domingo, 4 de novembro de 2007

Armadura da solidão

À revelia
sinto-me

lida

lira
cortante
diante das insólitas
páginas corridas
que entoam
e se desenrolam
nos arrulhos
das vicissitudes
que escolho

a hora
pede
a imagem
rege

e seu vulto
em
meu pé

ilumina e escure
dia e noite

- corta de vez
minha cabeça
e livra-me
de sua armadura

/ivonefs - 02/11/2007

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Sedução

...e ele
chegou...

com seu hálito quente

- o ventinho de verão


Arre-Piou


nas falas
aladas

s e d u t o r a s

beijou-me as coxas

e-Le - Vou - me...

/Ivonefs - 02/11/2007

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Di(versos)

O meu dia vazio
povoado pelo desencanto

contaminado
por falta de versos

que me estremeçam
me despertem

que reguem a aridez
e mate minha sede

que reclamem
por meus olhos

que se entranhem
e aqueçam

com palavras
desentaladas

desenrascadas
ávidas,

passa sem viço

pois o di(versos)
não di(verte)
em dia infértil

/ivonefs - 01/11/2007

* Di(versos) - uma das comunidade do Orkut, onde posto meus poemas


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Atados

gozo
o laço desfeito
descobriu a nudez

/ivonefs - 28/10/2007

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Paradoxo do julgamento

O que julga, julga-se.

/ivonefs - 30/10/2007

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Posição re(flexiva)

À distância vejo mais
Saio de mim
e livre de minha influência
tudo é primeira vez

vivo (morro) todos os dias
e nasço sol ou chuva
essa é minha imprevisão
sem nenhuma garantia

Deixo as conclusões
que me tomaram dias
cheias de minhas idéias limitadas
cerceando os turbilhões

Atenta, a cobrança apura,
mas a força vísivel do invisivel
socorre em minha secura (surreal)
e umidifica a idéia fixa

Detém-se o olhar
expande-se, sem limite, aprofunda-se
na desordem da ordem
que regenera a vida, alimentando a

r
a
i
z



- Desprendida

de


meu corpo,


vejo muito mais...



...além.

/ivonefs - 30/10/2007

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Ao som de uma flauta transversal...

Por que posso crer
que a beleza encerra
uma tristeza?

e é o belo que me
faz chorar...

me pega assim
de repente

quando sinto florindo
aqui dentro

a vontade
de outra vez
ter falta de juízo

lembrando seus
olhos rasos
ligados

- esquerdo seu
direito meu
lado a lado -

a boca
de riso leve

e o corpo
solto entregue

- é o lamento da flauta
que me faz chorar...

/ivonefs - 28/10/2007

Mar a(dentro)

Meu olhar sobre as ondas do mar
paira no horizonte
e o pensamento em queda, enreda-se

clamo aos deuses que arranquem de meu peito
essa dilacerante angústia
- miséria que lesa e pesa

sobre a superfície conduzam-me
pelas mãos úmidas e frias da brisa
e lá - ao longe - livre e altiva

soltem-me!

êxtase de um encontro
- a plúmbea luz que me feria
a rubra tarde dissipará

em cores e sabores enânticos

/ivonefs - 27/10/2007

Açoite

vela
acesa

(chama)

flamante
derrama

a(dor)meças
nela

- nada a mosca no mel quente mortal, sem pagar o tributo

(e ao senhor feudal,
as banalidades diminuíram)

/ivonefs - 26/10/2007

Tudo

Não vejo a hora
do tempo que espero
ser dia de graça

pele, boca, cheiro
seus olhos rasos
assentados nos meus

tudo pode ser ser tudo (ou nada)
fonte e sede para quem quer
a qualquer tempo

vive em mim (como herança)
a necessidade e a vontade
- nisso não me engano -

o prazer livre não se perde no tempo
é grato pelo vôo
e ousa

voa
ouça
ousa(dia)

/Ivonefs - 15/10/2007

Inteira

O que eu preciso
não precisa ser
de qualquer jeito

o que eu quero
tem olhos perfeitos
e falam nos meus

as mãos
que me tocam
amanhecem em meu peito

a chuva que cai
não traz receio
nem trai meu desejo

e é assim...
simples assim

e nisso você não cabe
- vem dividido
com ares de envaidecido -

e nisso não caibo
sou inteira demais
pra me quebrar

/ivonefs - 24/10/2007

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As mulheres de Kandahar

Atravessar entraves nas entranhas minadas da terra mãe dilacerada,
que gera e amputa as filhas puras, priva o entendimento dessa necessária travessia. Em caminhos assolados, desérticos, gelados,em cárcere aprisionadas em companhia da fome, ao lado de mortes brotadas do chão, que mancham e desmancham-se no ar, vive a mulher no Afeganistão. - Onde nem escola pensaram para elas -
Um Deus justifica a ação de frias espadas, que separam cabeças dos corpos e arrancam mãos – ladrão, punição. Mistérios de uma tradição.

A mulher de Kandahar que se cobre, vive porque tem a esperança de um dia ser vista, então sorri e não desiste.

Desligo o vídeo e ainda me acompanham os olhos da mulher afegã seguindo seu incerto caminho sobre as minas espalhadas pelo país.

A esperança... onde encontro?

(Fiz este texto, após assistir ao filme -
fantástico - “A caminho de Kandahar”, há um ano, onde uma jornalista Afegã, - radicada no Canadá- escreve sobre a condição feminina no Afeganistão, enquanto tenta resgatar uma mulher de sua família )


/ivonefs - 23/10/2007


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sábado, 3 de novembro de 2007

Obsceno sagrado

Lambe o sangue
devora o fel
a seco, de frente
a frio

a velha sábia
espeta a verdade
toma a agulha
crava, fere e mata

cinzas se espalham
dentre o invisível infinito
pela vida, a Fênix
recolhe e recobra

obsceno sagrado,
- sagrado, pois cura
sensualmente desperta
prazerosamente navega

-lascívia astuta,
porém inocente
- assim deve ser
e só assim há de ter.

/ivonefs - 24/10/2007

Re(pulsa)

re(pulsa)
náusea
a(versão)

da noite insone
de sonhos aflitos

um grito:

O BELO A RELES SUPLANTOU

- que ânsia que dá!

/ivonefs - 25/10/2007

Açoite

vela
acesa

(chama)

flamante
derrama

a(dor)meças
nela

- nada a mosca no mel quente mortal, sem pagar o tributo

(e ao senhor feudal,
as banalidades diminuíram)

/ivonefs - 26/10/2007

Menino bonito

É seu sonho
do tamanho ilimitado
da fome

tem a idade
da sua vontade
a doçura da infância

olhos cínicos?
olhos reais do dia a dia
- não penso, pois quem pensa emburrece –

mas vive no claro
e na noite suga as dores da vida
e não ignora as putas de tetas caídas

assusta-se em seus diversos
singular feito à medida
sabe sim o que quer

e é bonito
bonito
bonito

menino, te quero no colo...

/ivonefs - 24/10/2007

Aquiescência

Pés e mãos atados
na masmorra
o vento indevoto
aflige e congela
desordena os quereres
- aquiescência do medo

no peito nem o ar pousa
suspensa presumo
para(lítico) nítida mariposa
ninfas em seus casulos
- o tempo mudar[a o rumo

as serpentes ignoram sua efemeridade
- e o encantador faz delas o que quer

ri(mas)
ri(o)
sobre lendas que tornam
as águas límpidas
e regam os lírios que brotam
pelas eras sempre móveis
do olhar que repara...é certo
e aí tudo se transforma

-Teu signo não me manda flores,
mas planta-as em mim

/ivonefs - 22/10/2007

Escasso

o tempo escasso
passa
im(permanente)
à minha frente
e verso

estágios do tempo
deixam a deriva
a espera (vã?)
move-se in(certo)
sempre móvel tempo

de certo
as falas
discretas
ligam
ímãs
alinham-se
e aninham-se
nas horas im(próprias)

assim o tempo é lembrança
de outro...

/ivonefs - 23/10/2007

Dois em um

Em meia luz
a meio fio
refém
algemada
calada
lendo os olhos
gravados
relendo
o tempo passado
que quero presente
onde
tudo liga
a ponto
do tanto que vem
do tanto que fica
do tanto que é
(sem tamanho)
cruza
unifica
o instante
único
de dois

/ ivonefs - 18/10/2007

domingo, 28 de outubro de 2007

Desejo

Prescrevo:

Seja feita a minha
vontade

mas que seja assim
como desejo

livre
por puro capricho
e que me leve
às alturas

se preciso for
pago o preço (sempre tem)
mas que valha o vôo.

/ivonefs - 17/10/2007