o sol é cenário
a noite é cenário
enquando o mundo brinca de roda
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Caderninho
Ando quieta
compenetrada
não imagino o que me tiraria deste sério
porque tem hora, que nem o sonho tem mais ilusão
.
Diálogo mudo
Muito antes que venhas me dizer:
pressinto
...muito antes, tua palavra perderá o sentido
e nada me dirás...
.
Não sou pessimista, mas viver de encarar as coisas como são causa alguma frieza,
que até se parece com algum desânimo...
.
Não creias no que digo
nisso eu creio, já basta!
assim tua crença fica intacta
.
talvez doesse menos meu estômago
se eu pensasse menos
se eu sentisse menos
se eu esperasse menos
preciso urgente fazer uma dieta
.
perdi o interesse
prefiro me livrar das vestes velhas e seguir nua
.
Cinzas
da labaredas que queimaram Joana
imagino um burburinho
e alguns estalos partindo seus ossos
pra me livrar um pouco ao menos de meus mais.
.
o calvário da consciência lúcida
procura o cimo
um sabão em pedra
e um tampão para os olhos
compenetrada
não imagino o que me tiraria deste sério
porque tem hora, que nem o sonho tem mais ilusão
.
Diálogo mudo
Muito antes que venhas me dizer:
pressinto
...muito antes, tua palavra perderá o sentido
e nada me dirás...
.
Não sou pessimista, mas viver de encarar as coisas como são causa alguma frieza,
que até se parece com algum desânimo...
.
Não creias no que digo
nisso eu creio, já basta!
assim tua crença fica intacta
.
talvez doesse menos meu estômago
se eu pensasse menos
se eu sentisse menos
se eu esperasse menos
preciso urgente fazer uma dieta
.
perdi o interesse
prefiro me livrar das vestes velhas e seguir nua
.
Cinzas
da labaredas que queimaram Joana
imagino um burburinho
e alguns estalos partindo seus ossos
pra me livrar um pouco ao menos de meus mais.
.
o calvário da consciência lúcida
procura o cimo
um sabão em pedra
e um tampão para os olhos
Minha Vila Madalena
Minha Vila Madalena
Enquanto as ruas me atravessam
passo a passo, sem pressa,
grafites, frases, muros,
rastros, bares, murmúrios,
um vendedor de rosas,
toda prosa,
na Fradique Coutinho,
diz que plástico não morre,
nem riso que nasce molhado
da pétala fresca dos lábios
da moça que anda sozinha,
diz que sabe poesia,
diz de um dia que chovia
e vai dizendo,
enquanto rumo ao encontro,
de quem ainda nem conhecia,
no estacionamento,
a minha espera,
na Livraria.
Enquanto as ruas me atravessam
passo a passo, sem pressa,
grafites, frases, muros,
rastros, bares, murmúrios,
um vendedor de rosas,
toda prosa,
na Fradique Coutinho,
diz que plástico não morre,
nem riso que nasce molhado
da pétala fresca dos lábios
da moça que anda sozinha,
diz que sabe poesia,
diz de um dia que chovia
e vai dizendo,
enquanto rumo ao encontro,
de quem ainda nem conhecia,
no estacionamento,
a minha espera,
na Livraria.
Sob meu olhar
Dias e dias
em convívio recluso
limite, fobia
falei ao avesso
pensei inconsequente:
pipas, balões, aviões
desenhos em papel de seda
papéis de parede, rede
noites insones
Nina Simone
contrastes
na página de hoje
marca-dor
pedaços do passado
espelhos estraçalhados
um corte na mão
amadora
em convívio recluso
limite, fobia
falei ao avesso
pensei inconsequente:
pipas, balões, aviões
desenhos em papel de seda
papéis de parede, rede
noites insones
Nina Simone
contrastes
na página de hoje
marca-dor
pedaços do passado
espelhos estraçalhados
um corte na mão
amadora
Delírios
Estou pronta
com uma raiva rondando
um ataque
atabaques (palavrinha oportuna)
um bote
e castelos caem
com uma raiva rondando
um ataque
atabaques (palavrinha oportuna)
um bote
e castelos caem
Sonho de Março
Dormir
povoar a noite de sonhos fragmentados
perdi uma criança
de vista
perdi a hora
e um compromisso
esqueci a senha
e chorei
pelo que escapou por esquecimento
cobrou a dor no peito
o dia já pelo meio
o passo que não alcançou
a hora passada
a frustração
a impotência
o sonho perdido
o caos
reflexo do meio
perdi o ponto
balanço
explicações desconexas
desculpas de paz
aos teus pés
angústia
a passagem impressa
jogo de palavras
decolagem
mais um vulto entre transeuntes
inconfessável
incontestável
povoar a noite de sonhos fragmentados
perdi uma criança
de vista
perdi a hora
e um compromisso
esqueci a senha
e chorei
pelo que escapou por esquecimento
cobrou a dor no peito
o dia já pelo meio
o passo que não alcançou
a hora passada
a frustração
a impotência
o sonho perdido
o caos
reflexo do meio
perdi o ponto
balanço
explicações desconexas
desculpas de paz
aos teus pés
angústia
a passagem impressa
jogo de palavras
decolagem
mais um vulto entre transeuntes
inconfessável
incontestável
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Resvala da luz
Choque
vagar em noites,
seguir ciente das ciladas
o riso da boca para fora
no rosto, um véu mascara
não vanglorio
sei da minha miséria
das pétalas,
da flor ainda semi-aberta,
secura
é curto o ciclo...podia deixá-lo cumprir-se
tão silenciosa a margem em que me debruço
chove sem mais sonhar a estiagem
vertente que não se esgota
vertigem constante
essa que vês, se faz camaleão e sua cor é palidez
um dia ousou o sonho,
hoje a frieza
não diria jamais que voluntária
minha ousadia precede o que quero
seguir ciente das ciladas
o riso da boca para fora
no rosto, um véu mascara
não vanglorio
sei da minha miséria
das pétalas,
da flor ainda semi-aberta,
secura
é curto o ciclo...podia deixá-lo cumprir-se
tão silenciosa a margem em que me debruço
chove sem mais sonhar a estiagem
vertente que não se esgota
vertigem constante
essa que vês, se faz camaleão e sua cor é palidez
um dia ousou o sonho,
hoje a frieza
não diria jamais que voluntária
minha ousadia precede o que quero
domingo, 29 de março de 2009
Ele diz: (Ricardo Pozzo e Ivone fs)
- tá com raiva?
- hoje quero ser pedra mais que saliva
- voce quer ser a medusa?
- não. mas olharia nos olhos dela
- a vitima dela?
- não vítima
- suicidazinha!
- vontade...
- olha para trás, igual a mulher de lot
- mulher de lot?
- de sodoma e gomorra
- e virar pedra?
- de sal
e sodoma e gomorra viraram o mar morto
mas aí quem sabe te lambam pelo menos
- as vacas adoram lamber sal...
- eu seria uma vaca
- o sal faz flutuar
- o corpo
- num mar morto salino
- credo... ta mais pra hebréia que pra grega então
- hoje quero ser pedra mais que saliva
- voce quer ser a medusa?
- não. mas olharia nos olhos dela
- a vitima dela?
- não vítima
- suicidazinha!
- vontade...
- olha para trás, igual a mulher de lot
- mulher de lot?
- de sodoma e gomorra
- e virar pedra?
- de sal
e sodoma e gomorra viraram o mar morto
mas aí quem sabe te lambam pelo menos
- as vacas adoram lamber sal...
- eu seria uma vaca
- o sal faz flutuar
- o corpo
- num mar morto salino
- credo... ta mais pra hebréia que pra grega então
ondulações
acho bonita a cidade assim
vista daqui do alto
visto-a nos olhos
hoje de neblina
seda londrina
vista daqui do alto
visto-a nos olhos
hoje de neblina
seda londrina
Sobram as palavras
em que sentido?
nenhum. bloqueio de direção.
viraram um amontoado
e, neste caso específico,
o poema estava do lado de fora.
nenhum. bloqueio de direção.
viraram um amontoado
e, neste caso específico,
o poema estava do lado de fora.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Paisagem
Do vento, uma rajada
onde transpareço nuvem
De um sopro, um alarde
rebatendo no teto
Uma sensação
parando entre os olhos e o tempo corrido
Um carro,
uma marginal em vai e vem
Um Pinheiros de tez lisa plúmbea
escondendo seu desespero
À saída de um esgoto,
uma garça... solidão.
onde transpareço nuvem
De um sopro, um alarde
rebatendo no teto
Uma sensação
parando entre os olhos e o tempo corrido
Um carro,
uma marginal em vai e vem
Um Pinheiros de tez lisa plúmbea
escondendo seu desespero
À saída de um esgoto,
uma garça... solidão.
terça-feira, 3 de março de 2009
O mundo é muito barulhento
Faça-se silêncio
que hoje preciso dos ruídos
das árvores
das águas
das pedras
em choque com o vento
e só.
que hoje preciso dos ruídos
das árvores
das águas
das pedras
em choque com o vento
e só.
Ânsias e mármore
Quem dera fosse eu iludida.
Por que vazam-me os olhos
as certezas cruas inauditas?
Por que vazam-me os olhos?
Ronda-me um abraço inédito
Incendeia qualquer riso pouco
Abrasam cinzas em descrédito
Ao vir vento sopro intrépido
Qual beleza fria, fotografia,
O deserto, a solidão a esmo,
Refletindo assaz água viva
Porque certa é a imagem nua,
Céu de um pensamento audaz
Que na dureza não se amotina.
Por que vazam-me os olhos
as certezas cruas inauditas?
Por que vazam-me os olhos?
Ronda-me um abraço inédito
Incendeia qualquer riso pouco
Abrasam cinzas em descrédito
Ao vir vento sopro intrépido
Qual beleza fria, fotografia,
O deserto, a solidão a esmo,
Refletindo assaz água viva
Porque certa é a imagem nua,
Céu de um pensamento audaz
Que na dureza não se amotina.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Nada muda
Se eu não tiver você
(e eu não tenho)
continua todo o mundo igual
os dias de sol
as estrelas nos lembrando do céu
o mar sempre responderá ao vento
logo de manhã, os mesmos carros rugirão
as cidades seguirão seu ritmo
se eu não tiver você
ninguém deixa de fazer nada por isso
os teus amigos rirão contigo
a cama macia acolherá o corpo exausto
as contas vencerão
o trabalho exigirá como sempre
nada muda se eu não tiver você
as coisas de fora se movimentam
as coisas de dentro são como um jardim
e num tempo de rosas florescem e morrem
aqui não importa se lá fora é outono
dentro as estações não têm lógica
se eu não tenho você
nada muda ...
(e eu não tenho)
continua todo o mundo igual
os dias de sol
as estrelas nos lembrando do céu
o mar sempre responderá ao vento
logo de manhã, os mesmos carros rugirão
as cidades seguirão seu ritmo
se eu não tiver você
ninguém deixa de fazer nada por isso
os teus amigos rirão contigo
a cama macia acolherá o corpo exausto
as contas vencerão
o trabalho exigirá como sempre
nada muda se eu não tiver você
as coisas de fora se movimentam
as coisas de dentro são como um jardim
e num tempo de rosas florescem e morrem
aqui não importa se lá fora é outono
dentro as estações não têm lógica
se eu não tenho você
nada muda ...
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Redemoinho
Se solto todos os cordões
e ainda assim há o limite
vem do coração, esse ditador insano,
que me prende em fissura,
a amarra que me faz escrava
a gravidade que me aterriza.
e ainda assim há o limite
vem do coração, esse ditador insano,
que me prende em fissura,
a amarra que me faz escrava
a gravidade que me aterriza.
Pequenos ruídos
luz queimando as horas
trechos de melodias
corpos descobertos
ar absorvendo as águas do (nosso)amor
mão adormecida sobre o ventre
tudo no centro da terra
pós explosão. silente.
trechos de melodias
corpos descobertos
ar absorvendo as águas do (nosso)amor
mão adormecida sobre o ventre
tudo no centro da terra
pós explosão. silente.
Cirurgia
Hospital. Quarto 43.
Cirurgia bem sucedida feita pelos dois irmãos ginecologistas. Ela, 53 anos, sem filhos.
Esforçava-se para manter o ouvido atento à conversa entre os irmãos. Tentava interrompê-los, pois sentia-se agoniada ao ver seu útero naquele recipiente transparente, guardado para análise laboratorial. Seus apelos silenciosos ocorrerram quando entrou o médico, professor dos irmãos e amigo da família, para uma visita. Apesar dos 80 anos tinha muito vigor no andar e na fala.
- Minha querida, a partir de agora você será uma mulher muito feliz!
- Obrigada, doutor, mas por que o senhor diz isso?
- Porque a partir de agora você é uma mulher oca!
Cirurgia bem sucedida feita pelos dois irmãos ginecologistas. Ela, 53 anos, sem filhos.
Esforçava-se para manter o ouvido atento à conversa entre os irmãos. Tentava interrompê-los, pois sentia-se agoniada ao ver seu útero naquele recipiente transparente, guardado para análise laboratorial. Seus apelos silenciosos ocorrerram quando entrou o médico, professor dos irmãos e amigo da família, para uma visita. Apesar dos 80 anos tinha muito vigor no andar e na fala.
- Minha querida, a partir de agora você será uma mulher muito feliz!
- Obrigada, doutor, mas por que o senhor diz isso?
- Porque a partir de agora você é uma mulher oca!
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