domingo, 30 de dezembro de 2007

Antes da hora

Atos e vozes
dos porões eclodem

é de areia a ilusão
e a loucura é desculpa

a palavra sustenta
teus fios indefinidos

balançando ao vento,
mas se enche de pó

e abusa da fé
dos crentes ingênuos

de carne e sangue escorrendo
expõe-se em reverso

reflexo da hora maldita
de vez , amadureceu e caiu...

Ivonefs



******************

Dezembro despedaçado

história fria

olhos - secos
boca - aberta
mãos - vazias
peito - dor

e um eco

"- não se iluda"

tua voz


Ivonefs



****************************************

Arte abstrata

Serei serena
na noite conturbada

Teu nome passeia
em meus lábios
- chamo e não o vejo
grito e não me escutas -

Meus delírios acordados
são como noites suspensas
quando caminho em nuvens densas
onde contorno os tons

Estás tão longe e penso - Kandinsky

Envolvo-me na paisagem indefinida
de tintas frescas, onde me componho
nas cores vibrantes que rimam
com teus seus olhos fortuitos...


Ivone Frans*s



************************************

In(consciência)

Diante da indiferença
o sangue escorria
do cordão cortado


Ivonefs




**************************************

Poesia

Num dia, sem sentido algum, me veio um Deus, com todas as promessas de que tudo me daria...

Noutro, alguém me disse que me daria a vida...

Hoje, eu tenho a poesia, minha fiel companhia, que não troco por ninguém.


Ivonefs




*******************************************

Instante

As ondas remexiam
num chiado quebrado

sua boca me levou
num vôo acima das estrelas

o ventou brincou
no instante das rimas dadas

e nos banhamos
na delícia de nos ter...


Ivonefs


*****************************************

Artifícios

Tenho, além de vivido
tenho visto
e visto com outros olhos
claro, os meus,
que são castanhos, claro
e tenho me lembrado
do que ainda virá
tenho falado muiiiiito do que já foi
e tenho percebido uma grande mudança
em torno, em volta , e dentro
- principalmente dentro

na superfície,
tudo permanece igual
aparentemente

- a superfície é a mais visível e mais escondida, já percebeu isso?

Ivonefs


*****************************************

Ilusão

Caminhando na areia
as pegadas atrás, o mar engole

quando me volto, nada vejo
- é assim a ilusão


Ivonefs






*****************************************

Caminhando nas fendas

Não escolho
o vago
do querer
incerto
caminhando
nas fendas
onde a vida
vira e aperta

sinto
nos pés
as pedras
que nunca
em tempo
advinho
e o peso
que me
assola
pela boca
da angústia
me engole

abraçam-me
em meu ninho
os sonhos
que me velam
em redemoinhos
me entontecem
e afinal
escapam

sempre a mesma
solidão...


Ivonefs

Sonho barroco

Palavras dançam
num vai e vem
e secretas
fazem minha síntese
dileta

o sol ralo
deixa a tarde
e tudo ao redor
permanece
estático

o mesmo nome
o mesmo rosto
num elo atrelo
um sonho barroco
que dorme comigo

Ivonefs

sábado, 22 de dezembro de 2007

De noite

Amar o deserto
o sereno caindo

Amar a saudade
a certeza de nada

Viver à beira da linha
estar em colapso

E chorar num compasso
do Chico e da Nana Caymmi

"Até pensei"


Ivonefs

*****************************************

Sal

Não meço. Arremesso. Me lanço.
O que há de mais surdo que palavras jogadas a quem não se interessa, a quem não se destina, não pelo endereço , mas porque não lhe cabe? Será? ...Desgastes...
A nascente, quando jorra a água, empurra a areia e sai,
porque a fonte destina a água doce ao mar.
A água doce serve em seu curso, a quem dela precisa, mas o que ela precisa é se misturar ao sal.
A palavra de amor é como a água, vem da fonte que lhe ordena e tem seu destino:
um ouvido que a absorverá e lhe dará o sentido. E em seus tantos vôos, na louca procura, muitas vezes confunde-se diante dos olhos, nas alegorias e adereços e não dança nas esferas que lhe dá vida. Vagueia, como num sonho, e a um leve toque, desperta em dor, ao ver por trás dos dias, as horas alegres, intocáveis, desintegradas . Mais um engano que custa a aceitar? E a palavra dança, afoga-se e rodopia ao vento, enquanto o sonho dos sonhadores não alcança o sal da vida. O coração, dilacerado, esperneia e sente em suas costas o auto flagelo a que se encerra...e bate ... batidas de saber que há olhos que não vêem.

Lugar nenhum

A cor do dia
quero ver o sol
e andar no balanço
de nenhuma direção

correr pelas ruas
e esquecer o beijo
da madrugada fria
que não dormi

Comi poesias coloridas
no escuro - e até sorri -
que no claro ofuscaram
em preto e branco

vi na arte as misturas
a luxúria, os olhos puros
e papéis de embrulho

cada coisa em seu lugar
um lugar para cada uma
e eu
sem nenhum...


Ivonefs

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Semen(te) -- (revisitado)

Sêmen,
Prazer que fecunda.

Do sonho, proponho o filho que quero por nome Antonio,
Derrama, sagrada semente, que engulo em doses.

Do beijo, desejo a fome que leva a ter teu despejo.
Em mim, nas minhas espumas, encontras teu berço.

De ti nasceu Afrodite
que mora em mim.


Ivonefs

Egoismo

Enquanto ele morria, ela sofria sua falta.
E ele só queria amar em paz, as ilusões de seus amores inventados.



Ivonefs 17/12/07




*********************************************

Lugar nenhum

A cor do dia
quero ver o sol
e andar no balanço
de nenhuma direção

correr pelas ruas
e esquecer o beijo
da madrugada fria
que não dormi

Comi poesias coloridas
no escuro e até sorri
mas no claro ofuscaram
em preto e branco

vi na arte as misturas
- a luxúria os olhos puros
e papéis de embrulho

cada coisa em seu lugar
e eu: sem nenhum


Ivonefs 17/12/07


*******************************************

Antes da hora

Atos e vozes
dos porões eclodem

é de areia a ilusão
e a loucura é desculpa

a palavra sustenta
teus fios indefinidos

balançando ao vento,
mas se enche de pó

e abusa da fé
dos crentes ingênuos

de carne e sangue escorrendo
expõe-se em reverso

reflexo da hora maldita
de vez , amadureceu e caiu...

Ivonefs 17/12/2007


*****************************************

Simbiose

Em vias alagadas
e pensamento ao vento,
a galope te beijo

imaginando
a hora presente
que grito teu nome
ser lá, na frente,

mãos dadas
risos, colo, cheiros
e mais Nada...


Ivonefs

sábado, 15 de dezembro de 2007

Incômodo monólogo

Não olhes para meus olhos cegos, nem ouças minha voz. Eu corro atrás das nuvens, durmo nos tetos molhados e como os restos que surgem das mãos que nem sabem da minha fome. Não penses que apelo, eu só não posso carregar tanto peso, então despejo meus excessos, tento, assim, me aliviar. A pena já tem morte certa e o que eu desejo mesmo, é ser livre - das misérias, das migalhas, da língua que me sorve e nem sabe o sabor - e voar nos aclives das minhas angústias e fazer delas meus amigos qual São Francisco, acariá-los e em meu peito fazê-los dormir.
Não olhes para meus olhos cegos, pois neles só enxergas o que vês e nem ouças minha voz, são só ruídos proferidos, sobrepõe-te. Deterioremos todas as possibilidades, as idéias, os sentidos, porque dizer o que é preciso nos torna passível e o nosso cavalo está pronto para partida e as pontes atravessadas serão derrubadas e vazio nos distanciará para sempre. E o vazio permanecerá para sempre...


Ivonefs


****************************************

Só pra descontrarir

Escrevi
seu
nome
e escrevi
versos
que
rimavam
com
o meu

- Ande logo,
venha me ver!

as
rimas
são
pobres
e não
combinam
com
o seu

Ivonefs - 15/12/07