eu não herdei os olhos azuis do meu avô paterno.
nem as mãos habilidosas nas cordas de viola de meu avô materno
herdei de minha avó materna a religiosidade dela, a devoção às Nossas Senhoras e o gosto de conversar com os homens
não herdei de minha avó paterna a sua altura e discrição e nem seu jeito afobado quando ia explicar alguma coisa.
meu avô materno tinha tempo para rir. um jeito meio crianç...a e desencanado. sempre tinha dinheiro na carteira e todo dia ele contava as notas. ele não gostava de gastar seu dinheiro.
minha avó materna sabia de tudo. de tudo mesmo que acontecia no mundo. ela pedia para eu coçar suas costas, às vezes, à tarde, depois que eu voltava do colégio. eu detestava isso, mas coçava.
meu primo eu, nas férias, no café da manhã, fazíamos muito barulho quando sorvíamos o café: só pra ver ela brava e explicando que aquilo era muito feio. ficávamos sérios e quando ela se afastava morríamos de rir disso.
meu avô paterno tinha alzheimer, quando morou em minha casa,
minha avó paterna tinha saudades da sua casa e da outra cidade e estava sempre calada. ela tinha uma cruz tatuada no braço e eu sempre perguntava o que queria dizer. eu acho que ela não sabia. ela dizia que não era nada. um dia eles foram embora.
meu avô materno tinha o sorriso mais verdadeiro do mundo. ele também morou em minha casa nos últimos anos de sua vida.
sábado, 13 de julho de 2013
os anjos na noite sobrevoando as ruas do centro de São Paulo, alastrando seu cheiro, liberado pelas narinas esbranquiçadas, pingando o anseio palpitante desequilibrado, a um só tempo o involuntário, a direção definida, decidida, transcendendo aos olhares, com suas asas avançam no desconcerto dos faróis amarelos: vacilantes, como são as luzes noturnas, embriagados de palavras, revelando o frenesi das ansiedades criadoras, no movimento utópico das mãos estendidas, ensurdecidos a cada particularidade. a noite abre suas portas.
quando meu pai morreu, e faz um ano e meio, não houve em mim desespero. não chorei convulsivamente. chorei triste o vazio, e vê-lo imóvel, senti aquele frio que sente quem sabe que não terá nunca mais o velho cobertor e nunca mais sentiria aquele gozo de saber que era amada, apesar de mim. minha calma e sossego, por ele proclamada, para sempre descoberta. ele dizia que eu nunca ia envelhecer, porq...ue não esquentava a cabeça com nada. eu não me apavorava com nada. eu gostava de ouvir isso, mas sabia que eu era diferente disso. mas para ele eu era assim como ele dizia. isso que me importava. eu não questionava. eu gostava disso. mas ele se foi. a dor que se sente é inerte num momento de dor. a vida estava mesmo difícil. chorar, para mim, nunca foi um alívio, como muitos costumam dizer: chora que alivia. passo mal quando choro. fico dias zonza. mas porque estou lembrando agora de meu pai? eu continuei, nos dias seguintes à sua perda a não chorar e lembrava de várias coisas. uma vida repassando em pedaços. eu queria saber porque isso acontecia. talvez eu não tivesse que perdoá-lo por nada e nem sentia que ele me devesse algum perdão. meu pai. lembrá-lo dá vontade de tomar um sorvete lá na pracinha. ele gostava de sorvete de limão. faz muito calor no interior e hoje está bastante quente. meu pai...
detentos rumores
volta e dorme
sua incansável
inalcançável
essa resposta
... desvendar os olhos
descalçar as luvas
voltar à superfície
eu custo abandonar um caminho
antes de tentar
deixar tudo no seu devido lugar
uma história incompleta
como era para ser
as mensagens no celular
de madrugada
vão definindo os rumos
as águas se separam
o mar é um leito onde ninguém mais irá se reconhecer
quando o dia surgiu
os carros continuavam apressados
as esquinas pareciam estrangeiras
o sol de outono beija a face da noite embriagada
muda
rumo ao leito
o destino arranca as folhas prateadas de linhas pré desenhadas
antes do conhecimento, as fantasias
cabe o que não cabe
as formas disformes
nesse caso
brutalidades aos pés inocentes
volta e dorme
sua incansável
inalcançável
essa resposta
... desvendar os olhos
descalçar as luvas
voltar à superfície
eu custo abandonar um caminho
antes de tentar
deixar tudo no seu devido lugar
uma história incompleta
como era para ser
as mensagens no celular
de madrugada
vão definindo os rumos
as águas se separam
o mar é um leito onde ninguém mais irá se reconhecer
quando o dia surgiu
os carros continuavam apressados
as esquinas pareciam estrangeiras
o sol de outono beija a face da noite embriagada
muda
rumo ao leito
o destino arranca as folhas prateadas de linhas pré desenhadas
antes do conhecimento, as fantasias
cabe o que não cabe
as formas disformes
nesse caso
brutalidades aos pés inocentes
a gente sabe exatamente quando morre para alguma coisa. sua boca cala e fica essa sensação de suspensão. uma dor no peito. uma lágrima que não cai. um sentido barrado. e distância. e solidão. acho que solidão é mais ou menos isso: o nada que se pode fazer. até que se molde. incorpore. até que se integre. até que seque. esqueletos. assim nos tornamos esqueletos. e alheios. até que passe ou não.
domingo, 31 de março de 2013
interessante é a inconveniência
é o desconcerto daquele que repudia os seus contrários
é a tentativa em obter a razão
interessante não é a bondade mas o que se apresenta como seu representante
interessante é a mocinha revoltada pagando de vítima
interessante é cobrar o que lhe seria impossível dar
interessante é o gueto acomodado em almofadas
interessante é o padre dizendo - vamos repartir o pão - enquanto recolhe o dízimo
é o poeta esbravejando no meio da rua e sendo levado a sério
é o cara que fala mal da mina que o aniquila e quando todos sentirem pena dele, ele fugirá com ela, a sua rainha
é o outro que tudo faz em troca de nada desde que lhe deem tudo que quiser
e ele lhe falando de amor e no dia seguinte aparecer encantado por outra
interessante é o que lhe convém. o resto é literatura.
(Ivone fs)
13/06/2012
é o desconcerto daquele que repudia os seus contrários
é a tentativa em obter a razão
interessante não é a bondade mas o que se apresenta como seu representante
interessante é a mocinha revoltada pagando de vítima
interessante é cobrar o que lhe seria impossível dar
interessante é o gueto acomodado em almofadas
interessante é o padre dizendo - vamos repartir o pão - enquanto recolhe o dízimo
é o poeta esbravejando no meio da rua e sendo levado a sério
é o cara que fala mal da mina que o aniquila e quando todos sentirem pena dele, ele fugirá com ela, a sua rainha
é o outro que tudo faz em troca de nada desde que lhe deem tudo que quiser
e ele lhe falando de amor e no dia seguinte aparecer encantado por outra
interessante é o que lhe convém. o resto é literatura.
(Ivone fs)
13/06/2012
Nossos mundos paralelos
os garotos de minha geração eram sensíveis, gostavam de mpb e rock in roll. fumavam um baseado, tomavam chá de cogumelo, tomavam muita cerveja, vodca e uísque. falavam de cinema, compravam o último lp de música lançado. usavam jeans bem surrados tênis all star. riam muito liam muito e cantávamos ao som de violão no clube da cidade aos domingos à tarde. éramos jovens e comentávamos sobre todos os acontecimentos. política naufrágios música cinema livros HQs e tínhamos fixação pelos Estados Unidos, o bom e ruim de lá, na nossa opinião. Janis Joplin e Elis eram a nossas rainhas, Caetano e Chico nossos reis, entre tantos outros. os meninos de minha geração, de minha cidade, tinham com as meninas cumplicidade. nossas conversas e opiniões e ouvidos era o mesmo tom. nos reuníamos para ver "2001 uma Odisséia no espaço" e para ouvir o novo lançamento do Pink Floyd. eu percebo agora, bem de longe, que eles não eram machistas. e foi nessa ordem que aprendi a ter amigos homens e por muito tempo eu preferia meus amigos às amigas. as mulheres se competem muito, tem ciúme demais e quase nada de lealdade, era que eu concluía quase sempre. é claro que nem todos meus amigos daquela época eram assim. com esses eu me identificava mais. nunca usei drogas, a não ser experimentar e era unânime de que eu não precisava, pois era alegre demais e "viajava demais", como eles diziam. eles não contabilizavam as cervejas e as vodkas, me parece agora. os garotos de minha geração eram todos "intelectuais" e andavam de mãos dadas com suas namoradas. a nossa palavra preferida era: FESTA!!! na casa de quem hoje?! éramos jovens numa cidadezinha do interior. eu só queria uma coisa: morar na maior cidade da América latina e já faz bastante tempo que aqui estou. (Ivone fs)
14/07/2012
os garotos de minha geração eram sensíveis, gostavam de mpb e rock in roll. fumavam um baseado, tomavam chá de cogumelo, tomavam muita cerveja, vodca e uísque. falavam de cinema, compravam o último lp de música lançado. usavam jeans bem surrados tênis all star. riam muito liam muito e cantávamos ao som de violão no clube da cidade aos domingos à tarde. éramos jovens e comentávamos sobre todos os acontecimentos. política naufrágios música cinema livros HQs e tínhamos fixação pelos Estados Unidos, o bom e ruim de lá, na nossa opinião. Janis Joplin e Elis eram a nossas rainhas, Caetano e Chico nossos reis, entre tantos outros. os meninos de minha geração, de minha cidade, tinham com as meninas cumplicidade. nossas conversas e opiniões e ouvidos era o mesmo tom. nos reuníamos para ver "2001 uma Odisséia no espaço" e para ouvir o novo lançamento do Pink Floyd. eu percebo agora, bem de longe, que eles não eram machistas. e foi nessa ordem que aprendi a ter amigos homens e por muito tempo eu preferia meus amigos às amigas. as mulheres se competem muito, tem ciúme demais e quase nada de lealdade, era que eu concluía quase sempre. é claro que nem todos meus amigos daquela época eram assim. com esses eu me identificava mais. nunca usei drogas, a não ser experimentar e era unânime de que eu não precisava, pois era alegre demais e "viajava demais", como eles diziam. eles não contabilizavam as cervejas e as vodkas, me parece agora. os garotos de minha geração eram todos "intelectuais" e andavam de mãos dadas com suas namoradas. a nossa palavra preferida era: FESTA!!! na casa de quem hoje?! éramos jovens numa cidadezinha do interior. eu só queria uma coisa: morar na maior cidade da América latina e já faz bastante tempo que aqui estou. (Ivone fs)
14/07/2012
Dor febril
quisera o tempo que eu esperasse
eu esperei
tanto é frio se há febre
ainda lembro de um aquário e aqueles peixes se batendo no vidro
a sala estranha
a espera de um aconchego
os anjos no teto, quietos
as bolhas de oxigênio na água
a espuma lembrando o limbo
uma vontade de libertar os peixes
deitada no sofá de uma casa alheia
uma moleza involuntária
os peixes se batendo no vidro
a prisão vista de dentro
o mundo é triste quando se está triste.
(Ivone fs)
15/07/2012
quisera o tempo que eu esperasse
eu esperei
tanto é frio se há febre
ainda lembro de um aquário e aqueles peixes se batendo no vidro
a sala estranha
a espera de um aconchego
os anjos no teto, quietos
as bolhas de oxigênio na água
a espuma lembrando o limbo
uma vontade de libertar os peixes
deitada no sofá de uma casa alheia
uma moleza involuntária
os peixes se batendo no vidro
a prisão vista de dentro
o mundo é triste quando se está triste.
(Ivone fs)
15/07/2012
não herdei os olhos azuis do meu avô paterno.
nem as mãos habilidosas nas cordas de viola de meu avô materno
herdei de minha avó materna a religiosidade dela, a devoção às Nossas Senhoras e o gosto de conversar com os homens
não herdei de minha avó paterna a sua altura e discrição e nem seu jeito afobado quando ia explicar alguma coisa.
meu avô materno tinha tempo para rir. um jeito meio criança e desencanado. sempre tinha dinheiro na carteira e todo dia ele contava as notas. ele não gostava de gastar seu dinheiro.
minha avó materna sabia de tudo. de tudo mesmo que acontecia no mundo. ela pedia para eu coçar suas costas, às vezes, à tarde, depois que eu voltava do colégio. eu detestava isso, mas coçava.
meu primo eu, nas férias, no café da manhã, fazíamos muito barulho quando sorvíamos o café: só pra ver ela brava e explicando que aquilo era muito feio. ficávamos sérios e quando ela se afastava morríamos de rir disso.
meu avô paterno tinha alzheimer, quando morou em minha casa,
minha avó paterna tinha saudades da sua casa e da outra cidade e estava sempre calada. ela tinha uma cruz tatuada no braço e eu sempre perguntava o que queria dizer. eu acho que ela não sabia. ela dizia que não era nada. um dia eles foram embora.
meu avô materno tinha o sorriso mais verdadeiro do mundo. ele também morou em minha casa nos últimos anos de sua vida.
(Ivone fs)
26/07/2012
nem as mãos habilidosas nas cordas de viola de meu avô materno
herdei de minha avó materna a religiosidade dela, a devoção às Nossas Senhoras e o gosto de conversar com os homens
não herdei de minha avó paterna a sua altura e discrição e nem seu jeito afobado quando ia explicar alguma coisa.
meu avô materno tinha tempo para rir. um jeito meio criança e desencanado. sempre tinha dinheiro na carteira e todo dia ele contava as notas. ele não gostava de gastar seu dinheiro.
minha avó materna sabia de tudo. de tudo mesmo que acontecia no mundo. ela pedia para eu coçar suas costas, às vezes, à tarde, depois que eu voltava do colégio. eu detestava isso, mas coçava.
meu primo eu, nas férias, no café da manhã, fazíamos muito barulho quando sorvíamos o café: só pra ver ela brava e explicando que aquilo era muito feio. ficávamos sérios e quando ela se afastava morríamos de rir disso.
meu avô paterno tinha alzheimer, quando morou em minha casa,
minha avó paterna tinha saudades da sua casa e da outra cidade e estava sempre calada. ela tinha uma cruz tatuada no braço e eu sempre perguntava o que queria dizer. eu acho que ela não sabia. ela dizia que não era nada. um dia eles foram embora.
meu avô materno tinha o sorriso mais verdadeiro do mundo. ele também morou em minha casa nos últimos anos de sua vida.
(Ivone fs)
26/07/2012
os anjos na noite sobrevoando as ruas do centro de São Paulo, alastrando seu cheiro, liberado pelas narinas esbranquiçadas, pingando o anseio palpitante desequilibrado, a um só tempo o involuntário, a direção definida, decidida, transcendendo aos olhares, com suas asas avançam no desconcerto dos faróis amarelos: vacilantes, como são as luzes noturnas, embriagados de palavras, revelando o frenesi das ansiedades criadoras, no movimento utópico das mãos estendidas, ensurdecidos a cada particularidade. a noite abre suas portas. (Ivone fs)
24/09/2012
24/09/2012
domingo, 24 de junho de 2012
19/06/2012
eu não te dou minha tristeza estampada para que não tenhas piedade. eu suportaria teu sarcasmo, tua ironia, tua indiferença, mas jamais tua piedade. minha tristeza só de perceber a tua não compete. não olhes os meus pecados. afasta tua mão. eu não dou a mínima para tua solidão
18/06/2012
Angariava o que naquelas ruas?
o estranhamento oculto
em disfarces erigidos
tudo um incômodo
o conhecido é o estrangeiro
secou o último fio de saliva
assustou-se com a própria voz
e eram os transeuntes
os animais assustados
naquela pressa
onde o passo deselegante
passa baixo
lambem o chão, os olhos
correm para suas tocas
a rua é dos loucos
hóspedes iluminados
livres dos degraus das catedrais e seus portões eletrônicos
o humano apedregulhou-se
o estranhamento oculto
em disfarces erigidos
tudo um incômodo
o conhecido é o estrangeiro
secou o último fio de saliva
assustou-se com a própria voz
e eram os transeuntes
os animais assustados
naquela pressa
onde o passo deselegante
passa baixo
lambem o chão, os olhos
correm para suas tocas
a rua é dos loucos
hóspedes iluminados
livres dos degraus das catedrais e seus portões eletrônicos
o humano apedregulhou-se
10/06/2012
- recebi a fatura do cartão de crédito e vi que vou ficar no vermelho
- ixi, e o que você comprou?
- uns gibis, vinil, um casaco xadrez e o resto tudo em bar...
- aí onde você mora tem uma banca de jornal perto?
- hummm, não. acho que não
- e sebo, tem?
- não. não tem sebo
- então não é um bom lugar
- que você quer ganhar no dia dos namorados?
- o CD da Patti Smith, claro!
- pode ser cópia?
- ixi, e o que você comprou?
- uns gibis, vinil, um casaco xadrez e o resto tudo em bar...
- aí onde você mora tem uma banca de jornal perto?
- hummm, não. acho que não
- e sebo, tem?
- não. não tem sebo
- então não é um bom lugar
- que você quer ganhar no dia dos namorados?
- o CD da Patti Smith, claro!
- pode ser cópia?
Ressonãncia
providenciou o tempo
que todas as flores caíssem
desafiou seus olhos a olhar o caos
e ela ergueu-se em suas asas invisíveis
não gemeu sobre nenhuma gota estupidamente arrancada
uma altivez indevassável
nunca se rendeu
não cuspiu o amargo
não soterrou as mágoas
não expurgou o desespero
não anestesiou a dor
arranjou-os todos em seu sangue
era um caminho desviado do mar
colheu o subjetivo onde passou a habitar
as vozes escritas ressoando as ausências
as companhias vorazes
sempre o cerne do fogo
como o vício cego
pagando o preço da vida
o abate do the day after
os acordes sobre pincéis molhados
cores rubras naqueles rostos sonhadores
eles passam e ela os deixa
um novo filme
play arte aos refugiados
e sobre todas as coisas
o zumbido de algum plano
distorcido
conta teus passos, amor,
teu vai e vem não o trouxe até mim
onde está tua voz eloquente?
o disfarce de teu olhar silencioso
angustiando o meu.
que todas as flores caíssem
desafiou seus olhos a olhar o caos
e ela ergueu-se em suas asas invisíveis
não gemeu sobre nenhuma gota estupidamente arrancada
uma altivez indevassável
nunca se rendeu
não cuspiu o amargo
não soterrou as mágoas
não expurgou o desespero
não anestesiou a dor
arranjou-os todos em seu sangue
era um caminho desviado do mar
colheu o subjetivo onde passou a habitar
as vozes escritas ressoando as ausências
as companhias vorazes
sempre o cerne do fogo
como o vício cego
pagando o preço da vida
o abate do the day after
os acordes sobre pincéis molhados
cores rubras naqueles rostos sonhadores
eles passam e ela os deixa
um novo filme
play arte aos refugiados
e sobre todas as coisas
o zumbido de algum plano
distorcido
conta teus passos, amor,
teu vai e vem não o trouxe até mim
onde está tua voz eloquente?
o disfarce de teu olhar silencioso
angustiando o meu.
13/06/2012
interessante é a inconveniência
é o desconcerto daquele que repudia os seus contrários
é a tentativa em obter a razão
interessante não é a bondade mas o que se apresenta como seu representante
interessante é a mocinha revoltada pagando de vítima
interessante é cobrar o que lhe seria impossível dar
interessante é o gueto acomodado em almofadas
interessante é o padre dizendo - vamos repartir o pão - enquanto recolhe o dízimo
é o poeta esbravejando no meio da rua e sendo levado a sério
é o cara que fala mal da mina que o aniquila e quando todos sentirem pena dele, ele fugirá com ela, a sua rainha
é o outro que tudo faz em troca de nada desde que lhe deem tudo que quiser
e ele lhe falando de amor e no dia seguinte aparecer encantado por outra
interessante é o que lhe convém. o resto é literatura.
é o desconcerto daquele que repudia os seus contrários
é a tentativa em obter a razão
interessante não é a bondade mas o que se apresenta como seu representante
interessante é a mocinha revoltada pagando de vítima
interessante é cobrar o que lhe seria impossível dar
interessante é o gueto acomodado em almofadas
interessante é o padre dizendo - vamos repartir o pão - enquanto recolhe o dízimo
é o poeta esbravejando no meio da rua e sendo levado a sério
é o cara que fala mal da mina que o aniquila e quando todos sentirem pena dele, ele fugirá com ela, a sua rainha
é o outro que tudo faz em troca de nada desde que lhe deem tudo que quiser
e ele lhe falando de amor e no dia seguinte aparecer encantado por outra
interessante é o que lhe convém. o resto é literatura.
09/06/2012
eu sei duas coisas muito bem:
ficar longe de você
ou ficar bem perto
por que mais ou menos é muita tortura
ficar longe de você
ou ficar bem perto
por que mais ou menos é muita tortura
11/06/2012
quantas vezes tive que ter certeza de que era incerto. ficar parada numa encruzilhada, sentindo o vento assobiando em meus cabelos, cobrindo meu rosto, contemplando a dúvida, numa demora de quem espera, ainda para hoje, todos os anos em que a mesma sensação me tomou conta. a estátua estática. em volta? sentenças, tratados, alianças, rupturas, abandono, sacrifícios, cria, criadores, ossos, sangue, saliva... vida.
13/05/2012
mãe, aqui está tudo estranho. continuo confusa e defendendo aqueles meus pontos de vista lamentáveis. o Lu está com treze anos. é meu companheirinho, conversamos muito e ele é muito doce e inteligente e um monte de outras coisas. eu me separei já faz uns oito anos e stá tudo bem com relação a isso. sabe, mãe, nunca me esqueço da nossa última conversa e de quando você disse para aquela enfermeira, no corredor do hospital: "esta é minha filha". estávamos com muito medo e você esperava que o pai chegasse antes do amanhecer. ele não conseguiu chegar antes de você dormir...mãe, tem alguma poesia colorindo o mundo e seu nome é uma delas. até qualquer hora. beijão
02/05/2012
eu queria lavar suas coxas seus joelhos calcanhares
lavar seus pés. olhar de baixo seu olhar
sorver a água que escorre de seu rosto
sua vaidade invadida atônita
tempo instável
ruídos do dia das ruas da cidade trilha sonora
eu queria falar com muita naturalidade: hoje está frio chove um pouco está tudo bem
lavar seus pés. olhar de baixo seu olhar
sorver a água que escorre de seu rosto
sua vaidade invadida atônita
tempo instável
ruídos do dia das ruas da cidade trilha sonora
eu queria falar com muita naturalidade: hoje está frio chove um pouco está tudo bem
13/04/2012
e eu nunca sei de nada
porque eu ando pelas ruas e falo sozinha
nenhuma conclusão sobre nada
uma culpa renitente porque sou mãe
a espera do lugar silencioso
lá fora tem um parque onde as pessoas ficam caminhando
parecem bem animadas
outro dia eu também estava bem animada
eu andava de mãos dadas com um antigo namorado numa rua no Rio de Janeiro e lá era outro tempo
eu nem pensava no ontem nem amanhã
eu até fiquei mais calada como quem está bem alegre e só quer olhar para as coisas com o alheamento de não se importar com coisa alguma mundana
o feriado corre
fiquei ilhada
faço várias coisas não por escolha
não cumpro com a rotina dia
não telefono
levanto fora de hora
almoço fora de hora
perdi a fome no jantar
outro dia fui ao teatro e revi uma peça
não dormi desta vez
quase
eu fico pensando muitas coisas
e eu nunca sei de nada
porque eu ando pelas ruas e falo sozinha
nenhuma conclusão sobre nada
uma culpa renitente porque sou mãe
a espera do lugar silencioso
lá fora tem um parque onde as pessoas ficam caminhando
parecem bem animadas
outro dia eu também estava bem animada
eu andava de mãos dadas com um antigo namorado numa rua no Rio de Janeiro e lá era outro tempo
eu nem pensava no ontem nem amanhã
eu até fiquei mais calada como quem está bem alegre e só quer olhar para as coisas com o alheamento de não se importar com coisa alguma mundana
o feriado corre
fiquei ilhada
faço várias coisas não por escolha
não cumpro com a rotina dia
não telefono
levanto fora de hora
almoço fora de hora
perdi a fome no jantar
outro dia fui ao teatro e revi uma peça
não dormi desta vez
quase
eu fico pensando muitas coisas
e eu nunca sei de nada
03/04/2012
adorei o final do sonho: inesperado, doce, absolutamente envolvente. como uma parede de vidro que se quebra e lava o chão de granizo. foi assim aqui dentro quando me puxou pela mão e me pediu para encostar a cabeça em seu peito. choveu a inversão da ruptura, como um beijo que já se sabe sem ainda sê-lo.
(esses sonho se repete há muito tempo. o mesmo personagem. as cenas parecidas, mas hj foi um pouco diferente)
(esses sonho se repete há muito tempo. o mesmo personagem. as cenas parecidas, mas hj foi um pouco diferente)
01/04/2012
ninguém roube meu sonho
meu amor garante a liberdade de não esconder-me
nem rastejar-me na humilhante subserviência
meu amor acorda e dorme absolvendo as desgraças
meu amor conhece a impotência diante dos inevitáveis desvios
meu amor não cobra a presença
espera o amor, não uma justificativa
meu amor é um pássaro em teu peito
um descanso no meio da jornada
meu amor tolera o delírio
crê nas palavras não ditas
ouve os transeuntes
pacienta nas tormentas
meu amor é um sino no vilarejo
a criança descalça caminhando rumo ao tédio do entardecer
meu amor passou pelas tempestades
rangeu os dentes em madrugadas intermináveis
no temor ao dia seguinte
colidiu com os escravos
meu amor atravessou o mar vermelho
venceu o barulho
silenciou em última instância
meu amor é um pouso
meu amor é um voo
um pouco de Deus
minha porção sagrada
(Ivone fs)
meu amor garante a liberdade de não esconder-me
nem rastejar-me na humilhante subserviência
meu amor acorda e dorme absolvendo as desgraças
meu amor conhece a impotência diante dos inevitáveis desvios
meu amor não cobra a presença
espera o amor, não uma justificativa
meu amor é um pássaro em teu peito
um descanso no meio da jornada
meu amor tolera o delírio
crê nas palavras não ditas
ouve os transeuntes
pacienta nas tormentas
meu amor é um sino no vilarejo
a criança descalça caminhando rumo ao tédio do entardecer
meu amor passou pelas tempestades
rangeu os dentes em madrugadas intermináveis
no temor ao dia seguinte
colidiu com os escravos
meu amor atravessou o mar vermelho
venceu o barulho
silenciou em última instância
meu amor é um pouso
meu amor é um voo
um pouco de Deus
minha porção sagrada
(Ivone fs)
Lapa
expõe tua alegoria
um filete de ruídos ladeados por velhas janelas
um encanto emaranhado de tempos idos
o perfume recente do teu umbigo
arrepio proposital causado por minhas mãos
eu danço na incandescência orbital de um canto original
tocar-te o sexo
disponho da memória
da intimidade de te ser conhecida
teu antigo afair
senão fora a morte
o tempo cobre
a sorte emblemática
mãos entrelaçadas
que importa o lixo na rua?
o prédio em restauração
a comida mal servida
o dinheiro gasto?
tocar-te o rosto
no fundo dos teus olhos as promessas incutidas
decifro minha face
invado
o Rio nos escolhe
acolhe atemporal
atento
a tempo de ver o sol
através dos vãos de uma apoteose vazia
tenho ciência de não pensar em nada
a Rua Riachuelo brotou em peito.
Ivone fs
26/03
naquela noite olhou para o céu e não era poesia
uma estrela solitária brilhando a ermo
um brilho involuntário
alheio
ardia
naquela noite uma criança dormia
sem beijo de boa noite
naquela noite não era sereno seu sono:
implorar amor tem sua hora de cansaço e sabedoria:
viver só
não é escolha
(Ivone fs)
uma estrela solitária brilhando a ermo
um brilho involuntário
alheio
ardia
naquela noite uma criança dormia
sem beijo de boa noite
naquela noite não era sereno seu sono:
implorar amor tem sua hora de cansaço e sabedoria:
viver só
não é escolha
(Ivone fs)
26/03/2012
se é difícil o domínio
o auto controle
que exploda
se há nuvem escura
que chova
se me condenas
que morra!
o auto controle
que exploda
se há nuvem escura
que chova
se me condenas
que morra!
25/03/2012
é preciso quebrar a monotonia. possibilitar a criatividade. tirar os olhos do chão. transformar o obsoleto. perder o medo de sentir medo. sair do controle. surpreender-se. cortar o cabelo. pintar a unhas de verde. comer sem neuroses. falar menos de estética. ir ao teatro. olhar as ruas. andar a pé. tomar picolé. é preciso mais vida e menos prisão.
(Ivone fs)
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
26/02/2012
veja só:
tudo se esgota
a melodia blues que me faz rir (ou chorar)
se esgota
o assunto polêmico se esgota
veja só
o jogo de futebol se esgota
as tentativas de mostrar-me ou esconder-me se esgotam
o dia voa e nem terminei de arrumar a casa
o dia se esgota
o conto se esgota
a poesia se esgota
substitutivos passageiros do seu lugar
tudo se esgota
a melodia blues que me faz rir (ou chorar)
se esgota
o assunto polêmico se esgota
veja só
o jogo de futebol se esgota
as tentativas de mostrar-me ou esconder-me se esgotam
o dia voa e nem terminei de arrumar a casa
o dia se esgota
o conto se esgota
a poesia se esgota
substitutivos passageiros do seu lugar
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
22/02/2012 - Santos
porque uma hora a água que misturada à areia permite que esta repouse e isso me parece bom para ambas. (Ivone fs)
20/02/2012 - Santos
às vezes o amor passa por você e vai embora
o amor não tem parada
é como água, como vento
é um andarilho
o amor sempre procura a entrada e sempre sabe a saída
o amor é senhor de si
eu já entendi (Ivone fs)
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
15/02/2012
a mesma pessoa que é chamada de um presente de Deus na vida de alguém pode também ser chamada de um demônio na vida de outra.
13/02/2012
os movimentos todos
é um terremoto
sobre o qual eu custo um eixo
se antes de longe assistia
se hoje interno
cada vez mais
mais clara a impossibilidade
de ser a escolha
o solo onde danço
só ensaio
(Ivone fs)
12/02/2012
o dinheiro não é o mal dos homens. o dinheiro além do necessário também proporciona o deleite dos supérfluos. o dinheiro maquia as imperfeições. o dinheiro acelera o amanhã. o dinheiro encurta os caminhos. o dinheiro sugere as armadilhas do gosto. o dinheiro retarda o envelhecimento. o dinheiro é irmão da estética. o dinheiro ignora todo lixo. o dinheiro ordena. o dinheiro, enfim, me faria ficar ...aqui dias e dias discorrendo sobre todas as suas possibilidades, mas o que quero dizer não é isso. eu quero dizer que o dinheiro é uma infinidade de coisas boas sim. o único problema do dinheiro é o homem que não sabe mantê-lo no seu lugar. o homem o coloca acima dele. o homem não tem dúvida sobre o valor do dinheiro. o problema não é do dinheiro. o mal não é o dinheiro. o homem não consegue amar mais a ele mesmo do que ama o dinheiro. esse é o maior motivo de seu vazio. o homem não é livre para amar. o homem vive nas grades do dinheiro e se arrasta pelas suas mãos. o homem finge que é agradável porque espera o dinheiro. o homem se interessa por aquilo que lhe promete dinheiro. o homem não sabe amar. o homem só pensa no dinheiro. o homem finge que ama. a consequência podia virar dinheiro. a consequência do amor. mas a consequência do dinheiro é a que fica: o vazio (Ivone fs)
11/02/2012
e se não houvessem partidos políticos? e se votásssemos em candidados que não foram pré escolhidos pelos coronéis dos partidos? vivemos mesmo numa democracia?
eu quero poder votar no Paulo de Tharso para Presidente. No Grima Grimaldi para Senador, no Marcelo Mirisola para Deputado Federal, Na Lu Duarte para vereadora... eu quero ser livre para votar
eu não quero votar no candidato que eles escolhem. cada partido escolhe um candidato para Prefeito, um p/ Governador e um Presidente. nós não escolhemos. nós apenas validamos a escolha deles.
08/02/2012
não se espera dignidade dos fudidos mas é diante deles que os hipócritas se vangloriam. ambos têm ciência disso. (Ivone fs)
05/02/2012
cinco minutos de atenção. ainda penso que aquele rivotril que abandonei me daria um dia melhor. neutralidade. a água parada na superfície. o cuidado de reparar no descompasso do teto tão branco que hipnotiza. vertigem. um passo custa. eles se afligem. os outros. eles lamentam pela mulher amada que foi embora e elas tinham o sorriso mais lindo do mundo. eles gesticulam. eles pedem socorro. eu não tenho pena. estou neutra demais. ele me disse que antes eu era mais criativa. eu respondi que antes eu era mais muitas outras coisas. eu não tenho pena de mim. uma hora, talvez, renasça aquele gosto de ilusão. aquele gosto que faz você passar o dia se cuidando, que faz você perder a respiração, aquele gosto de ansiedade que faz você derrubar as coisas da mão, que te atropela. chorar é para os aflitos. os neutros não se importam se hoje vai chover. se a estação é primavera. se hoje à noite a lua virá cheia. os neutros adormecem. acordam. e só as vezes suspiram, quando alguém inesperadamente lhe chamam. mas isso é tão específico. (Ivone fs)
01/02/2012
nós, os desajustados, almejamos cada vez mais a liberdade, pois sabemos o quanto os normais não nos suportam e seria correto dizer que também não os suportamos (Ivone fs)
28/01/2012
o controle prova da sua fragilidade quando inverte sua condição
as mãos e os resquícios daquilo que uiva quando era indesejável o ruído
a punição. autoflajelo. a dor espalhada sufocando o ato incontido. os cortes não cortam a dor. o dia amanhece. a noite virá socorrê-lo. sempre vem. (Ivone fs)
26/01/2012
você está feliz?
então está onde gostaria
como gostaria
com quem gostaria
só os determinados chegam lá
tão iludidos que acreditam
ser lá o paraíso
se assim vissem
com meus olhos desiludidos
olhassem bem
seriam só
despidos
voltando para casa
deixando para traz todo dia
morrendo e nascendo
às vezes
num lapso
beijar o mar
suavemente o sal
um gosto de vida
a verdade é uma palavra que depende de crença
e nem todos acreditam
em tuas
palavras
é doce a sinfonia de não se importar
(Ivone fs)
26/01/2012
sonhei que toda gente parava
e lia encantanda
do canteiro central
na fachada de uma construção
numa avenida de São Paulo
- acho que era Jabaquara -
poemas de Hilda Hist
e alguém perguntava:
" será que estão nos livros"
outro respondia
"acho que esses não"
e o poema falava da boca de uma mulher que estava cheia de formigas...
ah!
e esses nem eram versos de Hilda Hilst
é a imensidão dos sonhos
onde contêm
o que na vida real não existe.
(Ivone fs)
25/01/2012
o mesmo cara que um dia me chamou de "babacona", (meu post de 19/01) me enviou a seguinte mensagem no celular, ontem à noite às 23:51 :
"Ivone: Estou aqui com a minha namorada e não estamos entendendo o motivo da sua ligação. de qualquer forma, POR FAVOR, não nos importune mais! De: (...)."
Acontece que meu celular que, obviamente, ele mantém em sua agenda é pré-pago, está sem crédito há mais de 3 meses e apenas recebe ligações. estou usando um outro de outra operadora faz tempo e mantenho esse por ser número antigo e etc.
as pessoas manipulam coisas (?). talvez nem seja ele o responsável pela infantilidade, mas alguém insegura, maldosa e sem escrúpulos assinando por ele, com o aval dele, talvez, pois ninguém usaria um objeto meu, sem que eu soubesse, como cúmplice (?) ou então o caso é mais grave. ou , talvez, seja ele sim. lamentável, de qualquer jeito.
"não nos importune mais" é, realmente, mais lamentável ainda. talvez fosse esse seus desejos. vai saber. há pessoas que para se valorizarem precisam, no mínimo, se enganar tentando nos igualar a elas? vai saber... não, meu bem, eu jamais cometi qualquer ato em relação a vocês a não ser este agora.
22/01/2012
vãos de toda coisa
todo esforço é inútil. as declarações a hora marcada as promessas é inútil. despertar é inútil. calar é inútil. o jogo é um prolongamento do inútil. a pausa é inútil. telefonar é inútil. vinte e um anos é inútil. um dia é inútil. a dor é inútil. esperança é inútil. vomitar é inútil.
escrever é a única coisa que parece útil hoje.
1/01/2012
um dia um cara me chamou de "babacona" porque ele estava fazendo um jogo duplo e eu contei para garota e porque o jogo duplo era comigo. ele não era aquele cara tão religioso tão bom moço tão romântico e sincero e sofredor como gostava de reproduzir. ou até era tudo isso. ou até é tudo isso. não o foi comigo. podia ter sido um rompante momentâneo de ira por parte dele, mas eu sei quando o cerne é tocado. eu consegui provocar a ira do bom moço . eu sou muito discreta, mas algumas coisas eu nunca deixo pra lá. eu sofria de uma terrível enxaqueca e chorava muito no escuro, há muito tempo atrás e pensava que não era preciso fazer nada quando algo incomodava. o universo cuidaria disso. e cuida. já tive provas e provas disso. mas o problema era a enxaqueca. estava agora pouco lendo um texto de um amigo querido (o Cassiano Antico) e fiquei pensando em como as pessoas entram em nossas vidas e de como as identificamos e tudo o que vem junto. eu fiz muito bem a ele e pouco importa se ele percebe ou não. eu sei que fiz. não pelo que tivemos mas pelo que resultou. à vezes para você chegar a algum lugar é preciso enfrentar alguma esfinge. acho muito louca a forma como tudo isso acontece. os traços de nossas vidas e como diz o (Mario Bortolotto): está tudo certo e eu não imaginava que fosse ser diferente disso. (Ivone fs)
15/02/2012
minha visão é distorcida. tenho pensado nisso. uma garota me diz ontem num bar, enquanto falávamos de arte e sucesso, que para ela é muito claro que só os bem sucedidos financeiramente são os reais fodões, que é muito simples sacar isso: se o cara ganhou dinheiro com o que faz, então ele é o cara, senão não passa de um fudido, semelhante a um mendigo. algumas pessoas sabem bem distinguir as coisas. outro dia uma outra mulher me disse que só consegue se apaixonar se o cara tiver grana. ontem, depois da conversa com a garota, quando fui validar minha comanda para ir embora do um bar, brinquei com um amigo: "paga a minha conta?" ele entrou em pânico momentâneo. daí eu disse "seu bobo, eu não devo nada nessa comanda, já paguei a outra e fiz uma nova para voltar e ouvir uma música" e daí ele riu e disse "não deve nada? como você é barata, meu filho devia casar com você" e acrescentou "claro que se você precisasse eu ia pagar sim sua conta". ele não sabe, talvez, que caro é justamente o que não tem preço. as pessoas estão formatadas ou é impressão minha? com o enorme apelo religioso que inunda o país e tantos professores na TV dando aulas de bom comportamento de saúde e bem estar o que pressinto é um vazio. um grande vazio e bocas e corpos se movendo em torno de suas armadilhas. a respiração está cada vez mais acelerada. para onde querem todos ir??
(Ivone fs)
14/01/2012
o Mário Bortolotto escreve umas coisas que me deixam com uma sensação de que sob o manto da existência ( enquanto ouço, agora, um blues dos Bêbados Habilidosos) existe um Deus inquieto assistindo tudo assentindo tudo e ele, o Deus, diz amém enquanto ele aqui cumpre cada centímetro como se um fiel filho da transcrição sagrada da vida fosse, não num papel, mas num destino incorruptível com sua verdade. impossível ficar imune e nem desejo a impunidade de seus textos.
12/01/2012
hoje estou delicada
quero dizer, sensível
quero dizer, desacelerada
era bom ficar sentada olhando o mar
mas sem falar (o mar anda tão longe daqui)
é isso: hoje queria muito ficar quieta e ir fazendo as coisas (só as que eu quero) sem nenhuma interferência, sem pressa e em completo silêncio
há dias que são insuportáveis os barulhos paralelos
15/12/2011
enho meus péssimos hábitos e um pedido importante: não tente me mudar com esse seu padrãozinho.
10/12/2011
eu tinha uma enorme inclinação para com o silêncio. sonhava com conventos ou quartos em hotéizinhos no exterior. para ser bem exata eu sonhava morar em Praga. não conhecer ninguém. não falar com ninguém. sempre me senti ameaçada. eu queria me esconder. nunca fui a menina escolhida dos caras que eu era a fim. eu não deixava. eu sempre conseguia fazê-los mudar de idéia. eles sempre acreditaram em mim. (acho que isso acontece até hoje. sem dúvida, acontece). e depois de mim eles encontravam o grande amor da suas vidas e iam viver felizes para sempre. daí minha crença de que dou muita sorte para quem cruza meu caminho.
09/12/2011
o resumo de tudo= não cabe em nenhuma página
o dito é a afirmação do que passou
o seguinte é a incógnita
a vida é uma incógnita
tudo que sei é uma interrogação
tudo que sinto é uma suposição
tudo que quero não depende de mim somente
consumação é a vida já vivida
eu quero ver o que tem do outro lado do muro
de você? se puder me pegue no colo
mas cuidado! posso ficar mais alta e ver o que você não consegue. a menos que suba comigo. para isso? a mesma vontade.
07/12/2011
se possível fosse, se adivinhassem, compreenderiam os instantes de extrema delicadeza. calariam a boca, os invasores. nem sempre estamos à disposição da histeria, dos ditares de regras, dos insatisfeitos, dos complexados, das pequenas autoridades. nem sempre os ignoramos e é exatamente nestes instantes que os quero calados. fora desse tempo não me incomodam, pois não me atingem e até encaro uma discussão. (Ivone fs)
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
nem por isso escapa
se ao menos fosse um rastro
não só aquele vulto disforme à distância
deslize de pensamentos tateando o obscuro
se ao menos fosse apreendida
ao sabor do alto teor de tua bebida
no arrepio do gelo da tua angústia
se ao menos no escuro do quarto
no múrmurio da insonia
com Shakespeare Blake Kerouac
alguma dúvida existisse
essas letras teu guia
esse tempo todo entre páginas e capas
tuas trilhas sonoras
render-se custa tão caro
se fosse afora
quão longe está nosso tempo
tão severo o sal que corta a pele
tão delicada a esperança
a secar-se ao sol
a carne crua assente a dureza
assim o desconhecido
a imagem
a cria
e teu sorriso doce
e outros tantos outros
04/12/2011
não só aquele vulto disforme à distância
deslize de pensamentos tateando o obscuro
se ao menos fosse apreendida
ao sabor do alto teor de tua bebida
no arrepio do gelo da tua angústia
se ao menos no escuro do quarto
no múrmurio da insonia
com Shakespeare Blake Kerouac
alguma dúvida existisse
essas letras teu guia
esse tempo todo entre páginas e capas
tuas trilhas sonoras
render-se custa tão caro
se fosse afora
quão longe está nosso tempo
tão severo o sal que corta a pele
tão delicada a esperança
a secar-se ao sol
a carne crua assente a dureza
assim o desconhecido
a imagem
a cria
e teu sorriso doce
e outros tantos outros
04/12/2011
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
02/12/2011 de madrugada
quem dera reproduzir os dizeres dos poetas
palavras ditas
benditas
um ópium que me escapa horas depois de ouví-las
- nunca fui boa de memória -
colho-as
ou elas a mim
em algum lugar, o enxerto
estou grávida
e a palavra protegida como um deus
palavras ditas
benditas
um ópium que me escapa horas depois de ouví-las
- nunca fui boa de memória -
colho-as
ou elas a mim
em algum lugar, o enxerto
estou grávida
e a palavra protegida como um deus
30/11/2011
quero a honesta incontrolável desafiante agonia
quero a autonomia
quero pagar o preço
quero a liberdade
quero o amor pelo respeito
quero ser Antígona
quero a autonomia
quero pagar o preço
quero a liberdade
quero o amor pelo respeito
quero ser Antígona
30/11/2011
ansiedade
então eu me contorcia mais uma vez e parava o carro na guia, jurando, antes de ligar o cd player numa fm que teria a resposta numa música e fosse ela qual fosse assim seria, como último recurso. profetizado e fim. irritante. as fms não tocam mais músicas respostas. então eu cedia. convidava-a, a ficar à vontade, olhando-a em seu cerne. já não era eu.
então eu me contorcia mais uma vez e parava o carro na guia, jurando, antes de ligar o cd player numa fm que teria a resposta numa música e fosse ela qual fosse assim seria, como último recurso. profetizado e fim. irritante. as fms não tocam mais músicas respostas. então eu cedia. convidava-a, a ficar à vontade, olhando-a em seu cerne. já não era eu.
28/11/2011
passa
sempre passa
- mas a travessia
a luz era forte demais
o vazio era profundo demais
passa
sempre passa
sempre passa
- mas a travessia
a luz era forte demais
o vazio era profundo demais
passa
sempre passa
28/11/2011
as pessoas não amam ninguém
a não ser o conforto que lhes é proporcionado
estou farta de ver esse tipo de amor
e ainda tem aquele papo de "amor verdadeiro"
fico pensando qual seria o amor falso
a não ser o conforto que lhes é proporcionado
estou farta de ver esse tipo de amor
e ainda tem aquele papo de "amor verdadeiro"
fico pensando qual seria o amor falso
25/11/2011
havia naquela rua, ecos. não se mata as ilusões. flashes. um deslumbramento visível. o êxtase é um estágio cego inviolável impenetrável. a própria verdade. eis, pois. é em si o todo. mudo a página. assim como deixar o cansaço, após horas no banho, ralo a dentro. fashes. conto os passos como se fossem dias. passam. há, afinal, o topo da montanha! flashes. eu moro no caos. há mais nos acontecimentos.
eu diria tudo agora e digo sem pronunciar uma só palavra. seres estranhos os humanos. a lógica das histórias vistas à distância. a poucos nos rendemos. meu tempo está quase todo tomado por afazeres que me imobilizam. eu preciso do ar dessa rua e do seu silêncio na madrugada.
eu diria tudo agora e digo sem pronunciar uma só palavra. seres estranhos os humanos. a lógica das histórias vistas à distância. a poucos nos rendemos. meu tempo está quase todo tomado por afazeres que me imobilizam. eu preciso do ar dessa rua e do seu silêncio na madrugada.
23.11.2011
Talvez eu sempre estivera presa e as paredes me desafiando. é espessa a parede. disso nunca duvidei. é espessa e dela nem mesmo o pó muitas vezes consigo tirar. marcas de mãos. marcas do tempo. marcas da prisão. eu fazia minhas danças e abençoava o assoalho pelo dia de amanhã. tudo mais espesso. marcas de meus pés. idas e voltas. sozinha em algum lugar perdida. fugindo o tempo todo. e fingindo.... tão bem. grande talento. pequena pobre burguesa. autosustentada. um orgullho só. severidade roendo os ossos das sobras. aos montes. não junta os cacos. dispõe-os. dorme sobre eles. desafia os olhos que nunca enxergam suas cicatrizes. veste-se de sol. engana tão bem. a mim não. nunca me engano. finjo. nunca me engano
terça-feira, 22 de novembro de 2011
21/11/2011
Eu sei bem onde minha alma descansa (não acredito que escrevi "minha alma"!)
sei onde meu corpo goza
sei do que me causa repugnância
sei do que me decepciona
sei do exato momento em que encerro
por isso gosto das florestas sem caminho
das descobertas inéditas
do delírio que impede o controle
nego veementemente os modelos
ultrapassados românticos
mulherzinhas submissas
cúmplices
nego o mofo dos colchões
as porras descritas em versos no dia seguinte
lixo
cópias de telenovelas brasileiras
alguém tire minha pele
me beije com teu avesso
estou sangrando
fissuras de minhas unhas
a vida deve ser muito mais do que sempre vi. (Ivone fs)
sei onde meu corpo goza
sei do que me causa repugnância
sei do que me decepciona
sei do exato momento em que encerro
por isso gosto das florestas sem caminho
das descobertas inéditas
do delírio que impede o controle
nego veementemente os modelos
ultrapassados românticos
mulherzinhas submissas
cúmplices
nego o mofo dos colchões
as porras descritas em versos no dia seguinte
lixo
cópias de telenovelas brasileiras
alguém tire minha pele
me beije com teu avesso
estou sangrando
fissuras de minhas unhas
a vida deve ser muito mais do que sempre vi. (Ivone fs)
eu não sei dançar e danço
não sei escrever e escrevo
não sei cuidar de uma casa e cuido (do meu jeito precário, claro)
não sei cozinhar sem queimar, quase que diariamente, o alho do arroz
e cozinho quase todo dia
tem tanta coisa que faço e que não sei fazer
em compensação sei fazer a mão, o pé e até corto meu cabelo: detesto ir ao cabelereiro, manicure e essas coisas que fazem a gente perder horas e horas...
não sei escrever e escrevo
não sei cuidar de uma casa e cuido (do meu jeito precário, claro)
não sei cozinhar sem queimar, quase que diariamente, o alho do arroz
e cozinho quase todo dia
tem tanta coisa que faço e que não sei fazer
em compensação sei fazer a mão, o pé e até corto meu cabelo: detesto ir ao cabelereiro, manicure e essas coisas que fazem a gente perder horas e horas...
Comecei a ler Charque do Marcelo Mirisola. faz dias que comprei e no dia, como estava dirigindo, pedi pro Lu, meu filho, que estava comigo para ler o prefácio, a introdução, o que estivesse antes do primeiro capítulo, em voz alta: "Uma minibiografia, Ricardo? Mas eu já escrevi O azul do filho morto. Vou me repetir. Tenho preguiça. (...) e daí o livro criou vida e foi pra alguns lugares comigo, ma...s só hoje comecei a ler:
"- Tinha doze anos quando queimou suas poesias pela primeira vez."
isso me inspira. queimar poesia é algo fascinante. eu já propus isso numa aula de literatura lá na USP, quando o mestre Willer pediu que sugerísssemos algo inteligente...rsrs... - vamos rasgar esses livros todos e jogar pela janela e por fogo, mestre!!! ...rsrsrs essa é outra história
a segunda intenção e o boicote à algumas coisas são sempre premeditados, embora aconteça como se não tívessemos nada a ver com isso. duas horas de caminhada no clube perto de casa logo de manhã, depois de deixar o Lu na escola, era a intenção, mas o livro foi junto: duas horas no estacionamento lendo o livro do Mirisola e nada de caminhada.... (17/1/2011)
"- Tinha doze anos quando queimou suas poesias pela primeira vez."
isso me inspira. queimar poesia é algo fascinante. eu já propus isso numa aula de literatura lá na USP, quando o mestre Willer pediu que sugerísssemos algo inteligente...rsrs... - vamos rasgar esses livros todos e jogar pela janela e por fogo, mestre!!! ...rsrsrs essa é outra história
a segunda intenção e o boicote à algumas coisas são sempre premeditados, embora aconteça como se não tívessemos nada a ver com isso. duas horas de caminhada no clube perto de casa logo de manhã, depois de deixar o Lu na escola, era a intenção, mas o livro foi junto: duas horas no estacionamento lendo o livro do Mirisola e nada de caminhada.... (17/1/2011)
Eu gosto da expressão "às vezes" e sempre que quero escrever alguma coisa, assim, de repente, me vem : às vezes. então, às vezes os olhos encontram um branco breu. assim, às vezes, caio num ponto, que não é encruzilhada e nem tem definição e nem pretensão alguma. às vezes, sempre caio nesse mesmo ponto que nunca sei definir se é um início ou um fim. às vezes percebo o quanto falo sozinha. às vezes... eu sei o quanto é cair em si e sei que cair em si não quer dizer nada. pode ser qualquer coisa. às vezes é só mais um momento de pura distração. às vezes não tem fim. à vezes eu penso tanto que não consigo dizer nada. como agora. e quero excrever muito mais. às vezes nada basta e reticências é coisa de mal gosto, assim disse meu mestre de literatura. mas cadê mais espaço? (Ivone fs)
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
pelos dias que se seguem
ainda sou sábado
ainda não saí do teu colo
ainda não durmi o suficiente para pensar em outra coisa
e já folhei tantos livros e não li nenhuma página:
estão todas iguais
a mesma grafia
a mesma velocidade
ainda parada ali
matizes enevoadas
marginais
flores de São Paulo
estação primavera
teu gesto em peito
escrevo
teu nome
(Ivone fs)
ainda não saí do teu colo
ainda não durmi o suficiente para pensar em outra coisa
e já folhei tantos livros e não li nenhuma página:
estão todas iguais
a mesma grafia
a mesma velocidade
ainda parada ali
matizes enevoadas
marginais
flores de São Paulo
estação primavera
teu gesto em peito
escrevo
teu nome
(Ivone fs)
Não torçam por mim, apiedando-se. isso me torna obrigada. eu só quero ser o que sou com o que tenho e com o que não tenho, com o que posso, com o que não posso. é constrangedor não ser o que gostariam que eu fosse. não ter o que gostariam que eu tivesse. é constrangedora não a situação, mas a cobrança. me queiram antes de tudo isso, me amem antes das coisas. ou simplesmente não se importem. cada um com sua cruz, suas plumas, suas delícias, seus delírios, suas prisões, suas saídas
eu podia escrever "tristeza" ou "necessidade" ou "vontade"
podia escrever todas essas coisas que escrevem sobre amor ou sobre saudade ou sobre tesão. podia ser bem piegas e escrever os grandes chavões que tanto repetem e os leitores se deliciam. o ser humano é mesmo carnívoro. eu podia descrever cenas almejadas e relembrar algumas.,eu quero escrever que só quero você. as outras coisas não me interessam nem um pouco.
podia escrever todas essas coisas que escrevem sobre amor ou sobre saudade ou sobre tesão. podia ser bem piegas e escrever os grandes chavões que tanto repetem e os leitores se deliciam. o ser humano é mesmo carnívoro. eu podia descrever cenas almejadas e relembrar algumas.,eu quero escrever que só quero você. as outras coisas não me interessam nem um pouco.
mudança das cores.
embora eu queira azuis cintilantes e todos os equivalentes
nem sempre meus olhos suportam atravessar a chuva e atingir o céu.
nem sempre meus olhos suportam atravessar a chuva e atingir o céu.
a aparência de algumas coisas cativam aos tolos que se dão por satisfeitos e saem em defesa daqueles que doam seu capital mas sugerem qual é a linha do trem onde os maquinistas adestrados empenham-se ao máximo em ser solidários ao que for conveniente ... e os convidados aos banquetes serão sempre os cordeirinhos fiéis. cultura formatada.
havia um mapa na parede. os mapas sempre me atraem. era de São Paulo e Grande São Paulo. procurei um bairro um tanto distante e depois o meu, tentei calcular a distância. lembrei de pessoas. Morumbi, Centro, Perdizes, Jaçanã, Guaianazes, Santana, Parelheiros, Jardim Angela, São Bernardo do Campo, Lapa, Brás... eu tive que pedir desculpas. me desliguei totalmente do assunto da reunião e foi preciso que repetissem tudo...
terça-feira, 10 de maio de 2011
do Marsicano (do facebook) Efedrina? rs
Pela noite
energia eletrica
no ar
THANKS ROMAN EMPRESS!!!!
TICK NERVOOOOOOOOOOOOOSOOOOOOOOOO
A CHIBATA
DE DONA IVONE
DA TK
NERVOOOOSOQUERO SER SEU
MORDOMPO-ROBOT
OSHO
QUE
APANAAAAAAAAAAAAAHA
DE CHICOTE`PRATEADO!!!!!!!
LAMMMMBE-SOLAAAAAS DE
PLATAFORMAS ALTÍÍÍSSSSIMAS
DVD YOUTUBE
TOCAR SITAR
SO PRA SENHORA
DE
UNIFORME
DE
MORDOMO
COMPRADO NA
DASLU
E OLHAAAAAAAAAAAAAAAAAR FIXO
SARI & PLATAFOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORMASSSSSSSSSS
ALLLLLLLLLLLLLLTOIIIIIIIIIASSSSIMASSSSSSS
PARA
TUAS
PLATAFOOOOORMAS
DE VERNIZ
(OLHA FIXO
PRAS SOLAS E COURO)
E PRA TEU
CHICOOOOOTE
NEURÓÓÓTIKO
DE COOOOOOOOOOOOOOOOURO!!!!!!!!!!
ALBERT
O MORDOMO
"CULT"
energia eletrica
no ar
THANKS ROMAN EMPRESS!!!!
TICK NERVOOOOOOOOOOOOOSOOOOOOOOOO
A CHIBATA
DE DONA IVONE
DA TK
NERVOOOOSOQUERO SER SEU
MORDOMPO-ROBOT
OSHO
QUE
APANAAAAAAAAAAAAAHA
DE CHICOTE`PRATEADO!!!!!!!
LAMMMMBE-SOLAAAAAS DE
PLATAFORMAS ALTÍÍÍSSSSIMAS
DVD YOUTUBE
TOCAR SITAR
SO PRA SENHORA
DE
UNIFORME
DE
MORDOMO
COMPRADO NA
DASLU
E OLHAAAAAAAAAAAAAAAAAR FIXO
SARI & PLATAFOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORMASSSSSSSSSS
ALLLLLLLLLLLLLLTOIIIIIIIIIASSSSIMASSSSSSS
PARA
TUAS
PLATAFOOOOORMAS
DE VERNIZ
(OLHA FIXO
PRAS SOLAS E COURO)
E PRA TEU
CHICOOOOOTE
NEURÓÓÓTIKO
DE COOOOOOOOOOOOOOOOURO!!!!!!!!!!
ALBERT
O MORDOMO
"CULT"
THANKS LADY
Es a vera Beat
Es a vera Beat
Num barzinho pegar um guardanapo e na frente de todos ENGRAXAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRR tuas PLATAFUOOORNASSSSS!!!!!!!!!!!!!!!!!
Num barzinho pegar um guardanapo e na frente de todos ENGRAXAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRR tuas PLATAFUOOORNASSSSS!!!!!!!!!!!!!!!!!
descrição:PARA OS FANÁTICOS E ADMIRADORES
DA GURU-POETISA
MESTRA ABSOLUTA
ILUMINADA!!!!!!!!!!!!!!
ENGRAXAAAAAAAAAR
AS PLATAFORMAS
ALTIIIIIIISSIMAS
DA MESTRA ATÉ VIRAR
ESPELHO
SENÃO
CHIBAAAAATA
DE
COUUUUURO!!!!!
DA GURU-POETISA
MESTRA ABSOLUTA
ILUMINADA!!!!!!!!!!!!!!
ENGRAXAAAAAAAAAR
AS PLATAFORMAS
ALTIIIIIIISSIMAS
DA MESTRA ATÉ VIRAR
ESPELHO
SENÃO
CHIBAAAAATA
DE
COUUUUURO!!!!!
segunda-feira, 25 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
Ensaio
não esperes de mim pouco sentimento
meia dúzia de palavras meio pronunciadas
meu olhar espreitando o teu
não esperes que a chuva me detenha
que no meio de todas as contradições e todos os contras
sinais fechados placas de proibido
que seja coagida
não esperes de mim o medo
não esperes que te escutes se assim imposição ser
não alegues desculpas esfarrapadas
não substimes teu poder de persuasão
o círculo é um sinal desenhado na imaginação
é por isso que não pulo
e simplesmente saio...
(Ivone fs)
meia dúzia de palavras meio pronunciadas
meu olhar espreitando o teu
não esperes que a chuva me detenha
que no meio de todas as contradições e todos os contras
sinais fechados placas de proibido
que seja coagida
não esperes de mim o medo
não esperes que te escutes se assim imposição ser
não alegues desculpas esfarrapadas
não substimes teu poder de persuasão
o círculo é um sinal desenhado na imaginação
é por isso que não pulo
e simplesmente saio...
(Ivone fs)
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