Da nossa conversa no dia do encontro BDE 09/02/08
Confiança de confessor
tenho sim, nele!
Viajamos num mar
onde ele era o marinheiro
e com tanta água
em nossa frente
foi logo se perder
num agreste
em lua crescente
de fevereiro
bem no dia nove
enquanto a noite
reinava feito dia
no nosso terreiro
Viajamos
em duas pinturas:
um mar e um agreste
um sonho
e uma beleza
duas imagens
uma, passado
outra, possível
Ivone Fran*s
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Fênix
*
Ainda tem um susto ruminando
De quando sem rodeios cortou
Nosso vínculo e eu me perdi...
Fui só poeira, um sol escondido
Noites e dias inteiros rosnando
Entre dentes cravados sangrando
A esmo naveguei as horas de ira
Prendi minhas mãos e fui morar
Na rua.... dormi com mendigos
Semi-nua, a clara da noite, meia lua
Me puxa os olhos e em si silenciosa
duplica-se em minhas retinas
Que queres me dizer?
- Até pra renascer de si
há de se perder!
Ivonefs
Ainda tem um susto ruminando
De quando sem rodeios cortou
Nosso vínculo e eu me perdi...
Fui só poeira, um sol escondido
Noites e dias inteiros rosnando
Entre dentes cravados sangrando
A esmo naveguei as horas de ira
Prendi minhas mãos e fui morar
Na rua.... dormi com mendigos
Semi-nua, a clara da noite, meia lua
Me puxa os olhos e em si silenciosa
duplica-se em minhas retinas
Que queres me dizer?
- Até pra renascer de si
há de se perder!
Ivonefs
De manhã
*
Haverá uma linha
onde fixarei minhas dores
e minha face espelho
te chocará?
É finda beleza
uma estranheza
na luz amanhecida
em torno menta
chocolate, café
Contornos invento
aromas invadem
palavras iguais
e nada muda
atos imorais
Não, não perderei
o senso!
ainda é cedo
na memória
ainda é clara
a fala e calo
Espero o tempo..
Ivone Fran*s
Haverá uma linha
onde fixarei minhas dores
e minha face espelho
te chocará?
É finda beleza
uma estranheza
na luz amanhecida
em torno menta
chocolate, café
Contornos invento
aromas invadem
palavras iguais
e nada muda
atos imorais
Não, não perderei
o senso!
ainda é cedo
na memória
ainda é clara
a fala e calo
Espero o tempo..
Ivone Fran*s
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Pequenos Contos
Pequenos Contos -
"Quem navega com mapas e bússolas não descobre mais nada. Só a alegria dos navegantes errantes é que descobre mundos novos. E os encanta."
Edson Marques.
Àquela hora, embora fosse ainda muito cedo, já havia preparado dois relatórios, lido e respondido vários e-mails e enviado mais alguns. Tinha a agenda aberta à sua frente, tentando descobrir um brechinha, onde pudesse encaixar um pouco de prazer. Estava exausto. Perdera alguns minutos, pensando nisso e já se aborrecera. Então desistiu. Saiu. Seguiu pelo mesmo caminho, tão conhecido, que nem o via mais. Ao chegar no escritório, recebeu os "bons dias" automáticos acompanhados de leves sorrisos, mais automáticos ainda. Mal entrara em sua sala e a copeira, sorridente apareceu com seu café e água. O interfone toca e a voz enfadonha da exímia secretária começa a passar diversos recados. Ele não ouve nenhum e quando ela termina, apenas diz: hoje não estou e você não sabe para onde fui e nem quando retornarei. Ela ainda insiste com alguns recados, ele repete e desliga...
Vai ao Aeroporto Nacional de Congonhas, sem passagem comprada com antecedência e apenas movido por um impulso.O celular insiste em tocar. Ele desliga. No banheiro, impetuosamente arranca o paletó e joga no lixo, em seguida se livra da gravata
e sorri olhando para as vestes amassadas, que antes tratava com tanto esmero.
Olha-se no espelho, como se nunca o tivesse visto antes...
No saguão, procura um bar e se acomoda em uma mesa, aclopada com outra, onde um casal conversava. Sempre tivera aversão a este tipo americano de mesas. Mas hoje não procura nada especial, segue um fluxo de nenhuma exigência. abre o notbook e vai direto para páginas de e-mails. A conversa de um casal ao lado impede sua concentração. Irritado fez menção de desligar, até que ouve:
- Cara, vc sabe, nunca vou a nenhuma balada sem êxtase, eu não consigo entar lá sem nada e curtir.
Era uma jovem, aparentando 25 anos, alta, bonita, com cara de "bem nascida", cabelos curtos. Ele , talvez com a mesma idade, um rosto bem desenhado, com traços
árabes e um com visual moderno.
- Êxtase!? isso já era. balada das boas mesmo, só rola LSD. êxtase, só em parada
pobre e aí não dá né.
- É verdade, outro dia fui numa festa e só tocava pagode e era o que tinha...hahahah
- Já fiz uma matéria sobre isso, na Alemanha. Lá , nem se compara com as baladas daqui. O pessoal é muito mais louco, muito mais liberal! Tem que ver. Aparentemente todo mundo é sério, mas vai nas baladas...
- É. foda.
Quase meio dia e ele ainda permanece à mesa, olhando os jovens que saem andando, lentos e despreocupados, gesticulando seus braços, na conversa que já não poderia mais ouvir. Olha para o Notbook, envia uma mensagem e o desliga. Hora de ir...mas pra onde?
Indeciso, volta para o estacionamento e sai com o carro. Parecia a primeira vez que a via a cidade. Olha tudo com muita atenção e procura placas que indiquem a Marginal Tietê e Via Dutra...
- A Alice que se foda! que se fodam todos. Cansei. Vida de robô, de filhodaputa,
de gente alienada. hahah, eu vou para "Pasárgada"!!!! hahahahaha
Após duas horas na estrada, procura uma cidade, onde compra umas roupas, um tênis, cigarros e um caderno para anotações. A idéia do caderno lhe surgiu nesse momento. Sempre tivera o hábito de anotar suas impressões, mas nunca lia nada do que escrevia. Almoça em uma lanchonete e segue a viagem.
Já está próximo do Rio de Janeiro, quando um vulto surge de repente na frente de seu carro o força a frear. Um jovem, de cabelos longos, mochila nas costas, se apresenta no vidro do carro.
- Aí chefia, desculpa aí, mas tô aqui desde cedo e, mano, ninguém pára não, resolvi tentar um suicídio, baseado na crença que tenho de que ninguém morre antes da hora. Tô indo pra Bahia e dependo de quem me leva, os trocos que tenho é só pra enganar a fome, que aliás tá pegando.
- Entra aí.
-Ops, valeu aí meu camarada! um conforto deste é até demais. Já caminhei um bocado e digo que faz bem; saí com a cabeça que era a bola toda do mundo e já tô até me sentindo feito esse ventinho que voa sem qualquer rumo. Tá indo pra onde?
- Pasárgada.
- Ah, é bem humorado! já vi gosta desse lance de nem sei pra onde vou pra ver se chego.
- É de São Paulo, cara?
-Sou sim.
- Sou de lá também, mas cansei da zoeira, tô querendo sossego, precisando me alinhar, encontrar umas paradas que faça a minha. Fiquei cheio de pai, mãe, namorada pegando no meu pé. Desde que nasci, nunca me deram sossego.
Fiz tudo o que eles queriam. Ai, entrei na porra de Direito, por que ele quís, meu pai, que é desembargador. Dois anos empurrados, eu queria fazer matemática e fui, prestei matemática na estadual de Campinas e entrei, mas na hora de ir, não fui.
Não tive coragem de deixar minha casa, meu irmão. Covarde heim?, é fui sim.
Fui fazer turismo e me tornei turista em dois meses. Detestei. Aí, meus pais piraram e me levaram num psiquiatra. Só serviu pra minha mãe ficar ainda mais doida, só porque o louco do "Pi", disse que eu viajava demais, que esta fora da realidade e que isto era um sintoma de esquizofrenia, que eu estava por um triz. E lá fui eu, duas vezes por semana, sentadinho no divã. Ah, me dei alta. Muito blá, blá, blá... Mas eu sabia, sempre soube, que me sufocaram demais, cuidaram demais....Um dia veio uma luz e resolvi fazer cinema e tô fazendo, quer dizer, tranquei a matrícula este ano, fui pro quarto ano. Mas este, cara, vou descansar e dar um descanso pra eles. Tá aqui o celular, sem bateria...mas fala aí, fiquei esses dias sem falar e nem tô dando pausa!
Ivonefs
"Quem navega com mapas e bússolas não descobre mais nada. Só a alegria dos navegantes errantes é que descobre mundos novos. E os encanta."
Edson Marques.
Àquela hora, embora fosse ainda muito cedo, já havia preparado dois relatórios, lido e respondido vários e-mails e enviado mais alguns. Tinha a agenda aberta à sua frente, tentando descobrir um brechinha, onde pudesse encaixar um pouco de prazer. Estava exausto. Perdera alguns minutos, pensando nisso e já se aborrecera. Então desistiu. Saiu. Seguiu pelo mesmo caminho, tão conhecido, que nem o via mais. Ao chegar no escritório, recebeu os "bons dias" automáticos acompanhados de leves sorrisos, mais automáticos ainda. Mal entrara em sua sala e a copeira, sorridente apareceu com seu café e água. O interfone toca e a voz enfadonha da exímia secretária começa a passar diversos recados. Ele não ouve nenhum e quando ela termina, apenas diz: hoje não estou e você não sabe para onde fui e nem quando retornarei. Ela ainda insiste com alguns recados, ele repete e desliga...
Vai ao Aeroporto Nacional de Congonhas, sem passagem comprada com antecedência e apenas movido por um impulso.O celular insiste em tocar. Ele desliga. No banheiro, impetuosamente arranca o paletó e joga no lixo, em seguida se livra da gravata
e sorri olhando para as vestes amassadas, que antes tratava com tanto esmero.
Olha-se no espelho, como se nunca o tivesse visto antes...
No saguão, procura um bar e se acomoda em uma mesa, aclopada com outra, onde um casal conversava. Sempre tivera aversão a este tipo americano de mesas. Mas hoje não procura nada especial, segue um fluxo de nenhuma exigência. abre o notbook e vai direto para páginas de e-mails. A conversa de um casal ao lado impede sua concentração. Irritado fez menção de desligar, até que ouve:
- Cara, vc sabe, nunca vou a nenhuma balada sem êxtase, eu não consigo entar lá sem nada e curtir.
Era uma jovem, aparentando 25 anos, alta, bonita, com cara de "bem nascida", cabelos curtos. Ele , talvez com a mesma idade, um rosto bem desenhado, com traços
árabes e um com visual moderno.
- Êxtase!? isso já era. balada das boas mesmo, só rola LSD. êxtase, só em parada
pobre e aí não dá né.
- É verdade, outro dia fui numa festa e só tocava pagode e era o que tinha...hahahah
- Já fiz uma matéria sobre isso, na Alemanha. Lá , nem se compara com as baladas daqui. O pessoal é muito mais louco, muito mais liberal! Tem que ver. Aparentemente todo mundo é sério, mas vai nas baladas...
- É. foda.
Quase meio dia e ele ainda permanece à mesa, olhando os jovens que saem andando, lentos e despreocupados, gesticulando seus braços, na conversa que já não poderia mais ouvir. Olha para o Notbook, envia uma mensagem e o desliga. Hora de ir...mas pra onde?
Indeciso, volta para o estacionamento e sai com o carro. Parecia a primeira vez que a via a cidade. Olha tudo com muita atenção e procura placas que indiquem a Marginal Tietê e Via Dutra...
- A Alice que se foda! que se fodam todos. Cansei. Vida de robô, de filhodaputa,
de gente alienada. hahah, eu vou para "Pasárgada"!!!! hahahahaha
Após duas horas na estrada, procura uma cidade, onde compra umas roupas, um tênis, cigarros e um caderno para anotações. A idéia do caderno lhe surgiu nesse momento. Sempre tivera o hábito de anotar suas impressões, mas nunca lia nada do que escrevia. Almoça em uma lanchonete e segue a viagem.
Já está próximo do Rio de Janeiro, quando um vulto surge de repente na frente de seu carro o força a frear. Um jovem, de cabelos longos, mochila nas costas, se apresenta no vidro do carro.
- Aí chefia, desculpa aí, mas tô aqui desde cedo e, mano, ninguém pára não, resolvi tentar um suicídio, baseado na crença que tenho de que ninguém morre antes da hora. Tô indo pra Bahia e dependo de quem me leva, os trocos que tenho é só pra enganar a fome, que aliás tá pegando.
- Entra aí.
-Ops, valeu aí meu camarada! um conforto deste é até demais. Já caminhei um bocado e digo que faz bem; saí com a cabeça que era a bola toda do mundo e já tô até me sentindo feito esse ventinho que voa sem qualquer rumo. Tá indo pra onde?
- Pasárgada.
- Ah, é bem humorado! já vi gosta desse lance de nem sei pra onde vou pra ver se chego.
- É de São Paulo, cara?
-Sou sim.
- Sou de lá também, mas cansei da zoeira, tô querendo sossego, precisando me alinhar, encontrar umas paradas que faça a minha. Fiquei cheio de pai, mãe, namorada pegando no meu pé. Desde que nasci, nunca me deram sossego.
Fiz tudo o que eles queriam. Ai, entrei na porra de Direito, por que ele quís, meu pai, que é desembargador. Dois anos empurrados, eu queria fazer matemática e fui, prestei matemática na estadual de Campinas e entrei, mas na hora de ir, não fui.
Não tive coragem de deixar minha casa, meu irmão. Covarde heim?, é fui sim.
Fui fazer turismo e me tornei turista em dois meses. Detestei. Aí, meus pais piraram e me levaram num psiquiatra. Só serviu pra minha mãe ficar ainda mais doida, só porque o louco do "Pi", disse que eu viajava demais, que esta fora da realidade e que isto era um sintoma de esquizofrenia, que eu estava por um triz. E lá fui eu, duas vezes por semana, sentadinho no divã. Ah, me dei alta. Muito blá, blá, blá... Mas eu sabia, sempre soube, que me sufocaram demais, cuidaram demais....Um dia veio uma luz e resolvi fazer cinema e tô fazendo, quer dizer, tranquei a matrícula este ano, fui pro quarto ano. Mas este, cara, vou descansar e dar um descanso pra eles. Tá aqui o celular, sem bateria...mas fala aí, fiquei esses dias sem falar e nem tô dando pausa!
Ivonefs
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Nas horas que te penso em mim

*
Amor, na luz do dia que inicia
quando vadias as horas dançam
quando as palavras não saciam
e um toque em tua porta ouvires:
veja como chego - um susto de encanto -
venho toda com o tempo de dentro
tua boca impetuosa busca a minha
nos tomamos de nós. me lambusa
de unguento. é nosso tempo
venha lento, me alimenta
um rio sereno me envolvendo
te descobres em minha pele
e eu me penso grande
me penso tua.
Ivonefs
domingo, 20 de janeiro de 2008
Areias

I - Viagem
As asas imensas
que a transportaram
voaram Saaras
as árias intensas
que a conduziam
calaram Marias
das Dores
das Graças
das Virgens
II - Deserto
Na areia solta,
pegadas de caças
tudo miragem...será?
em que pesar?
onde pousar?
a alegria se revira
até os dentes
e se contorce
o peito tomba
e a boca beija
o que encontra:
- um solo árido,
desaponto
em tese - já é muito tarde
nada peça!
e seu grito...era interno.
III - Pouso
e assim o nome surge...
o deserto habitou-se de letras
e fui tomar um café no fim do mundo.
Levei a água que faltava
molhei a areia remexida
misturei a precisão
com pó branco e açucar mascavo
refiz uma história
que nunca na vida
será uma constatação
pois volta e meia
uma outra já é nova
- Felicidade Comprimida
IV - Vulnerável
Era perto
que de tão perto
se distanciava
e tinha tudo,
mas um tudo
desses completo
que não precisa
de mais nada
nem esforço, nada
e é por isso que doía
certeza demais
dói muito mais
V - Ausência
Aflição de um céu
poente
olhos airados
passagem lenta
de dourado
a cinza oculto
De bruços me deito
a areia me aqueçe
e penso: teu corpo
- aperto no peito
sufoco um soluço -
Calada
a escuridão me esconde
a aflição aumenta
um vento incandescente: Vesta
e os grãos em brasa
me cobrem
Lembro-me que o sonho é...
nunca será uma noite
(essa) esquecida
Adormecem os ruídos
e te respiro
Em minhas costas
meu, teu ... gemidos
VI -Consagro ao deserto meu desejo
Vesta e Vestais
um temporal
vento e fogo
cidadela
areia e água
vergonha
atrito
tagarelas
enregelados
sentidos
retina
branco
translúcido
alma
corpo
espedaçados
impotência
lúcida
de um fim
apego
desapego
entre meio: indiferença
duas vidas
inflorescência
entre a vida
entre a morte
além do desejo
o amor
expansão
... seus pés deixam pegadas leves e rumam...
Ivone Fs
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Miragem
As asas imensas
que a transportaram
voaram Saaras
as árias intensas
que a conduziam
calaram Marias
das Dores
das Graças
das Virgens
- na areia solta,
pegadas de caças
tudo miragem...será?
em que pesar?
onde pousar?
a alegria se revira
até os dentes
e se contorce
o peito tomba
e a boca beija
o que encontra:
- um solo árido,
desaponto
em tese - já é muito tarde
nada peça!
e seu grito...era dentro.
Ivonefs
que a transportaram
voaram Saaras
as árias intensas
que a conduziam
calaram Marias
das Dores
das Graças
das Virgens
- na areia solta,
pegadas de caças
tudo miragem...será?
em que pesar?
onde pousar?
a alegria se revira
até os dentes
e se contorce
o peito tomba
e a boca beija
o que encontra:
- um solo árido,
desaponto
em tese - já é muito tarde
nada peça!
e seu grito...era dentro.
Ivonefs
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Em ti repousei
Sou refém sem algemas
acaso vês?
não saio do lugar
e tremo e temo
em cada dia circulo
no antártico brumado
esquecida
e gelo e gemo
presa de teus olhos
presa de tua ausência
presa em espera
diante de portas cerradas
num fio que me corta
tão fino tilinta...
...em ti repousei
e nem te sei.
Ivonefs
acaso vês?
não saio do lugar
e tremo e temo
em cada dia circulo
no antártico brumado
esquecida
e gelo e gemo
presa de teus olhos
presa de tua ausência
presa em espera
diante de portas cerradas
num fio que me corta
tão fino tilinta...
...em ti repousei
e nem te sei.
Ivonefs
Os temores se superam nas pederneiras
As minhas letras me desenham. Nelas meus dias atravessam,
não as prostituo, nem elas me usam. Envolvo-me em seus traços.
São meu avesso, direito, esquerdo, de cima a baixo; meus anseios e delírios
deitados à tela. Na busca me embrenho e não me engano. Constato.
Minha natureza é como outra qualquer. Sou como os insetos, como as flores,
as espigas de milho, as lagartixas...Ninguém mudará.
Desvios forçados, infelicidade!
- Liberdade aos escravos em sua vaidade, em seus vícios, em suas vontades.
Não nos desgastemos. Deixemo-los livres em suas variedades.
Mas quando você me diz que suas mãos serão sempre minhas, meus temores...
ah...meus temores se superam nas pederneiras.
Ivonefs
não as prostituo, nem elas me usam. Envolvo-me em seus traços.
São meu avesso, direito, esquerdo, de cima a baixo; meus anseios e delírios
deitados à tela. Na busca me embrenho e não me engano. Constato.
Minha natureza é como outra qualquer. Sou como os insetos, como as flores,
as espigas de milho, as lagartixas...Ninguém mudará.
Desvios forçados, infelicidade!
- Liberdade aos escravos em sua vaidade, em seus vícios, em suas vontades.
Não nos desgastemos. Deixemo-los livres em suas variedades.
Mas quando você me diz que suas mãos serão sempre minhas, meus temores...
ah...meus temores se superam nas pederneiras.
Ivonefs
Arte abstrata
Serei serena
na noite conturbada
Teu nome passeia
em meus lábios
- chamo e não o vejo
grito e não me escutas -
Meus delírios acordados
são como noites suspensas
quando caminho em nuvens densas
onde contorno os tons
Estás tão longe e penso - Kandinsky
Envolvo-me na paisagem indefinida
de tintas frescas, onde me componho
nas cores vibrantes que rimam
com teus seus olhos fortuitos...
Ivone fransa
na noite conturbada
Teu nome passeia
em meus lábios
- chamo e não o vejo
grito e não me escutas -
Meus delírios acordados
são como noites suspensas
quando caminho em nuvens densas
onde contorno os tons
Estás tão longe e penso - Kandinsky
Envolvo-me na paisagem indefinida
de tintas frescas, onde me componho
nas cores vibrantes que rimam
com teus seus olhos fortuitos...
Ivone fransa
Madrugada
De um ponto
ao outro
tem o silêncio
e a supensão do ar
nele contém
batidas fortes
e todo movimento
é em linha reta
até quando se dobra
a esquina
ou se perde
a direção
só se vê o ponto
e quando o encontra
só se vê no desencontro.
Ivonefs
ao outro
tem o silêncio
e a supensão do ar
nele contém
batidas fortes
e todo movimento
é em linha reta
até quando se dobra
a esquina
ou se perde
a direção
só se vê o ponto
e quando o encontra
só se vê no desencontro.
Ivonefs
Realidade cruel
A mãe, na cadeira de rodas,
pernas amputadas
O filho, em sua frente,
drogado demente
- obriga-a a tocar...
Ivone fran*s
pernas amputadas
O filho, em sua frente,
drogado demente
- obriga-a a tocar...
Ivone fran*s
De mais ninguém
Ainda sou o ontem
que cortou a noite
e ao meu lado
um sol esfuziante
com os dedos molhados
tocava Rock in versos
Ivone Fran*s
que cortou a noite
e ao meu lado
um sol esfuziante
com os dedos molhados
tocava Rock in versos
Ivone Fran*s
Indio
És uma impressão,
um clarão
um ponto vermelho
um verde em profusão
um arredio do espelho
um tronco ereto
belo, ligeiro
um índio atento
um relâmpado
no meio da cena
que mata
minha a sede
que volta
mais ardente...
...e a noite existe!
Ivone Fran*s
um clarão
um ponto vermelho
um verde em profusão
um arredio do espelho
um tronco ereto
belo, ligeiro
um índio atento
um relâmpado
no meio da cena
que mata
minha a sede
que volta
mais ardente...
...e a noite existe!
Ivone Fran*s
Ironia
No álbum de fotografia
tem os olhos do momento
- luz apagada para troca de cenário
A imagem, agora arrancada,
é calafrio e febre no cérebro
e no peito gelo e tremor - dor
Diante da ira, elimina-se
- há mortos e semi-vivos
sem antes e depois -
Aqui e ali, imóveis,
a frieza escura que derreia
acumula as distancias, freia
e o que pensava existir, era frágil e covarde
ironia
Ivone Fran*s
tem os olhos do momento
- luz apagada para troca de cenário
A imagem, agora arrancada,
é calafrio e febre no cérebro
e no peito gelo e tremor - dor
Diante da ira, elimina-se
- há mortos e semi-vivos
sem antes e depois -
Aqui e ali, imóveis,
a frieza escura que derreia
acumula as distancias, freia
e o que pensava existir, era frágil e covarde
ironia
Ivone Fran*s
Algo(dão) blues
Hoje eu quero um canto,
um canto pra nele me encolher
e ficar sem tamanho. Em teu colo
indômito e estranho, quero blues recolher
Deixar a luz apagada - in chama
apaziguar as fissuras, das noites
veladas, em chamas. Despejá-las
na corrente sanguínea. Jimi Hendrix!
Hoje me ponho em renúncia
Deito-me nas águas profundas e flutuo
Piso em brasas inflamadas até
a última gota amarga escorrer
Meu corpo derruído – folhas caídas
Fogo e gelo (desmaiado). Ouço um
canto apartado, esquecido, remendado?
Branco, negro... algo(dão)... assim renasço!
Ivone Fran*s
um canto pra nele me encolher
e ficar sem tamanho. Em teu colo
indômito e estranho, quero blues recolher
Deixar a luz apagada - in chama
apaziguar as fissuras, das noites
veladas, em chamas. Despejá-las
na corrente sanguínea. Jimi Hendrix!
Hoje me ponho em renúncia
Deito-me nas águas profundas e flutuo
Piso em brasas inflamadas até
a última gota amarga escorrer
Meu corpo derruído – folhas caídas
Fogo e gelo (desmaiado). Ouço um
canto apartado, esquecido, remendado?
Branco, negro... algo(dão)... assim renasço!
Ivone Fran*s
Cabana Azul
não me tome
em uma taça!
antes,
me veja em pele crua,
pouse a língua
e ouça o tic, tac...
- descompassa?
serei sua
e de mais... me serei,
*
*
* eu vi o céu...
*
*
nas horas de Helena
os vícios queimam
em cores plenas
serenas tremeluzem
as chamas curtas
das velas que enredam...
...o dourado fio
a que se entregam
à luz miúda
na cabana azul...
Ivone Fran*s
em uma taça!
antes,
me veja em pele crua,
pouse a língua
e ouça o tic, tac...
- descompassa?
serei sua
e de mais... me serei,
*
*
* eu vi o céu...
*
*
nas horas de Helena
os vícios queimam
em cores plenas
serenas tremeluzem
as chamas curtas
das velas que enredam...
...o dourado fio
a que se entregam
à luz miúda
na cabana azul...
Ivone Fran*s
É assim...
Onde me pensei
passiva, descobri
- mera cativa
de ondas embriagadas
de negações antecipadas
de pouca fé ou quase nada...
Retomo o leme
cuspo nas deixas
remelexos e danças
Sou a pulsação que arde
sou o teu desassossego
sou real, na tua carne
- a doce bebida que te sacia
Em teus desvios
arbitrários, o trago
te amarga e te corroe
o teu medo te afasta,
mas a água transborda
eu vejo, as gramas, embaixo delas
Então construo novos trilhos
e espero você chegar
- um trem carregado de volúpias
Ivone Fran*s
passiva, descobri
- mera cativa
de ondas embriagadas
de negações antecipadas
de pouca fé ou quase nada...
Retomo o leme
cuspo nas deixas
remelexos e danças
Sou a pulsação que arde
sou o teu desassossego
sou real, na tua carne
- a doce bebida que te sacia
Em teus desvios
arbitrários, o trago
te amarga e te corroe
o teu medo te afasta,
mas a água transborda
eu vejo, as gramas, embaixo delas
Então construo novos trilhos
e espero você chegar
- um trem carregado de volúpias
Ivone Fran*s
Simbiose
Em vias alagadas
e pensamentos ao vento,
a galope te alcanço
te acordo do sono
imaginando a hora
grito teu nome
- pra ser, lá na frente...
mãos dadas
risos, colo, cheiros
e mais Nada...
Ivone Fran*s
e pensamentos ao vento,
a galope te alcanço
te acordo do sono
imaginando a hora
grito teu nome
- pra ser, lá na frente...
mãos dadas
risos, colo, cheiros
e mais Nada...
Ivone Fran*s
Underground
É vã
a escada e degraus
underground
a luz acabou
e no meio
da passagem
a água desceu
em pedras
quebras de sigilo
contra-cultura
ruptura
- ao relento pousam
os anjos do desejo -
e o Ano Todo já te cobra ... corra!
Ivone Fran*s
a escada e degraus
underground
a luz acabou
e no meio
da passagem
a água desceu
em pedras
quebras de sigilo
contra-cultura
ruptura
- ao relento pousam
os anjos do desejo -
e o Ano Todo já te cobra ... corra!
Ivone Fran*s
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