quero andar pelos carros e não ouvir os rugidos (sonho)
a essência da poesia aos gritos:
ando cansada de tapar os ouvidos
canais poluídos
excessos de auto propagandas
tenho tido muito enjoo
poesias de cordões
marionetes
e ainda há quem diga:
a minha sim é poesia! muita pretensão...
"sei lá, foda-se, na boa"
vamos jogar conversa fora
"sem essa" de falar sério
mas fale de mim que falo de você
e nos tornaremos imbatívies
a poesia? a poesia é mera consequência
que seria dela sem mim?!
sexta-feira, 26 de março de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
Cores de outono
as folhas do outono
aguçam olhares ao tempo
nostalgia
o vento bate morno
e já arrepia:
que medo é esse desfolhando as cores?
aguçam olhares ao tempo
nostalgia
o vento bate morno
e já arrepia:
que medo é esse desfolhando as cores?
domingo, 14 de março de 2010
círculo (Para Rita Medusa)

eram formas e meios
quadrados cápsulas globos cilindros cigarros canções
Ginsberg Borges Burroughs Kerouac Bukowski
euforia medo loucura apatia apatia loucura medo euforia
vozes
doses
sono...
profundo como um céu invertido
o abismo
sem nenhum sentido
o mundo
num quase impossível riso: - sei lá - dizia
- na anti-sala o tic tac jamais perde o compasso
vigia
.
quadrados cápsulas globos cilindros cigarros canções
Ginsberg Borges Burroughs Kerouac Bukowski
euforia medo loucura apatia apatia loucura medo euforia
vozes
doses
sono...
profundo como um céu invertido
o abismo
sem nenhum sentido
o mundo
num quase impossível riso: - sei lá - dizia
- na anti-sala o tic tac jamais perde o compasso
vigia
.
quarta-feira, 3 de março de 2010
seja feita a nossa vontade
clareia, dia!
oh dia!
que eu te leve pelas mãos e não pela barriga
clareia, dia!
a caneta ou o teclado dos poetas
que ao menos um soco eu leve
e com um olho roxo te enxergue
que não sejas mais um
café - desjejum
almoço com hora determinada
jantar obrigando salada
clareia, dia!
oh dia!
que sejas de fato novo!
oh dia!
que eu te leve pelas mãos e não pela barriga
clareia, dia!
a caneta ou o teclado dos poetas
que ao menos um soco eu leve
e com um olho roxo te enxergue
que não sejas mais um
café - desjejum
almoço com hora determinada
jantar obrigando salada
clareia, dia!
oh dia!
que sejas de fato novo!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
não se fixa uma prancha sobre as ondas
se alta entorpecia
a língua
em vertigem
engolia o maior vômito futuro
cantava Ben Jor: "...e que se pode voar sozinho até as estrelas"
segredos explícitos
negados
nas rutiladas retinas expostos
- o mar é morto o brilho é só memória -
esse gosto de querer adivinhar
de afirmar e negar
de negar afirmar
passado passado passando pulsando
intermitente
a língua
em vertigem
engolia o maior vômito futuro
cantava Ben Jor: "...e que se pode voar sozinho até as estrelas"
segredos explícitos
negados
nas rutiladas retinas expostos
- o mar é morto o brilho é só memória -
esse gosto de querer adivinhar
de afirmar e negar
de negar afirmar
passado passado passando pulsando
intermitente
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
dia primeiro
este ano não fiz lista
nem pedido algum pro Senhor do Bonfim
pulei ondas pra relaxar
e roubei as rosas de Iemanjá
nem pedido algum pro Senhor do Bonfim
pulei ondas pra relaxar
e roubei as rosas de Iemanjá
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Ivone
Anoitece
Se for noite de sarau, verei Ivone
Ficarei insone
Depois dessa miragem
Me faltará coragem
Para dormir
Ver Ivone é ir
Não sei para onde
É tomar o bonde
De uma história antiga
De encarnação passada
Ver Ivone é tudo
Mas hoje é só vê-la
Agradar aos olhos
Abraçar a moça
Entender a emoção
E conte-la
Essa menina é isso
É o viço
A alegria do momento
O ungüento
Que remove dores
Relembra a história de amores
E passa solene
Passa intocável
como são intocáveis
Os anjos que conheci
Vai, menina
Cuida bem de tí.
(Ruy Villani)
Poema dedicado a Ivone fs no livro Almas Costuradas de Ruy Villani publicado em dez/09
Se for noite de sarau, verei Ivone
Ficarei insone
Depois dessa miragem
Me faltará coragem
Para dormir
Ver Ivone é ir
Não sei para onde
É tomar o bonde
De uma história antiga
De encarnação passada
Ver Ivone é tudo
Mas hoje é só vê-la
Agradar aos olhos
Abraçar a moça
Entender a emoção
E conte-la
Essa menina é isso
É o viço
A alegria do momento
O ungüento
Que remove dores
Relembra a história de amores
E passa solene
Passa intocável
como são intocáveis
Os anjos que conheci
Vai, menina
Cuida bem de tí.
(Ruy Villani)
Poema dedicado a Ivone fs no livro Almas Costuradas de Ruy Villani publicado em dez/09
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
sob prescrição
cinquenta miligramas
e entro no sonho do nada...
posso viver sem o mundo
descansar as unhas
e o amanhã tanto faz
como este poema.
e entro no sonho do nada...
posso viver sem o mundo
descansar as unhas
e o amanhã tanto faz
como este poema.
como vingança, se assim quiseres
reservo
como numa receita culinária
um tempo certo
pra maturação
e aí desanda o pensamento
a viagem que fora, nada aflora
e dentro um redemoinho
sintetizo:
esse olhar derruba o meu
palavras que não mentem
resigno?
não
tudo frustação
o tempo escureceu
as nuvens que sozinhas vagavam ganham companhia
fugaz
eu, definitivamente, estou no mundo de fantasias
como numa receita culinária
um tempo certo
pra maturação
e aí desanda o pensamento
a viagem que fora, nada aflora
e dentro um redemoinho
sintetizo:
esse olhar derruba o meu
palavras que não mentem
resigno?
não
tudo frustação
o tempo escureceu
as nuvens que sozinhas vagavam ganham companhia
fugaz
eu, definitivamente, estou no mundo de fantasias
pensamentos imediatos IV
digito
apago
digito
apago
digito
apago
ainda não posso
ainda é desgaste
ainda o guindaste
guia
vou pela guia
giro
ainda
andam falando muito por aí
dizem tanto
mas fazem pouco
do que dizem
os sedutores não podem ouvir
aquarela
mais água
insípida
odeio poesia concreta
meu coração na palma da mão
eu me vejo ao pulos
nesse ponto que chego
penso em quanto me movi
eu faria de novo
isso eu sei
eu faria de novo
se fosse igual o que senti
e esse final é o que menos importa...
no teu corpo
eu vi o abismo
ausentei-me
fez-se o mundo sua semelhança
girou todas as voltas
e jurei crer que esvaziava-me
era feito o infinito
a corrida sem pouso
o estribilio da canção eterna...
apago
digito
apago
digito
apago
ainda não posso
ainda é desgaste
ainda o guindaste
guia
vou pela guia
giro
ainda
andam falando muito por aí
dizem tanto
mas fazem pouco
do que dizem
os sedutores não podem ouvir
aquarela
mais água
insípida
odeio poesia concreta
meu coração na palma da mão
eu me vejo ao pulos
nesse ponto que chego
penso em quanto me movi
eu faria de novo
isso eu sei
eu faria de novo
se fosse igual o que senti
e esse final é o que menos importa...
no teu corpo
eu vi o abismo
ausentei-me
fez-se o mundo sua semelhança
girou todas as voltas
e jurei crer que esvaziava-me
era feito o infinito
a corrida sem pouso
o estribilio da canção eterna...
retrato
eu sou uma mulher sem graça
que ainda causa inveja e ciúme: é disso que rio
eu sou uma mulher sem graça...
que ainda causa inveja e ciúme: é disso que rio
eu sou uma mulher sem graça...
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
sou poeta
perdida no silêncio
disfarçada à luz indireta
tudo tão igual
manhãs temporais
blecautes angústias
tudo tão inútil
memória passado
histórias embustes
uma página em branco
quase uma tortura
- entre a denúncia e o segredo, o degredo
disfarçada à luz indireta
tudo tão igual
manhãs temporais
blecautes angústias
tudo tão inútil
memória passado
histórias embustes
uma página em branco
quase uma tortura
- entre a denúncia e o segredo, o degredo
domingo, 11 de outubro de 2009
ele sabe rasgar-me o peito
e não cirze, deixa o feito
se fosse pra dizer tudo
teria que pintar
talvez filmar
ou fazer uma radiografia
minha pele se debatendo
(en-cena)
carne que resiste
(ao veneno)
à bala
à faca
ao flagelo
pálida, não sangra
feita estátua de santa
à confissão reverbera
ele dizia:
- ela é tão boazinha e não há quem dela não goste
eu pensava:
- só você me bastava. não preciso de tanto
se fosse pra dizer tudo
teria que pintar
talvez filmar
ou fazer uma radiografia
minha pele se debatendo
(en-cena)
carne que resiste
(ao veneno)
à bala
à faca
ao flagelo
pálida, não sangra
feita estátua de santa
à confissão reverbera
ele dizia:
- ela é tão boazinha e não há quem dela não goste
eu pensava:
- só você me bastava. não preciso de tanto
sábado, 10 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Hoje visitei Mario de Andrade
Hoje visitei a casa do Mario de Andrade. Foi por acaso - dizem que nada é por acaso -Estava na Barra Funda comendo um pedaço de abacaxi - desses mesmo que a gente compra numa banquinha de frutas na esquina - depois de enfrentar uma fila na Junta Comercial e ter "discutido" com o atendente que queria se livrar de todos em um minuto como que para demonstar sua eficiência pela rapidez no atendimento. O cara não ouvia ninguém e na minha vez prometi a ele que se não me passasse todas as informações ia dar um beijo na boca dele na frente de todo mundo. Nunca vi alguém corar tão rápido e a fila inteira riu. De fato as informações estavam erradas e quase paguei inutilmente uma guia que não serviria para o fim que eu precisava. Comia o abacaxi e contabilizava meu prejuízo do dia, guia: quinze reais, abacaxi: um real e o estacionamento: oito reais, tudo por uma exigência da Receita Federal e acabei ficando com um protocolo para voltar em cinco dias. ... (ainda bem que dei carona a um desconhecido a quem pedi informações para chegar até a Rua Barra Funda, isso adiantou meu expediente). Também falava com o Luiz Filho no msn pelo celular e dizia a ele que as ruas da Barra Funda eram esquisitas e ele disse que era questão de acostumar... uma vez eu falei pro Schawartz que não tinha nada na Praça Roosevelt...ele até twuintou minha frase...disse que rendeu muitas gargalhadas. O Schawartz é mais um que não acredita que nada é por acaso, pois foi por causa do absurdo que eu disse que acabei lá, na Praça Roosevelt, rodando em seus bares com a Rita Medusa, o José, o Mirisola, o Bactéria, Bortolotto, quer dizer o Bortolotto estava presente, só presente... E hoje, foi justamente quando eu praguejava as ruas da Barra Funda, que dei de cara com a Casa do Mario de Andrade. Lembrei do Muryel e por causa dele fotografei.

1. Francisco Pettinati - 2. um anônimo - 3. René Thoillier - 4. Manuel Bandeira - 5. A. F. Shmidt - 6. Paulo Prado - 7. Graça Aranha - 8. Manoel Vilaboin - 9. Goffredo da Silva Telles - 10. Couto de Barros - 11. Mario de Andrade - 12. Cândido Motta Filho - 13. Rubens Borba de Moraes - 14. Luís Aranha - 15. Tácito de Almeida - 16. Oswald de Andrade.
*Foto de um painel no interior da Casa de Mario de Andrade

1. Francisco Pettinati - 2. um anônimo - 3. René Thoillier - 4. Manuel Bandeira - 5. A. F. Shmidt - 6. Paulo Prado - 7. Graça Aranha - 8. Manoel Vilaboin - 9. Goffredo da Silva Telles - 10. Couto de Barros - 11. Mario de Andrade - 12. Cândido Motta Filho - 13. Rubens Borba de Moraes - 14. Luís Aranha - 15. Tácito de Almeida - 16. Oswald de Andrade.
*Foto de um painel no interior da Casa de Mario de Andrade
sábado, 19 de setembro de 2009
Entremeio
Espanta-me a abundância
quando dela se sabe: inefável
hoje fez sol!
eu vi através do vidro
e gelei quando fechei os olhos recostada à parede do quarto
o sol me desafiou logo cedo
eu,
sem luz,
embriagada há séculos,
tive um momento de lucidez
quando dela se sabe: inefável
hoje fez sol!
eu vi através do vidro
e gelei quando fechei os olhos recostada à parede do quarto
o sol me desafiou logo cedo
eu,
sem luz,
embriagada há séculos,
tive um momento de lucidez
domingo, 6 de setembro de 2009
a vida não tem mesmo jeito...

às seis da manhã, quando distribuem os jornais pelos andares, ouço o ruído do elevador que se movimenta e para, se movimenta e para. isso não impede que eu durma em seguida, quando esse trabalho termina. acordarei novamente quando a campainha do colégio em frente ao prédio tocar às 7:30, o que também não impede que eu volte a dormir depois. ando pensando em algo que me induza ao sono, ando querendo não pensar, ando querendo acordar daqui há algum tempo, quando já não mais estiver aqui. chorei.
o interfone tocou, esperei que tocasse mais algumas vezes, para ter certeza que havia tocado mesmo. a voz que chamava, o nome. pedi ao porteiro que repetisse e ele disse o nome e o codnome. da sacada do vigésimo andar, vi duas mãos segurando o portão, como a querer abri-lo à força. não. preciso dormir. olho no espelho e não gosto nada do que vejo. volto para cama. mas se fosse alguma emergência? - mulher é assim, não consegue dizer um não e ficar despreocupada - não. vou dormir. não durmo. ligo para o celular:
- aconteceu alguma coisa?
- vem tomar café comigo?! - desliga o celular. põe no bolso do paletó do terno. vi da sacada. volto para cama. durmo. meia hora? o interfone toca novamente. peço que espere um pouco. tomo banho, um creme no rosto. um jeans e a primeira blusa que encontro...
- o que houve?
- vim te ver. vamos tomar café na padaria?...
curioso como há momento em que se congela o pensamento, o corpo segue como que automatizado...
- cerveja? passou a noite em claro? ainda não foi para casa? pra mim café .
- a vida não tem mesmo jeito. ele disse olhando em meus olhos, como se essa fosse a conclusão de algo muito pensado e repetiu - a vida não tem mesmo jeito...
há um ano atrás parecia muito certo de seu rumo, pensei. mas eu sei que nada nesta vida é tão certo assim.
segurou minhas mãos e pela primeira vez senti que estava diante de mim tudo o que desejei daquele homem, tudo que duvidei que um dia ele tivesse coragem de demonstrar...
...no caminho de volta, ele me abraçou e caminhamos assim em silêncio...até o portão.
o sol ofuscava minha vista, eu reparava em sua pele clara do rosto algumas sardas espalhadas, enquanto seus olhos continuavam nos meus. ofereceu-me a face que beijei com carinho...ele se foi...
sobre o que falamos? quase nada foi dito... nem foi preciso
Ivone fs
(quadro: Frida Kahlo)
" - "Arvore da Esperança, Mantém-Firme" (1946)
Frida Kahlo pintou este auto retrato para seu patrono, o engenheiro Eduardo Morillo
Safa, depois de uma operação. Na mensagem "Arbol dela Esperanza Mantente Firme.",
que está escrita na bandeira, ela parece procurar alento. A expressão foi retirada de uma das suas canções preferidas. " obrigada, Carmen Sodré,pela informação!
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