quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

10/12/2011

eu tinha uma enorme inclinação para com o silêncio. sonhava com conventos ou quartos em hotéizinhos no exterior. para ser bem exata eu sonhava morar em Praga. não conhecer ninguém. não falar com ninguém. sempre me senti ameaçada. eu queria me esconder. nunca fui a menina escolhida dos caras que eu era a fim. eu não deixava. eu sempre conseguia fazê-los mudar de idéia. eles sempre acreditaram em mim. (acho que isso acontece até hoje. sem dúvida, acontece). e depois de mim eles encontravam o grande amor da suas vidas e iam viver felizes para sempre. daí minha crença de que dou muita sorte para quem cruza meu caminho.

10/12/2012

Eu queria encontrar Kerouac

09/12/2011

o resumo de tudo= não cabe em nenhuma página
o dito é a afirmação do que passou
o seguinte é a incógnita
a vida é uma incógnita
tudo que sei é uma interrogação
tudo que sinto é uma suposição
tudo que quero não depende de mim somente
consumação é a vida já vivida
eu quero ver o que tem do outro lado do muro
de você? se puder me pegue no colo
mas cuidado! posso ficar mais alta e ver o que você não consegue. a menos que suba comigo. para isso? a mesma vontade.

07/12/2011

se possível fosse, se adivinhassem, compreenderiam os instantes de extrema delicadeza. calariam a boca, os invasores. nem sempre estamos à disposição da histeria, dos ditares de regras, dos insatisfeitos, dos complexados, das pequenas autoridades. nem sempre os ignoramos e é exatamente nestes instantes que os quero calados. fora desse tempo não me incomodam, pois não me atingem e até encaro uma discussão. (Ivone fs)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

nem por isso escapa

se ao menos fosse um rastro
não só aquele vulto disforme à distância
deslize de pensamentos tateando o obscuro

se ao menos fosse apreendida
ao sabor do alto teor de tua bebida
no arrepio do gelo da tua angústia

se ao menos no escuro do quarto
no múrmurio da insonia
com Shakespeare Blake Kerouac

alguma dúvida existisse
essas letras teu guia
esse tempo todo entre páginas e capas

tuas trilhas sonoras

render-se custa tão caro
se fosse afora

quão longe está nosso tempo
tão severo o sal que corta a pele

tão delicada a esperança
a secar-se ao sol
a carne crua assente a dureza

assim o desconhecido
a imagem
a cria
e teu sorriso doce
e outros tantos outros

04/12/2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

02/12/2011 de madrugada

quem dera reproduzir os dizeres dos poetas
palavras ditas
benditas
um ópium que me escapa horas depois de ouví-las
- nunca fui boa de memória -
colho-as
ou elas a mim
em algum lugar, o enxerto
estou grávida
e a palavra protegida como um deus

30/11/2011

quero a honesta incontrolável desafiante agonia
quero a autonomia
quero pagar o preço
quero a liberdade
quero o amor pelo respeito
quero ser Antígona

30/11/2011

ansiedade




então eu me contorcia mais uma vez e parava o carro na guia, jurando, antes de ligar o cd player numa fm que teria a resposta numa música e fosse ela qual fosse assim seria, como último recurso. profetizado e fim. irritante. as fms não tocam mais músicas respostas. então eu cedia. convidava-a, a ficar à vontade, olhando-a em seu cerne. já não era eu.

28/11/2011

passa


sempre passa
- mas a travessia
a luz era forte demais
o vazio era profundo demais
passa
sempre passa

28/11/2011

as pessoas não amam ninguém

a não ser o conforto que lhes é proporcionado
estou farta de ver esse tipo de amor
e ainda tem aquele papo de "amor verdadeiro"
fico pensando qual seria o amor falso

25/11/2011

havia naquela rua, ecos. não se mata as ilusões. flashes. um deslumbramento visível. o êxtase é um estágio cego inviolável impenetrável. a própria verdade. eis, pois. é em si o todo. mudo a página. assim como deixar o cansaço, após horas no banho, ralo a dentro. fashes. conto os passos como se fossem dias. passam. há, afinal, o topo da montanha! flashes. eu moro no caos. há mais nos acontecimentos.


eu diria tudo agora e digo sem pronunciar uma só palavra. seres estranhos os humanos. a lógica das histórias vistas à distância. a poucos nos rendemos. meu tempo está quase todo tomado por afazeres que me imobilizam. eu preciso do ar dessa rua e do seu silêncio na madrugada.

23.11.2011


Talvez eu sempre estivera presa e as paredes me desafiando. é espessa a parede. disso nunca duvidei. é espessa e dela nem mesmo o pó muitas vezes consigo tirar. marcas de mãos. marcas do tempo. marcas da prisão. eu fazia minhas danças e abençoava o assoalho pelo dia de amanhã. tudo mais espesso. marcas de meus pés. idas e voltas. sozinha em algum lugar perdida. fugindo o tempo todo. e fingindo.... tão bem. grande talento. pequena pobre burguesa. autosustentada. um orgullho só. severidade roendo os ossos das sobras. aos montes. não junta os cacos. dispõe-os. dorme sobre eles. desafia os olhos que nunca enxergam suas cicatrizes. veste-se de sol. engana tão bem. a mim não. nunca me engano. finjo. nunca me engano

terça-feira, 22 de novembro de 2011

21/11/2011

Eu sei bem onde minha alma descansa (não acredito que escrevi "minha alma"!)

sei onde meu corpo goza
sei do que me causa repugnância
sei do que me decepciona
sei do exato momento em que encerro
por isso gosto das florestas sem caminho
das descobertas inéditas
do delírio que impede o controle
nego veementemente os modelos
ultrapassados românticos
mulherzinhas submissas
cúmplices
nego o mofo dos colchões
as porras descritas em versos no dia seguinte
lixo
cópias de telenovelas brasileiras
alguém tire minha pele
me beije com teu avesso
estou sangrando
fissuras de minhas unhas
a vida deve ser muito mais do que sempre vi. (Ivone fs)
eu não sei dançar e danço

não sei escrever e escrevo
não sei cuidar de uma casa e cuido (do meu jeito precário, claro)
não sei cozinhar sem queimar, quase que diariamente, o alho do arroz
e cozinho quase todo dia
tem tanta coisa que faço e que não sei fazer
em compensação sei fazer a mão, o pé e até corto meu cabelo: detesto ir ao cabelereiro, manicure e essas coisas que fazem a gente perder horas e horas...
Comecei a ler Charque do Marcelo Mirisola. faz dias que comprei e no dia, como estava dirigindo, pedi pro Lu, meu filho, que estava comigo para ler o prefácio, a introdução, o que estivesse antes do primeiro capítulo, em voz alta: "Uma minibiografia, Ricardo? Mas eu já escrevi O azul do filho morto. Vou me repetir. Tenho preguiça. (...) e daí o livro criou vida e foi pra alguns lugares comigo, ma...s só hoje comecei a ler:


"- Tinha doze anos quando queimou suas poesias pela primeira vez."

isso me inspira. queimar poesia é algo fascinante. eu já propus isso numa aula de literatura lá na USP, quando o mestre Willer pediu que sugerísssemos algo inteligente...rsrs... - vamos rasgar esses livros todos e jogar pela janela e por fogo, mestre!!! ...rsrsrs essa é outra história

a segunda intenção e o boicote à algumas coisas são sempre premeditados, embora aconteça como se não tívessemos nada a ver com isso. duas horas de caminhada no clube perto de casa logo de manhã, depois de deixar o Lu na escola, era a intenção, mas o livro foi junto: duas horas no estacionamento lendo o livro do Mirisola e nada de caminhada....  (17/1/2011)

Eu gosto da expressão "às vezes" e sempre que quero escrever alguma coisa, assim, de repente, me vem : às vezes. então, às vezes os olhos encontram um branco breu. assim, às vezes, caio num ponto, que não é encruzilhada e nem tem definição e nem pretensão alguma. às vezes, sempre caio nesse mesmo ponto que nunca sei definir se é um início ou um fim. às vezes percebo o quanto falo sozinha. às vezes... eu sei o quanto é cair em si e sei que cair em si não quer dizer nada. pode ser qualquer coisa. às vezes é só mais um momento de pura distração. às vezes não tem fim. à vezes eu penso tanto que não consigo dizer nada. como agora. e quero excrever muito mais. às vezes nada basta e reticências é coisa de mal gosto, assim disse meu mestre de literatura. mas cadê mais espaço? (Ivone fs)
o amor que a gente tem procura pouso, o meu desassossego

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

uma noite rende o encontro dos pontos cardiais

um coração pulando listras de pedestres na Consolação
vencer cada centímetro em passos ansiosos
a mente e as pedrinhas do asfalto
um desafio ao controle do tempo
a pressa em pular os estágios
e não perder a hora de perder-se.
o homem é bom

o homem não é bom
o homem finge que é bom
o homem quer impressionar a si mesmo
o homem precisa enganar a si mesmo
quer fazer o bem: por ele mesmo
o homem quer salvar-se
o homem precisa se convencer que é bom
o homem acredita que é bom

até descobrir que ele é homem
Dizem que Deus é grande, mas acho que Ele não dá a mínima para isso.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

pelos dias que se seguem

ainda sou sábado
ainda não saí do teu colo
ainda não durmi o suficiente para pensar em outra coisa
e já folhei tantos livros e não li nenhuma página:
estão todas iguais
a mesma grafia
a mesma velocidade
ainda parada ali
matizes enevoadas
marginais
flores de São Paulo
estação primavera
teu gesto em peito
escrevo

teu nome



(Ivone fs)
há quem imagina um poema como algo concreto

e é. e não é.
é um momento eterno
o canto:

aconchego e apelo
ver-se por dentro afora é um imenso aperto
Não torçam por mim, apiedando-se. isso me torna obrigada. eu só quero ser o que sou com o que tenho e com o que não tenho, com o que posso, com o que não posso. é constrangedor não ser o que gostariam que eu fosse. não ter o que gostariam que eu tivesse. é constrangedora não a situação, mas a cobrança. me queiram antes de tudo isso, me amem antes das coisas. ou simplesmente não se importem. cada um com sua cruz, suas plumas, suas delícias, seus delírios, suas prisões, suas saídas
hei de compreender a lógica das explicações e elas me silenciam. é preciso um pouco de ilusão. um fio ao menos. minhas letras catatônicas.
quando o dia amanhece e tem névoa meu espírito delira...em êxtase... acho que sou meio vampira
eu gostava mesmo é quando ele me olhava sem jeito e perguntava: o que foi?
eu podia escrever "tristeza" ou "necessidade" ou "vontade"

podia escrever todas essas coisas que escrevem sobre amor ou sobre saudade ou sobre tesão. podia ser bem piegas e escrever os grandes chavões que tanto repetem e os leitores se deliciam. o ser humano é mesmo carnívoro. eu podia descrever cenas almejadas e relembrar algumas.,eu quero escrever que só quero você. as outras coisas não me interessam nem um pouco.

mudança das cores.

embora eu queira azuis cintilantes e todos os equivalentes
nem sempre meus olhos suportam atravessar a chuva e atingir o céu.
quando eu te disser todas as coisas sinceras e tocar o teu medo de perder todas as mulheres de teus sonhos, ao meu amor convulsivo falará o tempo.
a aparência de algumas coisas cativam aos tolos que se dão por satisfeitos e saem em defesa daqueles que doam seu capital mas sugerem qual é a linha do trem onde os maquinistas adestrados empenham-se ao máximo em ser solidários ao que for conveniente ... e os convidados aos banquetes serão sempre os cordeirinhos fiéis. cultura formatada.
havia um mapa na parede. os mapas sempre me atraem. era de São Paulo e Grande São Paulo. procurei um bairro um tanto distante e depois o meu, tentei calcular a distância. lembrei de pessoas. Morumbi, Centro, Perdizes, Jaçanã, Guaianazes, Santana, Parelheiros, Jardim Angela, São Bernardo do Campo, Lapa, Brás... eu tive que pedir desculpas. me desliguei totalmente do assunto da reunião e foi preciso que repetissem tudo...
e não eram as palavras presas

era ela
a presa
como quem leva um susto e paralisa
minha paciência é medida no estreito dos trilhos. piso as pedras ou vou pela linha metálica? um contraste rude. uma lisura inerte. um passeio por cima do viaduto. habitações e janelas. alguma pergunta?

terça-feira, 10 de maio de 2011

do Marsicano (do facebook) Efedrina? rs

Pela noite
energia eletrica
no ar

THANKS ROMAN EMPRESS!!!!




TICK NERVOOOOOOOOOOOOOSOOOOOOOOOO
A CHIBATA
DE DONA IVONE
DA TK
NERVOOOOSOQUERO SER SEU
MORDOMPO-ROBOT
OSHO
QUE
APANAAAAAAAAAAAAAHA
DE CHICOTE`PRATEADO!!!!!!!
LAMMMMBE-SOLAAAAAS DE
PLATAFORMAS ALTÍÍÍSSSSIMAS
DVD YOUTUBE
TOCAR SITAR
SO PRA SENHORA
DE
UNIFORME
DE
MORDOMO
COMPRADO NA
DASLU
E OLHAAAAAAAAAAAAAAAAAR FIXO
SARI & PLATAFOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOORMASSSSSSSSSS
ALLLLLLLLLLLLLLTOIIIIIIIIIASSSSIMASSSSSSS
PARA
TUAS
PLATAFOOOOORMAS
DE VERNIZ
(OLHA FIXO
PRAS SOLAS E COURO)
E PRA TEU
CHICOOOOOTE
NEURÓÓÓTIKO
DE COOOOOOOOOOOOOOOOURO!!!!!!!!!!
ALBERT
O MORDOMO
"CULT"

THANKS LADY

Es a vera Beat
Es a vera Beat
Num barzinho pegar um guardanapo e na frente de todos ENGRAXAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRR tuas PLATAFUOOORNASSSSS!!!!!!!!!!!!!!!!!

descrição:PARA OS FANÁTICOS E ADMIRADORES
DA GURU-POETISA
MESTRA ABSOLUTA
ILUMINADA!!!!!!!!!!!!!!
ENGRAXAAAAAAAAAR
AS PLATAFORMAS
ALTIIIIIIISSIMAS
DA MESTRA ATÉ VIRAR
ESPELHO
SENÃO
CHIBAAAAATA
DE
COUUUUURO!!!!!

 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

a fantasia é uma cortina de fumaça:
está tudo ali,
mas antes, esta está

sábado, 9 de abril de 2011

Ensaio

não esperes de mim pouco sentimento

meia dúzia de palavras meio pronunciadas
meu olhar espreitando o teu

não esperes que a chuva me detenha
que no meio de todas as contradições e todos os contras
sinais fechados placas de proibido
que seja coagida

não esperes de mim o medo
não esperes que te escutes se assim imposição ser
não alegues desculpas esfarrapadas
não substimes teu poder de persuasão

o círculo é um sinal desenhado na imaginação
é por isso que não pulo
e simplesmente saio...


(Ivone fs)
sou impulsiva sim! e não tolero lerolero

então, ou me ama ou me deixa
meio termo é o ringue. sacou?
é certo que nunca serei a mesma

para me conhecer é agora
de hoje para amanhã
habitar o mundo

e me habita o mundo
empate invasivo

novedeabrildedoismileonze

é doce o sal..

sexta-feira, 8 de abril de 2011

nuances & algemas

Que provas me darás, meu bem?

se foi morte
se foi vida?
se maior é a alma
maior o buraco
se te alegras
eu me espanto
na tua embriaguez
eu danço


(Ivone fs)



.

sexta-feira, 11 de março de 2011

eu não posso te perder
e eu não acredito em tudo que me dizem só para que eu te esqueça
eu sempre me pergunto: do que é que querem me salvar e porque?
acaso sabem que quero morrer?! é morrendo que vivo intensamente..

o que existe de fato é o que existiu
como um retrato, uma pintura
partitura da música que aqui dentro circula...

repetir um ato? isso é memória...



(Ivone fs)

domingo, 6 de março de 2011

eu tenho tanto a dizer
(para ninguém)
de vez desatravancar esse amontoado de palavras mal acomodas

dizer é um jeito de silenciar...
fica agora esse gosto de tanta coisa misturada: é parecido com aquela experiência que a gente faz na escola quando é criança...um círculo de cores que quando gira rápido fica todo branco...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Não sei o que há...mas isso ocorre muito..muito comigo...
desde ontem à noite uns versos de Ana Cristina Cesar em minha cabeça...
eis que os encontro e me espanto!
o título do poema...o título do poema, será este mesmo? sim . é.

"21 de fevereiro" e hoje é 21 de fevereiro...



Os versos em minha cabeça: "Fica boazinha, dor..."


Eis o poema:


‎21 de fevereiro

Não quero mais a fúria da verdade. Entro na sapataria popular.
Chove por detrás. Gatos amarelos circulando no fundo.
Abomino Baudelaire querido, mas procuro na vitrina um
modelo brutal. Fica boazinha, dor; sábia como deve ser, não tão
generosa, não. Recebe o afeto que se encerra no meu peito. Me
calço decidida onde os gatos fazem que me amam, juvenis,
reais. Antes eu era 36, gata borralheira, pé ante pé, pequeno
polegar, pagar na caixa, receber na frente. Minha dor. Me dá a
mão. Vem por aqui, longe deles. Escuta, querida, escuta. A
marcha desta noite. Se debruça sobre os anos neste pulso. Belo
belo. Tenho tudo que fere. As alemãs marchando que nem
homem. As cenas mais belas do romance o autor não soube
comentar. Não me deixa agora, fera.



Ana Cristina Cesar

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"Para ser grande, sê inteiro"

você tira a roupa

mas ele é homem
você não tem um nome
vomita em seguida
perca a memória
vai
com seus pensamentos
se morta essa parte aos olhos alheios
acompanha nos compassos de cada segundo
sua sombra pesada
a parte latente
o choque entorpecente
se
do pré aviso não se deu conta
não conta
ainda assim o domínio
a parte inteira
um rio que sabe do mar
leva sozinha
sua santidade
por essa vontade in-contida (de amar)



(Ivone fs) 18/02 - 9:00

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Frestas

guarda para si
o terror das madrugadas
seu inferno de alegorias entre cambraias
manto tenebroso sufocando a orla de sua existência
a aridez dos gemidos

- porque eu choro por nós e não mais rogo -

se toda vez é a última
nada se acumula que não sejam dedos a implorar num braço estendido
cai a escuridão
cai em si a impossibilidade do casulo

o céu aberto
em vigília
letras de Lautréamont
emaranhados se multiplicando
fogem os estreitamentos

guarda para si
guarda para si

- porque eu choro por nós e não mais rogo -


Ivone fs - 15/02/2011 - 13:26

domingo, 13 de fevereiro de 2011

eu custo a compreender. talvez por achar compreender algo assim...resignado
explícito demais. estado terminal...
compreender : a realidade é feia

- eu me decepcionei...
- então você caiu na real?!
- não. não é isso de cair na real. eu me decepcionei, entende?
- saiu do círculo, da fantasia!
- não. não é isso. eu gosto do estado de encantamento
- hãn?
- eu me decepcionei. eu me decepcionei

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

um ponto que encerra, um ponto que inicia

antes de iniciar o verso, um ponto
um ponto que encerra
um ponto que inicia
um ponto no meio: eis um leque: pontos de interrogação: eis minha sabedoria

domingo, 16 de janeiro de 2011

os olhos em que mergulho
e nos meus imploram
é sede momentânea
urgência emergência
o ponto que separa
o silêncio profundo

se não for
a vontade é
nem tudo se come
nem por isso inexiste
o leitor é a riqueza do poema. o leitor é o dono do poema. o poeta escreve e só.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Danço

era uma correnteza estranha. minha voz perturbada. um clamor inútil. ele me negava. quando eu sentia seu desejo latejava. punia-me como quem não sabe da linhas traçadas em sangue. coroa de espinhos. para sempre danço consigo em sua hora mais íntima minha presença...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

última mensagem aos dois:

uma pedra encerra.
aos ganhadores: os prêmios
eis um grande espetáculo da vida!
aplausos
somos todos sensacionais e dispensáveis e indispensáveis
eu disse um dia: última vez... eu disse
e antes disse a Deus: obrigada meu Pai por me conceder mais uma vez o amor que nunca poderá ser...eu disse a Deus...eu disse adeus.

sábado, 1 de janeiro de 2011

as pessoas simplesmente ignoram as que não lhes interessam.. (quando o sentimento é esse: paixão/amor), por isso que compreendo quem não me ama quando não estou apaixonada, porque sei como ajo quando não estou. não temos nem pena e às vezes ficamos até com raiva da pessoa por ela gostar da gente... que louco isso! rs
Vence, amor, essa onda de ilusões e raiva...é tão pequena. olha bem! nem precisas de minhas mãos. eu não me afogei quando me atirastes ao mar. podes respirar. sozinha eu sei andar e tu podes ter o que quiseres. asassinar-me era desnecessário.
às vezes o corpo pesa tanto, que chego a compreender Kafka...

domingo, 19 de dezembro de 2010

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Venero o sol e as nuvens que se engravidam dele (Ivone fs)


Isso é engraçado e delicioso...
Muito gostoso de se imaginar... (Samuel Vigiano)


é quando o dia está como hoje e empresta suas imagens pra gente poetar
um dia de sol às escondidas (Ivone fs)


O dia amanheceu como se não tivesse dormido... (Samuel Vigiano)


munido de poesia. que nada a detenha. que tudo a contenha (Ivone fs)

Isso é poesia. O dia amanheceu assim, poesia (Samuel Vigiano)
"Como um louco , não tenho pretensões nem esperança... digo-vos a pura verdade...essas são as minhas palavras loucas" Kerouac
"Eu quero brincar às escondidas contigo e dar-te as minhas roupas e dizer que gosto dos teus sapatos..." Sarah Kane

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

(pensamento imediato)

não desejo esquecer-te
a não ser
dentro de mim
simplicidade é algo tão grandioso que poucos alcançam

meu veneno

se o vento a pedra não dissolve
há dentro o tóxico

se explode no peito, que seja rosa
e aos olhos alheios, um deleite
teu colo perfeito
tuas mãos perfeitas
teus cabelos negros
minha cabeça em teu peito

adormecemos no sofá
colados em gosmas...
Lendo Delta de Vênus - Histórias eróticas de Anaïs Nin percebo uma forte semelhança, na narrativa, com as Mil e Uma Noites.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

o sonho adormece antes do amanhecer

que faz o vento na minha janela?
percebe minha dor
e pensa espalhá-la?
agora infesta a noite e me alivia?
se é minha, deixe que dela cuido eu
se comprimo
há de qualquer hora explodir
então se fará rosa
não de Hiroshima
que contamina
rosa dos meus disfarces
rosa de minha ruína
que qualquer turista fotografa
e guarda como quem já esteve em Roma

Ivone fs - (1:28 - 02/12/2010)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eu quís a aproximação
fora de época
temporã

sagrado monstro do desejo
eu te cultuo de joelhos

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A essência de um chamado

as noites
essas que foram
e aqui estão
releituras em verso e prosa

abraçam-me
tomando minhas coxas
mamilos ardentes
diante de seus olhos
os meus

não era, acaso, a rebeldia buscando o arcaico ?
a poesia transgressiva gozando num leito dos impossíveis?

poetas malditos
transcêndência surrealista

a palavra arde e marca

domingo, 21 de novembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

a santidade está em nós. somos todos santos inda que perdidos
a santidade está em todas as coisas, inda que passem desapercebidas
e pedimos perdão pelo que somos e pelo que não somos
pelo que conseguimos, pelo que desejamos, pelo que estragamos, pelo que tragamos
e Kerouac me tem...dito.
criamos e matamos na mesma intensidade no mesmo ritmo acelerado em que todos nos encontramos nesse tempo de expectativas desilusões de becos sem saída em que não respeitamos nem a nós mesmos enquanto seguimos procurando modelos em quem nos identificamos e perdemos nossa identidade em favor de uma ansiedade impulsiva buscando um prazer momentâneo a qualquer custo...
o homem é um ser perdido oscilante flutuante pisando nos dias até o dia final
deixa os rastros...
segue como novo é o dia
como novas são as coisas

São Francisco abandonou até as roupas!!!
‎"as tristezas secretas são ainda mais cruéis do que as misérias públicas" Voltaire
sejamos discretos. antes de sair e apagar a luz é conveniente se certificar que todos estão distraídos em seus afazeres, não causar alarde para os proteger. convém que tudo esteja, inda que aparentemente, em seus devidos lugares. convém não se atrasar.não fazemos falta, quando todos têm sua ocupação podemos desligar o cordão.

domingo, 14 de novembro de 2010

meu pai sempre acreditou que sou muito inteligente. sempre acreditou que sou sossegada. sempre disse que sou lenta para fazer as coisas. sempre achou que não me apavoro com nada. toda vez que ele me vê - a gente se vê muito pouco, ele mora um pouco longe - ele me abraça diz rindo: "você está muito apavorada, hoje?" e depois dá uma gargalhada e diz: "você nunca se apavora". eu sempre rio concordando com ele...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

somente a nuvem
escura e grávida
pode chover

da chuva,
se esconde aquele que não quer se molhar

chuva inútil em tempo de telhados

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Aguda

na crueza de unhas gastas
o sol se põe outono
numa parede escarlate
gotejou a noite
o soro lento compassado
sangue sangue
a cor do sonho
sem rivotril
para onde?
dorme a dor desamparada
num berço ordinário
meu corpo

domingo, 31 de outubro de 2010

o que dou é o meu melhor e também o meu pior ou mais ou menos...é tudo uma questão se agrada ou não porque eu...porque eu tenho a exata medida dos teus olhos (tua ilusão)
às vezes resta um sol
às vezes uma réstia
às vezes uma indelicadeza
e nunca ninguém tem nada com isso
é coisa do livre arbítrio

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

...

Luz fria
nada que arrepia
os peixes dormem

Coisas de poeta (Samuel e eu)

Ivone - uma coisa se liga à outra... em volta do sol há pontos de encontro

Samuel - Como se fosse raios de luz interligados pelas pontas das sombras das árvores, embaixo...

Ivone - ouve! não é um solo! é uma orquestra inteira! as folhas dançam...as letras se misturam....a noite permite que se perca o senso...rs

Samuel - A noite sempre permite... Ela tem uma naturalidade em permitir o frio, o escuro, o sons... uma orquestra!

Ivone - e ela mesma é tão quieta...

Cântaro

Mergulha-te
em torrencial derrame
o gosto, eis o que fica


"O gosto é a qualidade fundamental que resume todas as demais qualidades. É o nec plus ultra da inteligência." É só através dele que o gênio é a saúde suprema e... o equilíbrio de todas as faculdades"...Os cantos de Maldoror - Lautréamont
eu tento controlar...é que essa fera que me habita tá sempre pronta pra um bote...o problema é que depois quem dança sou eu. mas às vezes até a agradeço quando não me controlo...
Eu seria necessária num tempo tardio
perder-se é um jeito de ausência
é um jeito de encontro
é um jeito de misturar-se
ser massa...
mais uma...

dizer não é necessário

ousar é também não fazer nada

é meu encontro o desencontro

salvar a pele
vestir o vento


‎"Um nada
éramos nós, somos, continuaremos
sendo, florescendo:
a rosa-de-nada, a
rosa-de-ninguém" Paul Celan

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

a termo

não
eu nunca te amei

o amor que em mim acendia
era só meu
eu amava o amor

você?!
um espelho encantado
que estilhaçado
lhe restou
tudo o que tem:

graças ao meu amor

eu amo o amor

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

desapego

porque tudo deve ser um presente,
assim como é um raio de sol no rosto logo de manhã
ou o vento aliviando as tensões

...assim como é o sono de nós dois...
eu tenho a rebeldia dos livres...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

...

Teu despertar me apavora
Tua ida de mim...

Eu jazz dançando no vácuo

Alheios

E esse tempo que nem pensei?
Já foste em retirada?
Acaso sabes de mim?...

Eu vejo a repetição
Esses sinais...
Eu conheço esses sinais

O barco dança: é culpa do mar

Quem sabe o que vem?

Conselho inconsciente: "deixar a palavra esfriando"

O mar transbordou
Eu morro afogada

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Na avenida Paulista outra vez...

Tomo nota:
*"Ele me diz com o ar um pouco mimado que a arte é aquilo que ajuda a escapar da inércia."
eu rio
a arte é o caminho sem volta...(e por acaso, há alguma volta?)
eu deixo teu sangue se misturar ao meu
amanheço em delírio
ando pelas calçadas da cidade
as cores e luzes das fachadas dos prédios em frenesi
palavras em reprise encobrem o som dos motores e das buzinas dos autos
imagens que rememoro
o som do teu nome
grafites. riscos desalinhados. a pressa da arte em perpetuar-se
paralisam meus olhos
ouço o baque das botas
não vejo os rostos
vultos
o vento retorce meus cabelos
faróis vermelhos
passos passos passos
só vejo você
a Avenida Paulista desaparece...

(ivone fs) * Ana Cristina Cesar - Luvas de Pelica