escapa...
Monólogo -
Eu canso as pessoas com meus dilemas.
Repito sempre as mesmas coisas. Falo muito e não ouço nada. Só quero que me escutem. Não admito que me dêem conselhos. Nunca permito que me dizem o que fazer. E essa gente sempre se intrometendo!!!
Finjo por uns dias ser uma presença agradável e elas acreditam em mim. Daí pioro.
Eu admito que não amo todo mundo. Tenho uma capacidade limitada pra amar.
Sou muito intolerante. Polipolar. Não me enquadro em quase nada.
Repito sempre as mesmas coisas. Falo muito e não ouço nada. Só quero que me escutem. Não admito que me dêem conselhos. Nunca permito que me dizem o que fazer. E essa gente sempre se intrometendo!!!
Finjo por uns dias ser uma presença agradável e elas acreditam em mim. Daí pioro.
Eu admito que não amo todo mundo. Tenho uma capacidade limitada pra amar.
Sou muito intolerante. Polipolar. Não me enquadro em quase nada.
Poema que Ruy fez pra mim
Um poema (respeitoso) para Ivone
Anoitece
Se for noite de sarau, verei Ivone
Ficarei insone
Depois dessa miragem
Me faltará coragem
Para dormir.
Ver Ivone é ir
Não sei para onde.
É tomar o bonde
De uma história antiga
De encarnação passada
Ver Ivone é tudo
Mas hoje é só vê-la
Agradar aos olhos,
Abraçar a moça
Entender a emoção
E conte-la.
Essa menina é isso
É o viço
A alegria do momento
O ungüento
Que remove dores
Relembra a história de amores
E passa solene
Passa intocável
como são intocáveis
Os anjos que conheci.
Vai, menina
Cuida bem de tí.
* poema q Ruy fez pra mim
Anoitece
Se for noite de sarau, verei Ivone
Ficarei insone
Depois dessa miragem
Me faltará coragem
Para dormir.
Ver Ivone é ir
Não sei para onde.
É tomar o bonde
De uma história antiga
De encarnação passada
Ver Ivone é tudo
Mas hoje é só vê-la
Agradar aos olhos,
Abraçar a moça
Entender a emoção
E conte-la.
Essa menina é isso
É o viço
A alegria do momento
O ungüento
Que remove dores
Relembra a história de amores
E passa solene
Passa intocável
como são intocáveis
Os anjos que conheci.
Vai, menina
Cuida bem de tí.
* poema q Ruy fez pra mim
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Sobreposição dos desejos
Procuro os contornos
em que não foco
saio da linha
mas mordo sempre o centro
estou agora à sombra das palavras:
não quero frases, porque o frio me deixou estática
"a vida corre, não tem memória, ele diz" ela diz
repouse
na foto, a pose
onde entalhou a lembrança
que jaz
imutável
na arte móvel.
em que não foco
saio da linha
mas mordo sempre o centro
estou agora à sombra das palavras:
não quero frases, porque o frio me deixou estática
"a vida corre, não tem memória, ele diz" ela diz
repouse
na foto, a pose
onde entalhou a lembrança
que jaz
imutável
na arte móvel.
Um arrepio com razão
Há tantos dias
me chama...
Que há em mim?
velando as horas
contando os passos
assim
sem tropeços
desejo expresso
um café
um cinema
um passeio na Paulista
um sorvete de pistache
será?
você diz que à noite tem extras
e posso pedir
mais
e mais
e mais...
me chama...
Que há em mim?
velando as horas
contando os passos
assim
sem tropeços
desejo expresso
um café
um cinema
um passeio na Paulista
um sorvete de pistache
será?
você diz que à noite tem extras
e posso pedir
mais
e mais
e mais...
Pela janela do quarto
Se fosse perder o sentido
e mergulhar na chuva da manhã,
nesta densa fumaça,
das nuvens parida,
nesta paisagem ambígua
montes Fugis
longínquos e agudos
efervescentes e gélidos
seria depois...
antes,
quebraria todos os muros
edificados entre nós
antes,
espalharia ao mundo tuas letras
e antes ainda, seria absolvida,
pelo amor que me levou
e mergulhar na chuva da manhã,
nesta densa fumaça,
das nuvens parida,
nesta paisagem ambígua
montes Fugis
longínquos e agudos
efervescentes e gélidos
seria depois...
antes,
quebraria todos os muros
edificados entre nós
antes,
espalharia ao mundo tuas letras
e antes ainda, seria absolvida,
pelo amor que me levou
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Intenções
Se me encontro
naquela hora
da qual nunca saí,
se o meu íntimo
agora só a tua mão
pode abrir,
se minha boca
fechada e surda,
que ao teu falo se abre,
engole amor e lágrima
em cascata, os poemas
ora de certeza
ora indecisão
nesta imensidão que sou
ora molhada
noutra vazia
é porque
sei que te levo rasante
e é sempre bom, mas
sei que te viras de costas
e caminhas em opostos
sei que me riscas
das tuas listas
que resistes
e não bebes
nem me provas. me prova?
sei,
virás ainda,
no rumor das folhas
embriagadas
dos papéis amassados
com letras coloridas
num beijo que sela
as intenções escondidas
nas sutilezas, pois também sabes
que é sempre bom!
naquela hora
da qual nunca saí,
se o meu íntimo
agora só a tua mão
pode abrir,
se minha boca
fechada e surda,
que ao teu falo se abre,
engole amor e lágrima
em cascata, os poemas
ora de certeza
ora indecisão
nesta imensidão que sou
ora molhada
noutra vazia
é porque
sei que te levo rasante
e é sempre bom, mas
sei que te viras de costas
e caminhas em opostos
sei que me riscas
das tuas listas
que resistes
e não bebes
nem me provas. me prova?
sei,
virás ainda,
no rumor das folhas
embriagadas
dos papéis amassados
com letras coloridas
num beijo que sela
as intenções escondidas
nas sutilezas, pois também sabes
que é sempre bom!
Alucinações antes do aniversário
O inquieto inseto que me habita
revoa recônditos desejos, permeia
as pupilas azuis de um sonho estúpido
Acena, alucinante, às horas expostas
num torvelinho, que chicoteia o chão,
e fere-se aos golpes do tufão faminto
Na rua devastada, a híbrida lua
transpira caldos febris
sobre suas asas transparentes
infecta serviente
que nem guarda
nem anjo
impregnando seus cômodos
cerrados em seu odor imóvel
Larva lacerada,
recolhe as gotas
alimenta sua sórdida
melodia
adorna a monotonia
cravada de húmus e fezes
Os anéis de luz,
nos cantos do teto, ziguizagueiam
em propícios feixes ao anúncio íntimo
dos primeiros acordes:
Salva em mim as notas secretas de meu canto.
revoa recônditos desejos, permeia
as pupilas azuis de um sonho estúpido
Acena, alucinante, às horas expostas
num torvelinho, que chicoteia o chão,
e fere-se aos golpes do tufão faminto
Na rua devastada, a híbrida lua
transpira caldos febris
sobre suas asas transparentes
infecta serviente
que nem guarda
nem anjo
impregnando seus cômodos
cerrados em seu odor imóvel
Larva lacerada,
recolhe as gotas
alimenta sua sórdida
melodia
adorna a monotonia
cravada de húmus e fezes
Os anéis de luz,
nos cantos do teto, ziguizagueiam
em propícios feixes ao anúncio íntimo
dos primeiros acordes:
Salva em mim as notas secretas de meu canto.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Agora sim, desligue o telefone e estacione
É da banda homérica
desenho retraçado
pronto
um confronto
Uma epopéia, arreia
no ponto de ebulição
do encanto x desencanto
encontro x desencontro
na medida que passa
e passa...
A medida elástica
laceou
Mas antes, peço desculpas pelo todo incômodo
Pois agora, o que era de graça
tornou-se inalcançável,
e pede, se te quero!
- Qual a palavra necessária
para um fim sem hinos?
Phoda-se.
desenho retraçado
pronto
um confronto
Uma epopéia, arreia
no ponto de ebulição
do encanto x desencanto
encontro x desencontro
na medida que passa
e passa...
A medida elástica
laceou
Mas antes, peço desculpas pelo todo incômodo
Pois agora, o que era de graça
tornou-se inalcançável,
e pede, se te quero!
- Qual a palavra necessária
para um fim sem hinos?
Phoda-se.
Família século XXI
Num quarto,
livro e poesia
louça na pia,
na cozinha
Pesam os olhos
dos bolsos vazios
fazendo valer
todos os dias
Enche e aquece
as faltas, a voz
que intermedia
Sãos os filhos
e as mães
que fazem a família
quantas!
livro e poesia
louça na pia,
na cozinha
Pesam os olhos
dos bolsos vazios
fazendo valer
todos os dias
Enche e aquece
as faltas, a voz
que intermedia
Sãos os filhos
e as mães
que fazem a família
quantas!
Sobre a (des)ordem das coisas
Foi no tremor do dia
que me calei...
nos cigarros engolidos,
antes molhados na boca
do cão,
no abraço seguido,
e num fim que não se espera
expelido.
A dinamite ecoou
o inferno berra, inútil
e a dor amanhece
refluxo
murcha e impotente
as rupturas em gaze ainda vazam seus fluídos.
da boca, pende o silêncio
e como ordem
indefinida, assente
Não há susto que te sustente.
que me calei...
nos cigarros engolidos,
antes molhados na boca
do cão,
no abraço seguido,
e num fim que não se espera
expelido.
A dinamite ecoou
o inferno berra, inútil
e a dor amanhece
refluxo
murcha e impotente
as rupturas em gaze ainda vazam seus fluídos.
da boca, pende o silêncio
e como ordem
indefinida, assente
Não há susto que te sustente.
Casos e acasos
Já fui tardes enovelada
anoitecida em teus braços
ao odor íntimo dos teus poros
Serenei em fotografia congelada,
quando sob o teto teu sexo arfava
e minha pele à tua se juntava
contorci-me e agonizei-me
ao vapor das tuas idas
Meu enredo que faço
minhas horas passadas
nas curvas de teus passos
Na mesma esquina
que inicia onde termina
meu velho pensamento
sem rimas, ferida
sem rumo... (que embaraço!)
- beijo frio de ausência, estilhaços
anoitecida em teus braços
ao odor íntimo dos teus poros
Serenei em fotografia congelada,
quando sob o teto teu sexo arfava
e minha pele à tua se juntava
contorci-me e agonizei-me
ao vapor das tuas idas
Meu enredo que faço
minhas horas passadas
nas curvas de teus passos
Na mesma esquina
que inicia onde termina
meu velho pensamento
sem rimas, ferida
sem rumo... (que embaraço!)
- beijo frio de ausência, estilhaços
Meus óculos de sol
Acordei atravessada. irritada comigo. irritada com esta convivência eterna. irritada por ouvir sempre as mesmas lamúrias que escorrem de mim. hoje me ignorei. não levantei a cabeça . tomei banho de costas, só pra não me ver refletida no espelho que fica em frente ao box. usei um perfume inédito. era chegada a hora para algo ignorado há quase um ano (um perfume que mantinha guardado para usar numa ocasião especial, como disse a pessoa que me presenteou, imaginando estar me dando uma preciosidade...). doce demais e eu odeio perfumes doces. minha cabeça dando sinal que não aceitaria quieta todo esse odor, tomei outro banho. não usei mais perfume algum. fui ao centro da cidade... Saio da Vila Madalena, Av. Dr. Arnaldo, Consolação, Av. 9 de julho e Rua São Caetano. em cada farol, um vendedor de suflair (São Paulo tem um vendedor de suflair em cada esquina. São Paulo toda cheira a suflair. qual o chocolate mais consumido aqui? o coméricio dos ambulantes dos faróis. a fábrica de suflair em frenesi, pensei e que calor: imagina a cidade besuntada de suflair... a popularidade deste chocolate me dá enjoo. onde estou? ah, Rua São Caetano, vestidos de noiva, brancos, pesados, longos, e cheios de sol , pobres noivas, que calor...em dez minutos resolvo a que vim. Rua da Cantareira, Av. Ipiranga, Av. 23 de Maio..Túnel João Paulo II, Túnel Airton Sena, Túnel ... túneis... São Paulo precisa de mais túneis e viadutos . Av. Morumbi: mais uma vendedora de suflair. negra, jovem, linda, olhos brilhantes mostrando que vida não tem nada a ver com condições extremas, precárias. ela é o sol que cobre o dia, hoje, penso. paralítica... o farol fecha. ela se aproxima, girandando as rodas com as mãos. falo qualquer coisa sobre o calor que fazia.
- adorei teus óculos, é lindo!!! falou sorrindo e com muita dificuldade.
sorri também. ela não me ofereceu os chocolates, o farol abriu, buzinas, o trânsito andou...eu disse rápido: na próxima! ok? na próxima!... um estrondo. pelo retrovisor vi a cadeira jogada do outro lado da rua, com as rodas para cima. desliguei o carro e saí correndo. as businas eram infernais. ela sorriu quando me viu. tirei meus óculos e coloquei no seu rosto. aos poucos seu sorriso se desfez. sirenes, confusão. eu mais confusa ainda. afastei-me. o barulho agora era maior. dirigi trêmula, vi o Estádio do Morumbi e parei no primeiro posto de gasolina...
hoje à noite vou usar meu vestido mais bonito, demorar na maquiagem, vou sair e não volto antes do sol nascer novamente...
- adorei teus óculos, é lindo!!! falou sorrindo e com muita dificuldade.
sorri também. ela não me ofereceu os chocolates, o farol abriu, buzinas, o trânsito andou...eu disse rápido: na próxima! ok? na próxima!... um estrondo. pelo retrovisor vi a cadeira jogada do outro lado da rua, com as rodas para cima. desliguei o carro e saí correndo. as businas eram infernais. ela sorriu quando me viu. tirei meus óculos e coloquei no seu rosto. aos poucos seu sorriso se desfez. sirenes, confusão. eu mais confusa ainda. afastei-me. o barulho agora era maior. dirigi trêmula, vi o Estádio do Morumbi e parei no primeiro posto de gasolina...
hoje à noite vou usar meu vestido mais bonito, demorar na maquiagem, vou sair e não volto antes do sol nascer novamente...
Sem você, com você
Se um meio inexiste,
então invento
canção de inverno
um leve arrepio
(não resisto)
de frente ao espelho
em minhas mãos,
meu desejo - cio
Existo.
então invento
canção de inverno
um leve arrepio
(não resisto)
de frente ao espelho
em minhas mãos,
meu desejo - cio
Existo.
Intricada (revisitado)
Velo o silêncio pesado
emboscando a ausência
exacerbada de trilhas
À risca, traço códigos enredados
em veredas inóspitas
Deleto
Reviro inciente
Tardes ocas, chocas
Nem o doce cicio de sua voz me embala
Por que intrico?
Ai de mim...
emboscando a ausência
exacerbada de trilhas
À risca, traço códigos enredados
em veredas inóspitas
Deleto
Reviro inciente
Tardes ocas, chocas
Nem o doce cicio de sua voz me embala
Por que intrico?
Ai de mim...
Massacre
Expus-me nua e santa
e teus olhos negaram-me
pisei em tua terra
comi teu osso
aceitei a última herança
da tua miséria
Sondastes-me a tantas
corroestes a esperança
e de vez anunciaste
pela tua boca medonha:
isenta-me!
insuportável imperfeita
que mancha minhas paredes brancas
Cobre teu rosto
...evita que me veja
Isenta-me!
e teus olhos negaram-me
pisei em tua terra
comi teu osso
aceitei a última herança
da tua miséria
Sondastes-me a tantas
corroestes a esperança
e de vez anunciaste
pela tua boca medonha:
isenta-me!
insuportável imperfeita
que mancha minhas paredes brancas
Cobre teu rosto
...evita que me veja
Isenta-me!
Do lado de fora
num certo caso
perde-se o senso
perde-se tempo
nas filas de espera
ociosas horas
de olhar vitrines
de andar sem rumo
e não tomar tento
são horas mortas
não tuas,
são doloridas e disfarçadas
são horas cruas
que como em jejum
perde-se o senso
perde-se tempo
nas filas de espera
ociosas horas
de olhar vitrines
de andar sem rumo
e não tomar tento
são horas mortas
não tuas,
são doloridas e disfarçadas
são horas cruas
que como em jejum
Minhas ruas
já não me importo
sem pena
nem condenação de mim
arrasto
sou como um tufão
que passa
os destroços?
são meus restos
que ainda ficam.
sem pena
nem condenação de mim
arrasto
sou como um tufão
que passa
os destroços?
são meus restos
que ainda ficam.
Paralelos (revisitado)
Rajadas
ondas aladas
névoa
lava rosto e aléias
senti-nelas
na boca, na língua
o toque do céu
Jasmins dão notícias
e te tenho colado
rasgando meus véus
ondas aladas
névoa
lava rosto e aléias
senti-nelas
na boca, na língua
o toque do céu
Jasmins dão notícias
e te tenho colado
rasgando meus véus
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Através da fumaça
O sentido
gira,
paira em torno
dos cílios da cidade
- São Paulo não respira -
através da densa massa chumbo,
onde meus olhos combalidos,
daqui do alto, afundam
através das frestas dos muros,
nos miados secos
dos gatos vadios
nas vastas ruas
onde carros vagueiam
(vinte e quatro horas - nódoas)
e nas praças talhadas
em granito e sangue:
letargia vermelha...
..no fundo range
uma voz rouca - jazz-blue:
blue?
é um sonho que me lembra...
semelhança...
gira,
paira em torno
dos cílios da cidade
- São Paulo não respira -
através da densa massa chumbo,
onde meus olhos combalidos,
daqui do alto, afundam
através das frestas dos muros,
nos miados secos
dos gatos vadios
nas vastas ruas
onde carros vagueiam
(vinte e quatro horas - nódoas)
e nas praças talhadas
em granito e sangue:
letargia vermelha...
..no fundo range
uma voz rouca - jazz-blue:
blue?
é um sonho que me lembra...
semelhança...
Passado
Fosse passado
não teria presente
a saudade
Fosse presente
aceitava e até agradecia
- quem não gosta de presente!
não teria presente
a saudade
Fosse presente
aceitava e até agradecia
- quem não gosta de presente!
Desértica
Fecho os olhos
e te invento
tenho tela, tenho pincéis e unhas
de olhos abertos
pesa
pesa-Delos
sem sombras
e te invento
tenho tela, tenho pincéis e unhas
de olhos abertos
pesa
pesa-Delos
sem sombras
domingo, 18 de maio de 2008
Imagens
Enquanto minha voz
te desenha
teus contornos me refazem
calada, só a noite
que assiste meus ensaios
para hora de ver-te
te desenha
teus contornos me refazem
calada, só a noite
que assiste meus ensaios
para hora de ver-te
sábado, 17 de maio de 2008
Deste volume
barragem em meu peito
de neve crua
refluxo em flocos
e o sol que me cega
neste branco infinito
acordo mais um dia.
de neve crua
refluxo em flocos
e o sol que me cega
neste branco infinito
acordo mais um dia.
Ficou tarde
me presto na pressa
de apagar o que passou
da hora
e corro para tomar distância,
depois eu respiro
embora,
nunca tenha havido,
admito:
fiquei impregnada
de apagar o que passou
da hora
e corro para tomar distância,
depois eu respiro
embora,
nunca tenha havido,
admito:
fiquei impregnada
neste caminho
Não há paixão
nem lugar
eu também preciso de água
eu também me revolto
estive clandestina
neste desconforto
neste quarto
de fazer sozinha uma história
nem lugar
eu também preciso de água
eu também me revolto
estive clandestina
neste desconforto
neste quarto
de fazer sozinha uma história
desamparo
Farei poemas
onde houver travas
atrasarei as pressas
meus pedaços arrancados
são minhas partes duvidosas
vacilos de noites em vãos
aqui faço verdades
não as minhas
as verdades da poesia
que tem sua própria boca que fala na minha
onde houver travas
atrasarei as pressas
meus pedaços arrancados
são minhas partes duvidosas
vacilos de noites em vãos
aqui faço verdades
não as minhas
as verdades da poesia
que tem sua própria boca que fala na minha
Assalto
Eram dois
eu tive pena...tive muita pena...
Numa tarde de algum frio, numa rua, no Morumbi, nossos destinos estiveram rentes. Uma volta no carro. Eu fechava o porta-malas e eles me abordaram com a arma dentro da camisa. Um deles, muito nervoso me pedia tudo que estava na bolsa. Eu pedia calma e entreguei a carteira e o celular. Eles correram eu eu corri atrás deles...a polícia chegou...
Jogados e algemados na calçada, eu me vinguei:
- Se fuderam filhosdaputa!
Nove horas na delegacia. Um deles, maior, procurado com vários anos de condenação
o outro, maior há um mês...passagens pela Febem. Hoje, presos em flagrante.
De volta para casa, no trajeto, faço uma ligação de meu celular recuperado. Há muito trânsito. O jogo do São Paulo e Fluminense terminou em 1x0. Vi na TV da Delegacia.
A mãe chorava muito, quando chegou lá levando o documento do filho, que não dormiria em casa.
Tive muita pena daquela mãe.
eu tive pena...tive muita pena...
Numa tarde de algum frio, numa rua, no Morumbi, nossos destinos estiveram rentes. Uma volta no carro. Eu fechava o porta-malas e eles me abordaram com a arma dentro da camisa. Um deles, muito nervoso me pedia tudo que estava na bolsa. Eu pedia calma e entreguei a carteira e o celular. Eles correram eu eu corri atrás deles...a polícia chegou...
Jogados e algemados na calçada, eu me vinguei:
- Se fuderam filhosdaputa!
Nove horas na delegacia. Um deles, maior, procurado com vários anos de condenação
o outro, maior há um mês...passagens pela Febem. Hoje, presos em flagrante.
De volta para casa, no trajeto, faço uma ligação de meu celular recuperado. Há muito trânsito. O jogo do São Paulo e Fluminense terminou em 1x0. Vi na TV da Delegacia.
A mãe chorava muito, quando chegou lá levando o documento do filho, que não dormiria em casa.
Tive muita pena daquela mãe.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Palavrarte
Você na sua vida
e eu na minha
e eu na sua
já faz tempo
jazz no vento
você nu
e eu nua
ao relento
escrevendo poesia
e eu na minha
e eu na sua
já faz tempo
jazz no vento
você nu
e eu nua
ao relento
escrevendo poesia
domingo, 11 de maio de 2008
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Nike
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