
I - Viagem
As asas imensas
que a transportaram
voaram Saaras
as árias intensas
que a conduziam
calaram Marias
das Dores
das Graças
das Virgens
II - Deserto
Na areia solta,
pegadas de caças
tudo miragem...será?
em que pesar?
onde pousar?
a alegria se revira
até os dentes
e se contorce
o peito tomba
e a boca beija
o que encontra:
- um solo árido,
desaponto
em tese - já é muito tarde
nada peça!
e seu grito...era interno.
III - Pouso
e assim o nome surge...
o deserto habitou-se de letras
e fui tomar um café no fim do mundo.
Levei a água que faltava
molhei a areia remexida
misturei a precisão
com pó branco e açucar mascavo
refiz uma história
que nunca na vida
será uma constatação
pois volta e meia
uma outra já é nova
- Felicidade Comprimida
IV - Vulnerável
Era perto
que de tão perto
se distanciava
e tinha tudo,
mas um tudo
desses completo
que não precisa
de mais nada
nem esforço, nada
e é por isso que doía
certeza demais
dói muito mais
V - Ausência
Aflição de um céu
poente
olhos airados
passagem lenta
de dourado
a cinza oculto
De bruços me deito
a areia me aqueçe
e penso: teu corpo
- aperto no peito
sufoco um soluço -
Calada
a escuridão me esconde
a aflição aumenta
um vento incandescente: Vesta
e os grãos em brasa
me cobrem
Lembro-me que o sonho é...
nunca será uma noite
(essa) esquecida
Adormecem os ruídos
e te respiro
Em minhas costas
meu, teu ... gemidos
VI -Consagro ao deserto meu desejo
Vesta e Vestais
um temporal
vento e fogo
cidadela
areia e água
vergonha
atrito
tagarelas
enregelados
sentidos
retina
branco
translúcido
alma
corpo
espedaçados
impotência
lúcida
de um fim
apego
desapego
entre meio: indiferença
duas vidas
inflorescência
entre a vida
entre a morte
além do desejo
o amor
expansão
... seus pés deixam pegadas leves e rumam...
Ivone Fs
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